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Oportunismo, doença infantil do esquerdismo: sobre a greve na UFBA

Por Herlon Miguel

Oportunismo, doença infantil do esquerdismo: sobre a greve na UFBA
Foto: Divulgação

O governo do PT proporciona um momento importante às mobilizações, organizações e à luta pela ampliação dos direitos. A história política recente do Brasil tem sido marcada por essa dinâmica, onde a sociedade civil se mobiliza em busca de avanços sociais.

 

Nesse contexto, a greve surge como um instrumento essencial da luta política. O capitalismo, com sua estrutura de exploração, fundamenta-se em leis que sustentam os privilégios das elites. Portanto, é crucial que os trabalhadores se organizem e recorram à greve para reivindicar seus direitos e enfrentar as injustiças sociais.

 

Comparando os governos, dados revelam disparidades significativas. No último ano da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, as universidades federais receberam apenas R$ 53,2 milhões em recursos, o menor valor desde 2013. Ao longo de seus quatro anos de mandato, o ex-mandatário inaugurou apenas uma universidade, o que contrasta com a política de expansão observada em governos anteriores. A redução de investimentos durante o governo Bolsonaro gerou uma precarização da pesquisa e do ensino nas universidades, com consequências prejudiciais para a educação no país.

 

No contexto das universidades, a mobilização durante os governos Bolsonaro foi limitada. Infelizmente, poucas iniciativas foram tomadas. Setores fundamentais da esquerda estavam apáticos. Agora, no terceiro governo Lula, estão se mobilizando o que é positivo, mas qual a tônica da mobilização do esquerdismo?

 

Atualmente, vivemos os primeiros anos do novo governo Lula, em um momento de desafios éticos e econômicos. As instituições enfrentam dificuldades para oferecer serviços de qualidade devido ao desmantelamento do Estado. Recentemente, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) recebeu um investimento significativo, 9 milhões de reais, para retomada da obra do campus, destacando sua importância na promoção da integração entre o Brasil e os países africanos de língua oficial portuguesa. Esse investimento, e um conjunto de outros que estão sendo feitos na educação, como por exemplo a construção de mais institutos federais, se relaciona com a importância histórica que os governos do PT dão a educação, que vão de ações pontuais até as mais estruturantes. Mesmo assim, reformar a educação é uma tarefa muito complexa dado ao tamanho do setor, demandas históricas acumuladas, expansão do conservadorismo no último governo federal, dentre outros problemas.

 

No caso da Unilab-Campus Malês, no primeiro momento, não foi aprovada a greve. Essa não aprovação teve dois pilares fundamentais: prejudicar a vida acadêmica dos estudantes, alguns que sofrem com todas as dificuldades culturais, econômicas e sociais para se manterem na Bahia, e a necessidade de manter os processos em curso que vão qualificar e melhorar esse campus que tanto sofreu no último governo, e, nesse sentido, atrasaria processos, obras e entregas. No segundo momento, a greve foi aprovada.

 

Talvez, os professores que são contra a greve, de fato, estejam colocando seus interesses individuais secundários, já que de fato, há uma defasagem salarial e ajustes fundamentais que precisam ser feitos às carreiras. No entanto, é de uma nobreza relevante esse sentimento de cuidado com o estudante e com o momento histórico do Brasil.

 

No caso da UFBA, e de acordo com a maioria que estava na assembleia de professores organizada pelo sindicato, instaurou-se a greve. Legitimamente, mas engendrada por sentimentos periféricos das disputas partidárias.

 

Participei de lutas fundamentais na UFBA, já que lá era o ponto focal da parte das lutas e mobilizações da universidade baiana. Das lutas que destacaria, lembro-me bem de dois momentos. O primeiro se referia à Reforma da Universidade, proposta por uma equipe muito qualificada (Tarso, Haddad, dentre outros). Essa política tinha um conjunto diversificado de ações, das quais queria lembrar do Programa Universidade Para Todos, o governo sugeria a transformação de impostos não pagos em vagas para pessoas pobres. No segundo momento, o REUNI, programa de reestruturação das universidades, hoje é responsável pela maior quantidade de vagas, cursos e, consequentemente, de pessoas negras na universidade.

 

Em ambos os momentos, o PSOL, principal setor da atual oposição à APLB na Bahia, foi contra, mobilizou-se e organizou um conjunto de iniciativas contra as ações que posteriormente mudaram positivamente a vida de milhares de jovens. Esse movimento deles (PSOL) fez com que, no calor da radicalização, vários professores sérios fossem iludidos. Na realidade, eles venceram um conjunto de eleições e tornaram-se força hegemônica em organismos importantes como a ANDES.

 

Esse mesmo setor foi um dos responsáveis, com suas pautas sectárias e disputas erradas, por todos os movimentos que, juntamente com a direita, fortaleceram o “Fora Dilma”.

 

Em todos os casos, a comunidade acadêmica percebeu, após o funcionamento das políticas e efetivação das ações, que as iniciativas propostas pelos governos do PT eram boas e mudaram a cara da universidade. Mais que isso, percebeu-se que as posições do PSOL, em detrimento do que é bom para o povo brasileiro, sobretudo nas ações do ativismo sindical, têm como base de suas narrativas organizar argumentos oportunistas para disputarem aparelhos como DCEs e sindicatos. Infelizmente, no calor das emoções e voltados por seus interesses individuais, muita gente séria “vai na onda” e acaba, ali na frente, percebendo que se tratava, meramente, de uma disputa partidária. Após aqueles primeiros anos do governo Lula, a esquerda propositiva e unificada venceu vários DCEs e sindicatos importantes.

 

É importante ressaltar que a APUB esteve presente em todas as lutas importantes do último período, demonstrando seu compromisso histórico com a defesa dos direitos e interesses dos professores e da educação pública como um todo. As pessoas que estão à frente do sindicato são ativistas com presenças em lutas na Bahia e no Brasil em defesa da educação.

 

É essencial que a sociedade civil se mobilize e pressione o governo em busca de investimentos adequados e políticas educacionais que promovam a inclusão e a excelência acadêmica. No entanto, é fundamental olharmos com uma lupa sobre que interesses estão envolvidos em cada uma das disputas políticas.

 

É fundamental identificar dois aspectos. O primeiro é que o PSOL da Bahia tem muita gente séria, essa opinião aqui não é sobre o partido como um todo, mas sobre uma prática antiga e cotidiana, sobretudo na UFBA, de fazer com que a disputa política/partidária sobreponha o interesse da comunidade acadêmica.

 

Hoje, a disputa de narrativas, feita sobretudo nas redes, por ativistas do PSOL tem como meta o desmantelamento e enfraquecimento da APUB, organismo que representa os professores de instituições públicas federais do Estado. Apenas isso!

 

Há uma tentativa oportunista de tomar poderes do sindicato, o grupo almeja enfraquecer a liderança da APUB, revela-se como uma ação que, ao invés de diminuir a representatividade sindical, mina a coesão e a eficácia da organização. Esta abordagem dissidente, ao invés de promover a unidade e a defesa dos interesses dos docentes, fragmenta a voz coletiva dos professores, enfraquecendo assim sua capacidade de negociar e defender seus direitos, o que prejudica todo mundo para ações futuras.

 

É importante dizer que o PSOL é um partido importante para a democracia brasileira. Foi fundamental na luta pela manutenção da democracia. Mas já fazem alguns anos que a militância do partido, especificamente na Bahia, está na contramão da unidade política, fundamental à esquerda brasileira. Destacaria ativistas baianos como a Vereadora Laína, Fabio Nogueira, Kleber Rosa, dentre várias outras pessoas.

A educação é um dos pilares fundamentais para a transformação social e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Portanto, é dever de todos nós, enquanto cidadãos e membros da comunidade acadêmica, defendermos uma educação pública de qualidade, que atenda às necessidades da população e promova o desenvolvimento humano e social. A greve é um direito do trabalhador e deve ser exercida plenamente.

 

No entanto, após o enfraquecimento das entidades, o que sobra? Quem alcança êxito? E finalmente, professor/estudante, não seja manipulado. Fortalecer o sindicato é fortalecer a vocês mesmos.

 

Avante, professores. Avante, APUB.

 

*Herlon Miguel é bacharel em administração, produtor cultural e mestrando em gestão de tecnologia aplicada à educação pela Universidade do Estado da Bahia. Foi diretor da União Nacional dos Estudantes

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias