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A luta das mulheres é a luta pela própria humanidade

Por Alice Portugal

A luta das mulheres é a luta pela própria humanidade
Foto: Divulgação

Somos a maioria da população do planeta. Somos as matrizes da humanidade. Ainda assim, a história foi construída sobre profundas desigualdades. Não nascemos submissas. A desigualdade entre homens e mulheres não é um fato biológico. É uma construção histórica. Quando surgiram a propriedade privada e a lógica da concentração de riquezas, consolidou-se uma estrutura que confinou as mulheres ao espaço doméstico e ao cuidado, afastando-nos das decisões políticas e da partilha do fruto do nosso próprio trabalho.

 

A partir dali, atravessamos séculos de exclusão. Fomos silenciadas na política, invisibilizadas na ciência, exploradas no trabalho e submetidas a violências que muitas vezes foram naturalizadas pela própria sociedade.

 

Essa estrutura histórica não ficou no passado. Ela se atualiza. A desigualdade salarial persiste. A sub-representação feminina na política é evidente. O Brasil ocupa a 133ª posição entre 190 países em participação de mulheres no Parlamento. Seguimos lutando por espaço, reconhecimento e autonomia.

 

E essa mesma lógica de dominação se expressa da forma mais brutal na violência de gênero. O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídio. São quatro mulheres assassinadas por dia. Em 2025, registramos 1.518 feminicídios, o maior número desde o início da série histórica. A maioria das vítimas é de mulheres negras e jovens. A cada seis minutos, uma mulher é vítima de estupro no país.

 

Na Bahia, os números também são alarmantes. Estamos entre os estados com maiores registros absolutos de feminicídio. São vidas interrompidas por uma cultura que ainda insiste em tratar mulheres como propriedade.

 

É por compreender essa raiz estrutural que construí meu mandato em defesa das mulheres. Sou autora da lei que garante licença-maternidade para estudantes da pós-graduação. Fui relatora da Lei Mariana Ferrer, para proteger vítimas de crimes sexuais contra constrangimentos em julgamentos. Sou autora da lei que proíbe revista íntima de mulheres nos locais de trabalho e de um dos projetos que deram origem à Lei da Igualdade Salarial para iguais funções.

 

Ajudei a escrever a Lei Maria da Penha e atuei para consolidar a cota mínima de 30 por cento de mulheres nas listas partidárias. Criei o Prêmio Mulheres na Ciência Amélia Império Hamburger, porque sei que ocupar os espaços de produção de conhecimento também é enfrentar a desigualdade histórica.

 

Hoje, como presidenta da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, tenho como prioridade o enfrentamento ao feminicídio. Defendo orçamento adequado, fortalecimento da rede de proteção e políticas integradas de prevenção.

 

A violência contra a mulher não é um fenômeno isolado. É resultado de uma estrutura que precisa ser transformada.

 

Março é símbolo. Mas a luta é permanente. Defender a vida das mulheres é defender a própria humanidade.

 

*Alice Portugal é deputada federal pelo PCdoB

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias