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Economia do Mar: o Brasil pode se tornar uma potência náutica?

Por Cecília Avena

Economia do Mar: o Brasil pode se tornar uma potência náutica?
Foto: Tom Almeida/ Divulgação

O setor náutico brasileiro movimenta anualmente bilhões de reais, gerando milhares de empregos diretos e indiretos. Um mercado em franca expansão, que vai muito além do crescimento em vendas de embarcações: passou a integrar uma agenda estratégica de desenvolvimento, baseada na “Economia do Mar”.

 

Esse conceito engloba atividades ligadas aos oceanos, rios e demais áreas em águas que venham a impulsionar entre outras atividades o turismo, infraestrutura, tecnologia, logística, indústria, pesca, esportes, sustentabilidade e geração de empregos. Abrange por exemplo da construção naval pesada e de recreio à valorização da atividade de marisqueiras ribeirinhas. Uma potência em diversidade econômica, cultural e social.

 

Em países mais desenvolvidos, a exemplo de França, Itália, Espanha, Alemanha e EUA a Economia Azul representa uma parcela significativa do PIB, tendo o mar como um “ativo econômico”. Portos eficientes, marinas públicas e privadas, turismo náutico (principalmente o charter), construção naval e serviços afins impulsionam o desenvolvimento econômico e social. No Brasil, apesar dos mais de 8,5 mil quilômetros de litoral e da extensa malha hidroviária há uma enorme desconexão entre sua geografia privilegiada e a exploração progressiva e sustentável ligada às águas.

 

O Brasil começou pelo mar. Essa premissa histórica diz muito sobre nossa vocação náutica. Temos uma costa totalmente navegável além de inúmeros rios, lagos e represas. Na Bahia, a Baia de Todos os Santos, a Baía de Camamu, os Cânions de Xingó (Rio São Francisco), a Barragem de Sobradinho e o Arquipélago de Abrolhos são alguns de nossos paraísos com altíssimo potencial para a náutica sustentável.

 

Outro fator decisivo para esse crescimento da Economia Azul é a mudança de percepção do consumidor. O conceito de “luxo” deixou de estar associado apenas ao custo de bens e passou a valorizar experiências. Hoje, navegar representa liberdade, privacidade, contato com a natureza, bem-estar e tempo de qualidade com família e amigos. A embarcação deixa de ser apenas um patrimônio para se tornar uma plataforma de experiências.

 

Esse movimento amplia a demanda por marinas, píeres, estaleiros, centros de manutenção, tecnologia embarcada, turismo especializado e mão de obra qualificada. O impacto vai muito além do mercado de barcos, alcançando hotelaria, gastronomia, mercado imobiliário, comércio e serviços, com geração de renda e fortalecimento das economias locais, impulsionando toda a cadeia produtiva.

 

Diante dessas novas diretrizes do setor produtivo, espaços para construção de estratégias e soluções se fazem urgentes. Com esse objetivo, acontecerá em setembro o 2º Fórum Náutico Internacional promovido pela Associação Náutica da Bahia(ANB). Reunidos em Salvador, especialistas da Espanha, Portugal e Inglaterra, empresários, investidores e representantes do poder público, apresentarão cases e soluções para as áreas de infraestrutura, tecnologia, turismo náutico e políticas voltadas ao impulsionamento efetivo da Economia do Mar. Mais do que um evento setorial, o Fórum reforça o protagonismo da Bahia nesse debate e evidencia seu potencial como um dos principais polos náuticos do país e do mundo. O Brasil possui todos os elementos para transformar sua vocação marítima em vantagem competitiva internacional.

 

*Cecília Avena é sócia da Aloha Náutica e Diretora de Comunicação da Associação Náutica da Bahia (ANB)

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias