NOSSO MAIS SUBLIME OFÍCIO

Victoriano Garrido Filho
Ser pai não é um cargo que somos nomeados na vida, nem tampouco algo que a gente assuma numa época que não temos muito o que fazer. Ser pai é função permanente. Função que jamais podemos nos demitir. Jamais seremos ex-pai. É talvez a mais nobre tarefa que possamos assumir na terra, cuidar de um ser e levar a humanidade até mais longe, numa espécie de corrida de revezamento, já experimentada por nossos antepassados. Missão que exercemos sem manual de instrução, nem tampouco treinamento, usando o método tentativa e erro.
Então, em homenagem a nosso mês, resolvi discorrer sobre as dez atitudes para o pai nota 10. Ensinamos aquilo que mais precisamos aprender.
Primeiro trate bem o seu pequeno cientista. O ser humano nasce com enormes potencialidades que podem ser bloqueadas, a depender do seu processo de socialização. Se vigie para não impor seus gostos e vontades e sim valores perenes. É como diz o genial Raul Seixas "O que como a prato pleno pode ser o seu veneno".
Na pressa do tempo que vivemos, se dedique ao papel de pai, muito mais preocupado com a qualidade deste tempo do que com a quantidade. Quem não conhece aquele pai que saiu com o filho no sábado e foi no açougue, beber com os amigos, visitar a mãe e consertar o carro e de noite dormiu tranqüilo, pois passou o dia com o seu pequeno?
Preserve também a auto-estima de seu filho, pois ela será fundamental nos relacionamentos que ele irá travar mundo afora. Lembre-se desta regra básica "Elogio em público e crítica em particular" e, sobretudo, valorize seu tesouro, não caindo na tentação da comparação "a galinha do vizinho é melhor". Pense que seu vizinho está dizendo a mesma coisa.
Se relacione sempre com empatia, acredite, por mais difícil que seja, que você não nasceu agora e que já teve 10, 15, 18 anos. Se comunique sempre com verdade amor e procure ouvir o que seu filho não fala com palavras, mas grita em atitudes e gestos. Incentive a criatividade de seu filho e tolere os erros. Saiba que quanto mais ele errar no acolhedor laboratório que é sua casa, menos errará na rua e valorize sempre as brincadeiras ao ar livre e de verdade. Hoje, os meninos jogam até gude (?) pela internet e são craques de bola no play station. Veja se você não concorda que o prazer que
na infância você tinha nas peladas de golzinho, jamais pode ser comparado ao jogo eletrônico mais genial que o japonês inventou. Lembre-se também que o melhor brinquedo para filho é pai.
Persista no seu nobre ofício. Ser pai é educar por repetição, é dar afeto, orientação e limites o tempo todo, é sempre recomeçar com uma nova lição, estando sempre vigilante ao exemplo que é o melhor professor. E, sobretudo, estar alerta para o jogo da culpa e das compensações que ela provoca.
A cada dia você está se pondo à prova de uma das mais bonitas formas de amor
que já tivemos notícia, o amor incondicional, e que experimentá-lo é conectar a nossa divindade e exercer, diante de tantos papéis sociais transitórios que temos, o nosso mais sublime ofício. Ser pai, até sendo mãe quando precisa.
* Victoriano Garrido Filho é administrador com especialização em Human Resources pela State University of New York (EUA) e preside a Associação de Dirigentes de Vendas e Marketing da Bahia (ADVB).