O PIADO DO PASSARINHO NA CAMPANHA ELEITORAL

Começou a temporada de caça aos jornalistas no Twitter e, a gente sabe, isso tem uma motivação: A proximidade das eleições para Presidente da República, ou será Presidenta? É que a matemática sugere dois candidatos competitivos do sexo feminino, contra um do sexo masculino. Mas como ia dizendo, para não desafinar o discurso, começou a temporada de caça aos jornalistas no twitter, de modo que já temos como followers excelentíssimo senhor José Serra, e excelentíssimas senhoras Dilma Vana Rousset e Maria Osmarina Silva de Souza. Um deles será empossado em 1 de janeiro de 2011, essa uma certeza, os três deixarão de ser os nossos seguidores no dia seguinte à contagem dos votos, essa uma certeza ainda maior. A vida é assim mesmo: no mundo real não tem mais tapinha nas costas, no virtual basta um simples delete.
Jornalistas e formadores de opinião de qualquer profissão somos o público alvo preferencial dos operadores das redes sociais dos candidatos à Presidência da República, assim como dos candidatos às eleições majoritárias e proporcionais, resumindo, os candidatos aos Governos dos Estados, ou a uma vaga no Congresso.
Todo mundo muito animado com o efeito Obama, a possibilidade de engajar o eleitorado, através das redes sociais. Mas será que vai dar certo? Segundo os especialistas não há a menor possibilidade de que o efeito Obama se repita no Brasil e muito menos na Bahia. O engajamento através de redes sociais requer tempo para entender a cultura, montar e treinar equipes e construir relacionamentos. Não é em quatro, ou cinco meses que se ativa uma plataforma com esse objetivo. O Twitter e as redes sociais serão ferramentas de apoio, sim, nas próximas eleições, no contexto do marketing eleitoral, porém com um alcance muito limitado.
A propósito, muita gente imagina que por trás de uma conta política do twitter há apenas a assessoria de imprensa do candidato. Para ser eficiente será necessário muito mais do que isso, a um custo-benefício que tal vez não se enquadre no orçamento de ficção das campanhas, em especial para os candidatos ao parlamento. No caso específico das campanhas presidências, para operar as redes sociais, as equipes devem reunir não menos do que 200 pessoas. Tal vez mais, considerando que se trata de interagir com milhões de eleitores, de responder, para ser eficiente, dezenas de milhares de posts por dia. Responder, monitorar, avaliar e relatar para o comando da campanha.
No momento que escrevo este artigo Serra lidera em número de seguidores no twitter com 235.935 followers, seguido de Dilma com 63.260 e Marina com 46.597. Ou seja, os três juntos, supondo que não há superposição nessa estatística, possuem 344.857 seguidores. Ocorre que o Brasil tem em torno de 10 milhões de contas no twitter que se cada uma representar um eleitor, corresponderia a menos de 8% do eleitorado (lembrando como agravante que 5% das contas são responsáveis por 75% dos tuiters). Para atingir esse universo digital, já limitado do ponto de vista das urnas, será necessário que os candidatos persigam a meta de 9, 65 milhões de seguidores. Significa mais de 70 mil seguidores/dia, até a data das eleições. Pura utopia.
É claro que não se mede o impacto na mídia, off-line, ou on-line, apenas com números. Mas nos aproximam do chão. Não adianta enxergar as nuvens através do passarinho do twitter que no Brasil de hoje apenas sabe piar. As redes sociais serão determinantes, sim, acredito, na campanha presidencial. De 2014
Nelson Varón Cadena
Jornalista e publicitário
Escreve no Correio *, Portal Imprensa e Revista Propaganda