Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Artigo

Artigo

O Bonfim como bússola: Fé, democracia e o destino do Brasil em 2026

Por Éden Valadares

O Bonfim como bússola: Fé, democracia e o destino do Brasil em 2026
Foto: Divulgação

A Colina Sagrada, neste janeiro de 2026, volta a ser o epicentro de uma liturgia que ultrapassa o sagrado e mergulha profundamente no tecido político da nação. A caminhada de oito quilômetros que separa a Igreja da Conceição da Praia do adro do Bonfim não é apenas uma demonstração de fé sincrética, mas o primeiro grande ato de afirmação democrática de um ano que definirá os rumos do nosso projeto de país. 

 

Há tempos venho denunciando que os algoritmos e a desinformação digital tentam aprisionar a cidadania em bolhas de isolamento, mas é no chão da Bahia, no suor do povo e no branco das vestes, que encontramos o antídoto na política do encontro, do olho no olho e da verdade das ruas.

 

O Senhor do Bonfim, para nós, é uma bússola. Em 2026, o Brasil se depara novamente com a encruzilhada entre a consolidação da reconstrução iniciada pelo governo Lula ou o retorno ao abismo do ódio. Por isso, a subida da Colina assume um caráter de termômetro da esperança. Enquanto o Vale do Silício tenta mapear nossos desejos através de métricas frias, a Lavagem do Bonfim nos oferece a métrica real, o termômetro social que nenhuma inteligência artificial é capaz de simular. É ali, entre o som dos atabaques e o hino que conclama paz e amizade, que a cidadania se reafirma contra as armas da manipulação.

 

A política, em sua essência mais nobre, é a arte de cuidar do destino comum. No Bonfim, esse cuidado se manifesta na unidade de um povo que se recusa a ser colônia digital. O sincretismo baiano é, por si só, um ato de resistência cultural e soberania, sendo a prova de que nossa identidade é mais forte que qualquer tentativa de fragmentação social imposta por redes estrangeiras. Ao lavarmos as escadarias, estamos simbolicamente lavando a alma da nossa democracia, protegendo o voto, esse exercício sagrado de liberdade, das impurezas da mentira e da predação algorítmica.

 

Neste ano eleitoral, o desafio colocado aos dirigentes, militantes e à sociedade brasileira é o de transpor a energia do Bonfim para as urnas. A defesa da independência nacional e da autodeterminação dos povos ganha corpo na força do Sul Global que a Bahia tão bem representa. Não permitiremos que o lucro das plataformas dite o ritmo do nosso futuro. Nossa soberania será defendida no campo das ideias, nas políticas públicas de inclusão e, sobretudo, na mobilização popular que hoje ocupa a praça para dizer que a democracia é o nosso porto seguro.

 

Ao amarrarmos nossas fitinhas no gradil da Colina, renovamos não apenas pedidos individuais, mas um compromisso coletivo com o Brasil. Que o Senhor do Bonfim nos dê a clareza para discernir a verdade em tempos de guerra híbrida e a coragem para enfrentar os gigantes tecnológicos que ameaçam nossa democracia. A cidadania do futuro, livre de armadilhas e amparada na justiça social, começa a ser escrita agora, no passo firme de quem ocupa a colina com a certeza de que a vontade popular é soberana. O Brasil que resiste e que constrói é o mesmo Brasil que hoje, com fé e pé no chão, reafirma que o nosso destino não pertence aos algoritmos, mas ao povo.

 

*Éden Valadares é secretário Nacional de Comunicação do PT

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias