VIVA A JUVENTUDE NEGRA

É cada vez mais notório o papel da juventude no novo marco civilizatório do país. Mas, talvez, o papel mais emblemático seja desempenhado por segmentos organizados da juventude negra. Esses são exemplos de emancipação pela reconstrução de identidades e, principalmente, promoção de ações afirmativas.
Apesar de serem porta-vozes de um passado "silenciado" ao longo da história, os jovens negros e baianos ensinam aos demais brasileiros a superarem as adversidades e, ainda assim, tornar possível um ambiente de tolerância e democratização do poder entre os povos. Na Bahia, o templo das diversidades, o palco deste cenário de reconciliação foi representado pelas conferências estaduais de juventude realizadas em todo o território baiano.
Com a participação de mais de 50 mil jovens, os encontros regionais que ocorreram em nosso estado, mostraram ao poder público o alto nível de organização alcançado pelo segmento juvenil, preponderantemente, entidades vinculadas a temas como combate ao racismo e políticas afirmativas. Isso garantiu que a temática fosse a mais votada entre as 21 resoluções prioritárias deliberadas pela Conferência Estadual de Juventude, que resultou na segunda maior delegação do país para a Conferência Nacional. Entre elas, o reconhecimento e a aplicação imediata, das ações do 1º Encontro Nacional de Juventude Negra (Enjune).
Não foi diferente na Pré-Conferência Mundial de Juventude, que ocorreu em Salvador. Os 28 países representados na Conferência, além de França e Espanha, reafirmaram a responsabilidade da nossa juventude na condução das soluções para os problemas do nosso país e para o mundo. A juventude negra mais uma vez foi um dos temas prioritários dos debates.
O protagonismo da juventude negra na Bahia garantiu ao segmento a maior representação no Conselho Estadual de Juventude, com três cadeiras. No Conjuve, a participação de diversas entidades, como a Akibanto, Unegro, Escola Olodum, Fórum Baiano de Juventude Negra, além de comunidades quilombolas, pautam toda a agenda definida pelo conselho.
É evidente que a juventude não é um caso de polícia, mas, de política pública. Ignorar, portanto, a existência deste público como ator relevante de um processo de reconstrução política é um grande equivoco. Falar hoje em desenvolvimento é falar em juventude e mais ainda, é falar em juventude negra pobre, periférica, guerreira, criativa e ciente de que há um mundo a ser conquistado. São jovens que estão na política, nos movimentos, nas universidades de todo país - via cotas, via Prouni, ou não; que estão na música, na produção, nos esportes, na arte e em tantos outros lugares em busca de seu espaço. Viva a juventude!
*Yulo Oiticica é deputado estadual e presidente das Frentes Parlamentares de Juventude e Assistência Social na Assembleia Legislativa da Bahia.