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Voto na democracia

Por Edson Neves Valadares

Voto na democracia
Foto: Divulgação

Vivi minha adolescência e parte da juventude sob um regime político de uma ditadura militar. Na década de 1980, fui perseguido e fichado durante minha militância no movimento estudantil, no Colégio Estadual Severino Vieira, na Universidade Federal da Bahia (Ufba) e na participação nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Tudo isso por defender a abertura política e a volta da democracia. Neste período, precisei muitas vezes mudar de endereço para escapar das buscas policiais para me prender por liderar atos de protestos contra a ordem imposta.

 

Os anos 80 foram mágicos. Os movimentos sociais, que haviam sido calados pela dura repressão implementada pelo obscurantismo, retomaram suas organizações em defesa da democracia, fazendo pipocar grandes mobilizações de Norte a Sul do Brasil. O surgimento do novo sindicalismo, a retomada do movimento estudantil e dos movimentos comunitários, entre outros, foram os promotores da derrota do regime autoritário e a reconquista da democracia. A abertura política, a luta pelas Diretas Já, a reconstrução da UNE, o surgimento de novos atores sociais com pautas identitárias e a promulgação da Constituição Cidadã em 1988 foram marcas deste momento histórico.

 

Com todas as dificuldades presentes no decorrer destes anos, foram realizadas nove eleições livres para presidente da república, as instituições foram respeitadas e, quando necessário, tiveram reformas realizadas dentro do estado democrático de direito. Foram anos de prosperidade de um país soberano, criativo e com índices econômicos e sociais em evolução. A importância geopolítica foi acentuada e a nação foi alçada à condição de uma das mais felizes do planeta, segundo pesquisas realizadas por instituições internacionais.

 

No início deste século, o Brasil viveu seu melhor momento histórico, com crescimento econômico sustentável, taxas de desemprego entre as menores do mundo, inflação controlada, redução drástica da fome e da pobreza, fenômenos sociais considerados estruturais, mas que, com a decisão política para enfrentar esta anomia, foi possível retirar o país do mapa da fome e colocá-lo entre as nações mais promissoras.

 

Com a afirmação dos direitos, se estabeleceram ações governamentais promotoras de oportunidades e desenvolvimento, como a efetivação do SUS, o direito à moradia com o Minha Casa Minha Vida, o ENEM que tem transformado filhos e filhas de pedreiros e empregas domésticas em doutores e doutoras, entre outras políticas públicas que mudaram o quadro anterior executado pelos neoliberais, com a exclusão de dois terços da população dos direitos básicos.

 

Nos anos seguintes, convivemos com a interferência americana, aliada ao golpismo articulado com parte da mídia, do judiciário, dos proprietários de grandes fortunas e dos partidos da direita e da extrema-direita, inclusive com um golpe contra a primeira mulher eleita à presidência da república, com a falsa alegação de que ela teria cometido pedaladas fiscais para financiar os programas sociais destinados à população humilde. Para completar o golpismo, prenderam sem provas o então líder nas pesquisas para possibilitar a eleição de um representante dos banqueiros, latifundiários, pastores mercenários e anticristos, rentistas superricos e uma classe média medíocre, submissa e com espírito de vira-lata.

 

Foram quatro anos de entreguismo, de declaração de amor aos EUA, de perseguição às mulheres, aos negros, às populações indígenas, às universidades, aos artistas e aos trabalhadores em geral. Foram desconstruídos e descontinuados todos os programas sociais implementados desde 2003. Assistimos o país retroceder seus índices sociais e econômicos, a fome retornar em grande escala, o aumento da violência provocado pela liberação do uso de armas de fogo, o crescimento do feminicídio, a intolerância religiosa, o aumento do desemprego, da inflação e a perda de prestígio internacional, com o Brasil virando uma lepra mundial como um berço do neofascismo.

 

Com a retomada da democracia nas últimas eleições, O Brasil assistiu a tentativa fracassada de um novo golpe promovido pelos derrotados nas urnas, culminando com o dia 8 de janeiro de 2023. A comunidade internacional, as instituições democráticas, a sociedade organizada, a mídia livre, alguns partidos de centro, os evangélicos sensatos, a classe média trabalhadora, enfim, todo o campo democrático e progressista sufocaram o movimento golpista, prenderam os vândalos e a justiça julgou e condenou os criminosos dentro do devido processo legal de direito.

 

Iniciamos agora uma nova disputa eleitoral, passados pouco mais de 3 anos de um projeto de governo voltado para a união nacional, com o fortalecimento do diálogo com as instituições e com a sociedade, bem como para a reconstrução dos programas sociais abandonados pela gestão anterior, mas que agora voltaram a ter resultados efetivos nas esferas econômicas, sociais, ambientais e culturais.

 

O Brasil voltou por cima, com a menor taxa de desemprego da história, inflação controlada, PIB crescente, com a fome mais uma vez reduzida a níveis aceitos internacionalmente, novos programas sociais impactando positivamente na qualidade de vida da população, como, por exemplo, os programas Pé de Meia e Mais Especialidades, que estão melhorando os desempenhos da educação e da saúde em todo país.

 

Por isso, conclamo aos cidadãos brasileiros e baianos para uma breve reflexão e solicito o voto na democracia, o voto na soberania nacional, no respeito às instituições reguladoras do Estado de Direito, na diversidade de opiniões, na tolerância religiosa, no cuidado com as pessoas, na equidade das políticas públicas, no planejamento para o desenvolvimento, na gestão eficiente, integrada e humanizada, na verdade da liberdade de expressão.

 

O voto não é neutro, ele expressa o ponto de vista que temos do mundo, da civilização e da paz que buscamos, por isso entendo que as políticas públicas devem ser politizadas. A população tem o direito de saber o que pensam e quais as propostas de cada campo político, sem firulas e fake news. Em outubro, o voto é pelo futuro próspero para os nossos jovens, mas também pela liberdade de quem já viveu em uma ditadura e sabe a dor de ser o que é neste regime, não desejando envelhecer sob a tutela do obscurantismo. É o voto na democracia.

 

*Edson Neves Valadares é dirigente da Federação Nacional do Sociólogos do Brasil 

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias