ELEIÇÃO DA MESA DA CÂMARA DE SALVADOR

Em 2 de janeiro próximo, a Câmara Municipal de Salvador irá eleger um novo presidente e demais integrantes da Mesa Diretora, para o próximo biênio (2011/2012). Trata-se de um momento extremamente importante, já que a nossa cidade será uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014. Pela Câmara passarão as mais importantes decisões no sentido de preparar a cidade para este grande evento, e o próximo presidente tem que estar pronto para atuar junto às demais autoridades na mudança radical que a cidade atravessará.
É público e notório que Salvador enfrenta hoje uma crise sem precedentes, apesar dos esforços do chefe do Poder Executivo e da sua equipe no sentido de colocar “ordem na casa”, a Prefeitura encontra dificuldades até para o custeio da cidade. Não se pode admitir que uma cidade privilegiada pela natureza, conhecida mundialmente pelo rico patrimônio histórico e hospitalidade do seu povo, esteja com pontos turísticos completamente degradados, a exemplo do Pelourinho, atualmente , invadido pelas drogas e pela marginalidade.
Com a retirada das barracas de praia por determinação judicial, assistiu-se a uma verdadeira invasão desordenada das praias, não apenas por aqueles que sobreviviam do comércio, mas também de um grande contingente de pessoas que se aproveitaram da dificuldade de o Poder Público em fiscalizar ao mesmo tempo 50 km de orla marítima. São carros de mão, isopores, mesas, cadeiras, caixas e até geladeiras nas areias. Ao final do dia, equipamentos acorrentados nos coqueiros da orla. Um cenário deprimente.
No Centro da cidade, onde já eram enfrentadas dificuldades no controle do mercado informal, a situação se agravou. Com a proximidade das festas de final de ano, novos ambulantes se estabeleceram nas calçadas, dificultando a circulação das pessoas e o trânsito no local. O tráfego de veículos travado em toda a cidade, a qualquer hora do dia e até da noite em muitos bairros. Um só estresse. Um verdadeiro caos. As emergências médicas da cidade em colapso, com pacientes varando dia e noite nos corredores aguardando solução para suas “emergências”. Tudo isso, sem falar no acentuado crescimento da violência urbana, problema não específico de Salvador, mas sim das metrópoles brasileiras, que precisa ser enfrentado com determinação e competência pelos poderes constituídos e pela sociedade. Pergunta-se: o que tem a ver a eleição na Câmara de vereadores com esta situação?
Trata-se da eleição da segunda mais importante autoridade da cidade, responsável pelo tomando das principais ações e votações dos mais significantes projetos para a cidade, a exemplo dos que prevêem isenção de impostos e incentivos para atrair empreendimentos voltados para a Copa do Mundo, Lei Orçamentária Anual e a Reforma Tributária. Tudo isso passa por uma posição do Poder Legislativo e precisará de uma posição firme do futuro presidente eleito. Em um cenário tão desafiador, urge que os candidatos à presidência inovem nos métodos adotados. Estes não podem entrar calados e sair calados e eleitos nesse processo.
Torna-se necessário e premente na escolha de tão importante cargo a apresentação de um projeto, uma agenda contendo compromissos com a população para os próximos dois anos. Recentemente, assistimos os candidatos à presidência da República respondendo dúvidas de populares e ouvindo suas angustias quanto ao futuro do país. Logo, não se pode imaginar que um candidato a presidente da terceira maior capital do país casa legislativa do país seja eleito apenas com ações nos bastidores e restritas a conversas de gabinetes.
Todos nós devemos satisfações ao povo desta cidade, especialmente aqueles que nos confiaram seu voto. A eleição da Mesa da Câmara tem que passar por um debate, uma discussão pública aberta e transparente envolvendo a sociedade. Um Estado Democrático de Direito não comporta métodos arcaicos que favoreçam candidaturas unicamente por apresentarem maior “poder de fogo” incorporando ou atropelando as demais. A disputa pelo poder político é legitima e salutar, desde que dentro da ética e da dignidade.
Diante do exposto, conclamo os meus pares e toda a sociedade a participarem efetivamente da eleição da mesa da nossa Câmara Municipal, exigindo o máximo de transparência. Desta forma, será possível eleger um comando independente e comprometido com os reais anseios da população.
*Gilberto José, vereador. Presidente da Executiva do PDT de Salvador e ex- presidente da Câmara Municipal de Salvador.