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Trilogia da Transição de Governos Municipais (Parte 1)*

Por Rodrigo Santos

Trilogia da Transição de Governos Municipais (Parte 1)*
Foto: Acervo pessoal

O momento é fabuloso! 

 

Seu grupo político está eufórico, a população vibrando com a sua mensagem, os adversários enfraquecidos e desorganizados. É a oportunidade ideal para você preparar, com tranquilidade, um salto monumental na sua trajetória política e pôr em prática tudo o que sonhou, planejou e prometeu para o seu povo.

 

Mas, este clímax entre você e as urnas pode criar uma armadilha de acomodação e, alguns políticos, sem sequer perceber, tendem a estender a “festa da vitória” por quatro anos, pagando com a própria reputação. 

 

Comemore efusivamente a sua vitória, pois você, sua equipe e seu povo merecem. Porém, depois da festa, não cometa o equívoco de continuar “em cima do palanque”, como se não tivesse a responsabilidade de fazer acontecer. Não há vitória que não venha acompanhada de grande responsabilidade. A verdadeira vitória se constrói depois do resultado das urnas!

 

Os meses de novembro e dezembro, antes do início formal do governo, são de uma importância crucial para o candidato eleito. Menos pelas transformações efetivas que você possa empreender, muito mais pela sua capacidade demonstrar melhoria e evolução.

 

Em política, “a versão é o próprio fato”, só que na perspectiva de quem a criou. Portanto, a verdade neste campo será sempre a percepção do público, sendo fundamental que o processo de comunicação seja extremamente bem gerido neste primeiro momento. 

 

Se o mandatário conseguir causar uma excelente impressão antes do início do mandato, com desdobramentos nos primeiros cem dias de sua atuação, chamará para si a marca de dinâmico, realizador e confiável. A tendência, nestes casos, é que a sua popularidade cresça e este fique muito menos vulnerável a qualquer desgaste. Ao contrário, se o passar uma imagem de lentidão, fragilidade e desorganização do seu grupo, os cem dias vão coincidir com o início da reorganização dos adversários, que tendem a ganhar força a cada gesto de hesitação da gestão. Recuperar o prestígio perdido é sempre muito mais difícil do que mantê-lo num bom nível.

 

Para maximizar os seus resultados, mesmo antes do governo começar, e colher os frutos deste momento, potencialmente positivo, o grupo que saiu vitorioso das urnas deve:

  • Escrever tudo o que disse! É preciso transformar promessas e palavras em projetos consistentes, com prazos e datas muito claros, bem como definir quem vai fazer e como será feito.
  • Fazer tudo o que escreveu! Cumprir as metas e executar todas as ações dentro dos prazos, além de garantir a efetividade do mandato, começará a criar uma cultura de seriedade e resultado, desde o início.
  • Comunicar tudo o que fez! Uma ação de qualidade média bem comunicada, terá mais efeito positivo do que várias ações de alta qualidade, das quais o público não tenha conhecimento. Demonstre na justa medida das suas realizações. 

 

Hora de GENTE, GESTÃO e GOVERNANÇA, em sintonia absoluta. Pois, ao contrário do dito popular que nos induz ao erro de que “o segredo é a alma do negócio”, na nova gestão pública: A ALMA É O SEGREDO DO NEGÓCIO!     

 

É preciso força máxima na largada!

 

* Este é o primeiro artigo de uma trilogia, que visa auxiliar gestores da área pública, vencedores nas eleições, a “descer do palanque” e adotar estratégias de um verdadeiro líder, para fazer a diferença em seu município.

 

*Rodrigo Santos é doutor em Política e Gestão da Educação; Mestre em Sustentabilidade e Desenvolvimento Humano; Mentor de Estadistas, Líderes Empresariais e Políticos, no Brasil e no exterior; Consultor, Escritor e Palestrante Internacional; Presidente do Grupo INGEPE e Diretor Científico do Instituto de Gestão Educação Política e Estratégia

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias