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A guerra do apocalipse

Por Ipojucã Cabral

A guerra do apocalipse
Foto: Acervo pessoal

Os olhos e tensões geopolíticas do mundo estão irremediavelmente voltados para a tensa região do Oriente Médio e o leste europeu. Dois conflitos, muitas nações envolvidas e o mundo no limiar de uma súbita elevação dos riscos de um confronto global. No pós II Grande Guerra, nem mesmo a conhecida crise Estados Unidos-Cuba-(ex) União Soviética, e os conflitos internacionais de grandes proporções que se seguiram, se comparam, do ponto de vista dos mais respeitáveis alertas de especialistas em táticas militares, ao que está diante dos nossos olhos aflitos.

 

Pedidos formais dos Estados Unidos para a Ucrânia aderir a Otan, a Organização do tratado do Atlântico Norte, somados as armadilhas da luta política em todo o mundo, especialmente com a polarização provocada por ideologias mais extremistas que colocam em confronto a barbárie contra a civilização, vem atingindo níveis alarmantes. Vale lembrar que a II Guerra foi consequência direta da ascensão do nazi-fascismo na Alemanha nos anos 20 e 30 do século passado.

 

Partindo diretamente do poderoso Klemlin, a doutrina nuclear russa a cada dia mais ameaçadora. Do lado do Ocidente, respostas dissuasivas com treinamentos que simulam possíveis confrontos nucleares.

 

O temor de uma terceira e devastadora guerra mundial partindo de uma dessas tensas zonas de conflito – ou mesmo das duas de alguma maneira umbilicalmente ligadas – parece-nos concreto e perigosamente crescente. Não apenas por mera coincidência, é nítido constatar que ambos os conflitos colocam poderosas forças nucleares em uma situação de confronto direto.

 

A invasão russa a Ucrânia, um país soberano, há dois anos, mantém as duas maiores potências bélicas do mundo, a Rússia do tsar Putin e os Estados Unidos e seus aliados da Otan em alerta máximo. Juntos, esses dois países possuem um arsenal de mais de 10 mil ogivas nucleares e bastam apenas algumas para destruir a vida na terra em fração de segundos. 

 

Outro ponto de elevada tensão, o Oriente Médio, coloca o planeta em alerta máximo de incerteza, com previsões sempre sombrias em razão das consequências de uma ampliação do conflito, no momento regional, para proporções globais. As ameaças se ampliam se incluirmos os testes militares da China na região de Taiwan. Sem exagero, até mesmo a crise que o ditador Maduro provoca na Venezuela pode, em algum momento, transformar a América do Sul em mais um foco de tensão mundial e de caos. Ao meu ver, a diplomacia brasileira erra – e muito – ao não repudiar com veemência o regime cruel e covarde de Maduro.

 

Einstein disse certa vez, nas suas meditações de gênio incomparável, que não saberia como será a terceira guerra mundial, mas que a quarta “será com paus e pedras”. Traduzindo: o físico alemão sentenciava que uma terceira guerra seria nuclear e nos levaria de volta às cavernas, ao menos o pouco que restar dos atuais cerca de 8 bilhões de pessoas. Na visão do ganhador do Nobel de Física de 1922, é assustador o que poderá ocorrer caso as nações não encontrem, em definitivo, os termos para uma paz duradoura e definitiva no mundo.

 

Algo, infelizmente, que nos parece ainda distante, como um sonho a nos livrar do apocalipse.

 

*Ipojucã Cabral é jornalista e consultor em comunicação

 

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias