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A luta por valorização: por que o piso salarial dos fisioterapeutas é urgente no Brasil

Por Silva Neto

A luta por valorização: por que o piso salarial dos fisioterapeutas é urgente no Brasil
Foto: Divulgação

No Brasil, apesar de serem profissionais essenciais para o sistema de saúde pública e privada, atuando na reabilitação de pacientes pós-Covid-19, em tratamento de sequelas de acidentes, na prevenção de incapacidades e no cuidado contínuo de pessoas com deficiência, fisioterapeutas ainda enfrentam uma realidade de remuneração defasada e ausência de piso salarial nacional consolidado.

 

Enquanto categorias como professores e enfermeiros já conquistaram pisos profissionais por lei, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais seguem sem garantia salarial homogênea em nível federal, o que tem impacto direto na carreira e na prestação de serviços à população.

 

Dados do mercado indicam que os salários desses profissionais variam, em média, entre cerca de R$ 3.000 e R$ 3.500 por mês, conforme levantamento recente de portais de remuneração, valores que muitas vezes mal superam o mínimo esperado para a complexidade da profissão, sobretudo no setor público ou em municípios menores. Mas há situações ainda piores.

 

A ausência de um piso nacional tem consequências diretas: muitos profissionais, especialmente no interior e em regiões mais pobres, chegam a ganhar menos do que o necessário para manter uma vida digna, em alguns casos próximos do salário mínimo, e acumulam múltiplos vínculos para garantir renda. Essa realidade contrasta com o papel estratégico que esses profissionais desempenham na promoção da saúde, recuperação funcional e bem-estar social.

 

Em Brasília, o projeto de lei que trata do piso nacional salarial avançou em 2025 fixando um valor de cerca de R$ R$ 4.800 mensais para jornada de 30 horas semanais. Mesmo assim, sua transformação em lei ainda não ocorreu, o que mantém o setor em situação de incerteza e reforça a necessidade de mobilização política e parlamentar.

 

Nesse contexto, a proposta de criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais na Assembleia Legislativa, que tenho defendido, representa um avanço significativo na agenda de valorização profissional. A iniciativa busca não apenas apoiar a aprovação do piso nacional, mas sobretudo trabalhar para implantar um piso estadual, capaz de proteger a remuneração desses profissionais em localidades onde os acordos coletivos ainda são frágeis ou inexistentes.

 

A criação de um piso estadual pode se tornar ainda mais relevante se considerada a realidade de municípios menores, nos quais a falta de piso estruturado influencia diretamente a oferta de serviços: profissionais acabam deslocando-se para capitais ou abandonando a carreira, o que prejudica diretamente o acesso da população a cuidados de saúde básicos e reabilitadores.

 

Além da pauta salarial, a Frente Parlamentar terá o papel importante de discutir condições de trabalho, jornada compatível com a complexidade técnica da profissão e incentivo à especialização, além de promover estudos e debates que possam auxiliar gestores públicos a dimensionar o impacto orçamentário e social da valorização desses trabalhadores.

 

Valorizar fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais não é apenas uma questão corporativa ou salarial. Trata-se de uma decisão estratégica de saúde pública, que impacta diretamente a qualidade do atendimento oferecido à população, a eficiência do SUS e a dignidade de profissionais que atuam na linha de frente do cuidado.

 

Garantir piso salarial justo, seja no âmbito nacional ou estadual, é reconhecer a importância desses trabalhadores e assegurar que continuem exercendo sua missão com condições adequadas. Essa é uma luta que precisa avançar agora, com diálogo, responsabilidade e compromisso com quem cuida das pessoas todos os dias. E será, para mim, no projeto de alcançar uma cadeira na Assembleia Legislativa, uma prioridade absoluta.

 

*Silva Neto é fisioterapeuta e ex-prefeito de Araci

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias