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VELHICE


Vânia Galvão     

A velhice é inexorável ou inevitável e só não a vivenciamos se morremos prematuramente. Apesar dessa verdade inconteste, nós, seres humanos, resistimos em reconhecer nossa entrada nesta fase final da vida. Talvez porque signifique a aproximação da morte, o certo é que, seja através de artifícios estéticos ou mesmo com o ingênuo ato de esconder a verdadeira idade, seguimos nos enganando acerca da nossa velhice.

Antes que vocês que estão lendo esse pequeno artigo se sintam ofendidos com o uso do substantivo “velhice”, devo dizer que este significa idade avançada, portanto nada que ofenda as pessoas que estão nesta condição, ou seja, as pessoas velhas ou também chamadas idosas.

Em algumas culturas o envelhecimento é um processo que traz consigo respeitabilidade e muitas vezes poder. No entanto, nas sociedades ocidentais como a nossa, o envelhecimento vem seguido de descrédito, de abandono e cada vez mais freqüentemente, de atos de violência contra as pessoas idosas.

Hoje, a violência contra a pessoa idosa é um fenômeno mundial considerado um problema de saúde pública. O mais grave e vergonhoso é que a maioria dos casos de violência ocorre no seio da família. É neste ambiente que deveria ser de acolhimento, que as pessoas idosas sofrem violências físicas, psicológicas, morais e principalmente patrimoniais.

As vítimas são preferencialmente mulheres idosas, por conta da desigualdade de gênero que permeia todas as gerações. Muitas dessas mulheres têm freqüentemente sofrido a violência patrimonial infligida por parentes que não raro mantém o controle sobre o recebimento de suas aposentadorias ou pensões.

As pessoas idosas são vistas em geral como um incômodo. Incomodamo-nos com as filas especiais em estabelecimentos bancários; ignoramos os assentos reservados nos ônibus; irritamos-nos com o andar lento do idoso à nossa frente e com seus esquecimentos; olhamos para idosos nos parques e fazemos chacota de sua solidão ou de sua alegria descabida. Olhamos, falamos, tecemos opinião e rimos acerca de uma realidade que parece tão distante de nossa juventude eterna.

Não nos enxergamos no futuro com rugas, cabelos brancos e andar trôpego. Até a última cirurgia plástica ou até o último creme anti-rugas, seguimos incólumes nos enganando dentro de um processo que beira a esquizofrenia, olhando escandalizados para aqueles que com a mesma idade, não podem se esconder atrás da última técnica de “prevenção” ao envelhecimento.

Envelhecemos por descuido, por falta de dinheiro, por falta de tempo, porque somos deprimidos, ou seja, há centenas de razões para explicar porque envelhecemos. Falta apenas a verdade, envelhecemos porque é natural e isto, pasmem, ocorre em todas as espécies. Desde as frondosas árvores até nosso cão de estimação, todos envelhecem, a não ser que uma fatalidade interrompa esse ciclo natural da existência dos seres vivos e isso, vamos combinar, não queremos.

*Vânia Galvão é 2ª Secretária da Câmara Municipal de Salvador