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O mar como indústria: uma oportunidade para a Bahia

Por Paulo Avena

O mar como indústria: uma oportunidade para a Bahia
Foto: Divulgação

Quando pensamos na vocação econômica da Bahia, é impossível ignorar o mar. Temos mais de mil quilômetros de litoral, clima favorável durante praticamente todo o ano, uma baía totalmente navegável e uma relação histórica com a navegação. Poucos lugares no Brasil possuem condições tão favoráveis ao desenvolvimento da economia náutica.

 

Mas precisamos avançar na forma como enxergamos esse potencial.

 

A náutica não deve ser vista apenas como lazer ou como um mercado de compra e venda de embarcações. Existe por trás dela uma verdadeira cadeia produtiva, capaz de gerar milhares de empregos e movimentar diversos setores da economia.

 

Um estaleiro não produz apenas barcos. Ele demanda engenheiros, técnicos, eletricistas, mecânicos, marceneiros, pintores e profissionais especializados em materiais compostos, eletrônica e motores. Ao seu redor surgem fornecedores, transportadoras, marinas, oficinas, comércio de equipamentos, seguros e inúmeros prestadores de serviços.

 

E, depois que a embarcação vai para a água, essa atividade econômica continua durante toda a sua vida útil, movimentando manutenção, turismo, hotelaria, gastronomia e serviços.

 

É justamente essa cadeia que a Bahia precisa atrair e desenvolver.

 

Para isso, entretanto, temos que competir com outros estados. E decisões empresariais sobre onde instalar uma indústria levam em consideração infraestrutura, mão de obra, segurança jurídica e, inevitavelmente, tributação.

 

Santa Catarina compreendeu essa dinâmica e tornou-se um dos principais polos da indústria náutica brasileira. Hoje reúne importantes estaleiros, fornecedores, tecnologia e profissionais especializados. É um exemplo de como um ambiente favorável ao investimento pode transformar uma atividade econômica em um verdadeiro polo industrial.

 

A Bahia possui condições naturais para trilhar caminho semelhante.

 

Por isso, o setor náutico defende uma política tributária estadual mais competitiva, aproximando seu tratamento daquele concedido a outros segmentos industriais estratégicos, como o automotivo.

 

Não se trata de conceder privilégios para quem compra barcos. Essa interpretação reduz uma discussão muito mais importante. O que está em jogo é criar condições para atrair fábricas, desenvolver fornecedores locais, formar profissionais e gerar empregos.

 

Um incentivo fiscal bem estruturado deve ser avaliado pelo investimento e pela atividade econômica que consegue produzir. Uma empresa que se instala na Bahia contrata trabalhadores, compra produtos e serviços, movimenta outras empresas e gera tributos em diferentes etapas da cadeia.

 

Precisamos, portanto, olhar para o mar também como política de desenvolvimento econômico.

 

A Bahia já possui aquilo que nenhum incentivo fiscal pode criar: litoral, clima, localização geográfica, tradição marítima e algumas das melhores águas do país para navegar.

 

O desafio agora é criar o ambiente econômico necessário para transformar essas vantagens naturais em vantagens competitivas.

 

Se fizermos isso, poderemos deixar de ser apenas um extraordinário destino náutico para nos tornarmos também um importante polo da indústria náutica brasileira.

 

O mar sempre foi uma das grandes riquezas da Bahia. Está na hora de transformá-lo também em mais indústria, emprego, renda e desenvolvimento.

 

*Paulo Avena é diretor industrial da Associação Náutica da Bahia (ANB) e empresário do setor náutico

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias