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Carreiras UniFTC: Reconhecimento Facial na Era Digital - um olhar sobre a privacidade

Por Luiz Henrique Requião

Carreiras UniFTC: Reconhecimento Facial na Era Digital - um olhar sobre a privacidade
Foto: Arquivo Pessoal

 

O avanço da tecnologia trouxe consigo o advento do reconhecimento facial, uma inovação que está revolucionando a forma como interagimos com o mundo digital. Porém, essa nova realidade também suscita preocupações legítimas sobre a privacidade e o uso ético dos dados pessoais.

 

No âmbito da segurança pública, o reconhecimento facial tem sido utilizado para identificar suspeitos e auxiliar investigações criminais. A tecnologia permite comparar as características faciais de uma pessoa com um banco de dados de imagens, possibilitando a rápida identificação de criminosos procurados. Essa aplicação tem potencial para agilizar processos de investigação, mas também exige cuidado para evitar abusos e garantir a proteção dos direitos individuais.

 

Além disso, o reconhecimento facial tem sido utilizado para prevenir fraudes em diversos contextos jurídicos. Por exemplo, em transações financeiras, o uso dessa tecnologia pode ajudar a confirmar a identidade do usuário, protegendo-o contra roubo de identidade e transações fraudulentas. No entanto, é necessário estabelecer salvaguardas adequadas para evitar o uso indevido dos dados coletados e garantir a transparência na sua utilização.

 

No entanto, a utilização do reconhecimento facial no campo jurídico também levanta um conflito entre a segurança pública e a proteção da privacidade individual. Um dos principais pontos de preocupação é a possibilidade de abuso dos dados coletados. O acesso indiscriminado a informações pessoais pode levar à vigilância em massa e à perda da privacidade individual. Além disso, existem riscos de viés racial e discriminação, uma vez que os algoritmos podem ser tendenciosos e cometer erros ao identificar pessoas de diferentes grupos étnicos.

 

A título de exemplo, em um sistema de automação, a máquina responderá de acordo com os dados que lhe são alimentados e os comandos pré-estabelecidos pelo seu programador. É o caso da cidade de Ferguson, no estado do Missouri, Estados Unidos. Apesar dos afro-americanos corresponderem à 67% da população do município, 85% das paradas de trânsito efetuadas pela polícia de Ferguson se procederam - propositalmente - sobre cidadãos negros, e 91% dessas paradas resultaram em algum tipo de citação. Quando o sistema físico é racista, o digital há de refletir e seguir o mesmo caminho.

 

Diante desses desafios, é essencial que as leis existentes sejam atualizadas para acompanhar o avanço rápido do reconhecimento facial. Regulamentações claras e diretrizes éticas são necessárias para garantir o uso responsável e transparente dessa tecnologia, equilibrando a segurança pública com a proteção da privacidade individual.

 

*Luiz Henrique Requião é mestrando em Estudos Jurídicos Avançados pela Universidad Europea del Atlántico e especialista em Ciências Criminais. É também presidente da Comissão do Tribunal do Júri da Associação Nacional dos Advogados Criminais (ANACRIM-BA) e coordenador do curso de Direito da UniFTC Salvador.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias.