CONTESTE!

Ruy Santos Bisneto
Após reflexão, análise e muita paciência pude perceber a grande quantidade de “Donos da Verdade” que encontramos no simples ato de ligar um aparelho de som. Muito me preocupa a falta de compromisso apresentada por esses falsos “comunicadores”. Em uma oportunidade, já faz muito tempo, é verdade, escutei um grande amigo, Odilardo Bahia, afirmar que o Rádio é o grande veículo de comunicação de massa. É impressionante o poder de alcance que as transmissões de rádio podem obter. Conseguem atingir um número imenso de ouvintes, nos lugares mais distantes, em pouco tempo. Em decorrência desse tipo de alcance obtido pelas rádios, seus comunicadores deveriam ter, no mínimo, um pouco de respeito e compromisso com o povo. Deveriam ter, também, a consciência de que são formadores de opinião. O que falta é a vontade de colocar esse compromisso em prática.
Esses “comunicadores” prejudicam a grande maioria dos ouvintes de rádio, o “povão”, pessoas simples, de bom caráter que, infelizmente, por uma série de fatores, acabam sendo influenciadas e manipuladas por esse tipo de gente irresponsável. Mas vamos voltar ao tema principal, real objetivo pelo qual escrevo esse texto.
Percebo que alguns “comunicadores” de hoje em dia não possuem o mínimo de cautela e comprometimento ao colocar uma noticia no ar. Simplesmente “soltam a bomba e abrem os microfones” para o povo opinar. Logicamente, só dão oportunidade para os comentários, depois que direcionam o seu público alvo para a vertente que desejam atingir, construir ou até mesmo, derrubar.
Confesso a vocês, que é de dar nojo ligar o rádio do carro, logo pela manhã, no momento em que estou a caminho do trabalho, e sintonizar uma estação para ouvir as manchetes dos jornais. Fico perplexo com a série de absurdos comentados. Quando não são absurdos que me rasgam os tímpanos, é a falta de compromisso com a língua portuguesa. São incongruências e ausência de concordância, dentre tantas outras.
Na maioria das rádios comunitárias, por exemplo, podemos encontrar um serviço prestado sem interesses particulares. De acordo com informações do Ministério das Comunicações, o serviço de Radiodifusão Comunitária, criado pela Lei 9.612, de 1998, regulamentada pelo Decreto 2.615 do mesmo ano, só pode ser explorado por associações e fundações comunitárias sem fins lucrativos e com sede na localidade da prestação de serviço. As transmissões ocorrem sem qualquer tipo de censura, com programação pluralista, abertas à expressão dos habitantes da região.
Nestas rádios, observo o princípio da imparcialidade e participação efetiva dos moradores da própria comunidade, que dedicam seu tempo em prol da coletividade, prestando um serviço de informação pública, gratuita e que tem na sua essência o único e simples objetivo de COMUNICAR. Esses sim, verdadeiros comunicadores.
Ao contrário desses, cada vez mais, os “comunicadores” vão construindo seus impérios e igrejinhas, ao mesmo tempo em que podem arruinar com a vida de um pai de família que ao longo do tempo construiu seu patrimônio sob muito suor e labuta. A possível saída para acabarmos com o típico comportamento desses “comunicadores” do século XXI é a contestação.
Pode parecer uma dicotomia, mas somente ouvindo e participando dos seus “Gloriosos” programas poderemos “entrar no ar” para rebater os absurdos apontados por eles e tentarmos fazer a nossa parte perante a sociedade, mostrando o que é RESPEITO com o povo. Por isso, meu povo, seja você um bom comunicador e conteste!
* Ruy Santos Bisneto é advogado com passagens pela Desenbahia, Defensoria Pública, Ebal. Na última eleição municipal disputou vaga na Câmara Municipal de Salvador pelo PSDB e obteve 3.014 votos. [email protected]