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Bandeirolas e fogueiras: a festa junina como recurso de aprendizagem

Por Fernanda Menezes

Bandeirolas e fogueiras: a festa junina como recurso de aprendizagem
Foto: Divulgação

Quando pensamos em festa junina na escola, é comum que a primeira imagem seja a de bandeirolas coloridas, músicas típicas, danças e comidas tradicionais. Limitar esse momento apenas à comemoração é deixar de reconhecer um dos projetos pedagógicos mais ricos do calendário escolar brasileiro.

 

É importante na educação contemporânea proporcionar experiências que façam sentido para os estudantes. Nesse contexto, a festa junina representa uma oportunidade valiosa de aproximar crianças e adolescentes de suas raízes culturais, fortalecendo o sentimento de pertencimento, identidade e respeito às diferentes manifestações populares que compõem a história do Brasil.

 

A preparação, os ensaios das quadrilhas, a seleção das músicas de forró e o preparo das comidas da época é apenas um dos momentos dessa manifestação cultural. Existe todo o envolvimento em pesquisas, entrevistas, produções textuais, cálculos matemáticos, o conhecimento da história e geografia, além dos elementos que compõem a cultura. Um leque de possibilidades que proporciona uma viagem no tempo e a revisitar pontos importantes da cultura de um povo e sua identidade. Para além da chita, do milho, do amendoim, conferindo sentido e transformando em verdadeiro projeto interdisciplinar, no qual cada área do conhecimento contribui para uma aprendizagem mais significativa.

 

Outro ponto importante é a necessidade de superar antigos estereótipos. Durante muitos anos, a figura do "caipira" foi apresentada de forma caricata, associada à ignorância ou ao atraso. Felizmente, essa visão vem sendo substituída por uma abordagem educativa que valoriza a cultura do campo, reconhece sua importância para o desenvolvimento econômico e social do país e promove o respeito às diferentes formas de viver e produzir.

 

As festas juninas também se reinventam ao dialogar com acontecimentos que mobilizam a sociedade. Em anos de Copa do Mundo, por exemplo, muitas escolas ampliam seus projetos pedagógicos ao integrar as tradições juninas ao estudo da cultura dos países participantes da competição. As turmas pesquisam costumes, gastronomia, idiomas, localização geográfica, manifestações culturais e curiosidades de diferentes nações, construindo uma experiência que une cultura brasileira a conhecimento mundial.

 

Essa integração permite que os estudantes compreendam que preservar nossas tradições não significa fechar os olhos para outras culturas. Pelo contrário, significa reconhecer a própria identidade enquanto se aprende a respeitar e valorizar a diversidade existente no mundo. É uma oportunidade de formar cidadãos mais curiosos, críticos e preparados para viver em uma sociedade globalizada.

 

A escola tem o compromisso de preservar o patrimônio cultural brasileiro, mas também de ressignificá-lo à luz das necessidades educativas do presente. Quando há intencionalidade pedagógica, cada brincadeira, cada música, cada dança e cada pesquisa tornam-se instrumentos de desenvolvimento cognitivo, social e emocional.

 

Mais do que uma festa, a celebração junina é um espaço de convivência, construção de conhecimento e valorização da cultura. É nesse encontro entre tradição, educação e respeito às diferenças que a escola reafirma seu papel de formar cidadãos conscientes de suas origens e preparados para construir um futuro mais humano, inclusivo e culturalmente rico.

 

*Fernanda Menezes é pedagoga da e coordenadora do Núcleo de Apoio e Atendimento Psicopedagógico (NAAP) da Estácio

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias