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Maternidade, trabalho e flexibilidade para escolher o melhor para a família

Por Alessandra Tostes

Maternidade, trabalho e flexibilidade para escolher o melhor para a família
Foto: Divulgação

A maternidade é uma transformação muito profunda na vida de uma mulher. Traz mudanças e adaptações em diversos aspectos da vida, incluindo a carreira. E as empresas têm um papel fundamental nesse momento, pois precisam garantir que as mães sejam acolhidas em suas necessidades e possam conciliar o trabalho com as demandas da família, dentro de um ambiente humanizado e de escuta ativa. Com apoio e flexibilidade cada família consegue encontrar a dinâmica e a rotina que melhor funcionam para seus filhos.

 

Um exemplo disso é a minha própria história. Sou engenheira química e moro, junto com meu marido e meus dois filhos, Rafael e Michel, em Salvador, na Bahia. Porém, há cerca de seis meses, assumi o cargo de líder da unidade da Bayer em Petrolina (PE) e passei a dividir minha semana entre duas cidades. De segunda a quinta-feira, fico baseada em Petrolina. De sexta a domingo, em Salvador. Não foi uma decisão fácil, é claro. Entretanto, graças à possibilidade de viver uma cultura flexível na empresa onde trabalho, pude optar por garantir o círculo de amizades e a rotina dos meus filhos.

 

Já nos mudamos algumas vezes por conta do trabalho, então estamos acostumados com essa vida mais agitada, mas percebemos que agora o melhor para as crianças seria permanecer em Salvador, com estabilidade para meus filhos, onde eles continuariam com sua escola, seu círculo de amizades, nossa rede de apoio, convívio com familiares e uma rotina já estabelecida desde 2018. Além disso, a tecnologia ajuda bastante, pois nos falamos todos os dias.

 

E essa, definitivamente, não foi a única grande transformação pela qual minha família já passou. Desde a gestação do meu primeiro filho, eu e meu marido já pensávamos na possibilidade de ter um segundo filho. Conforme o Rafael foi crescendo, ele também começou a pedir um irmãozinho. Porém, eu não tinha o desejo de passar por uma nova gravidez. E foi então que decidimos adotar uma criança e iniciamos o processo. O Rafael participou de todas as etapas, que, apesar de longas e burocráticas, foram essenciais para compreendermos a necessidade e a importância desse passo.

 

Minha família realiza trabalho voluntário em algumas instituições e, em um desses momentos, conhecemos o Michel. Era época de Natal, então levamos brinquedos para um abrigo, fizemos cachorro-quente para as crianças e vi a aproximação do Rafael com o Michel, que tinham idades próximas. Chegou um momento em que o Rafael nos questionou: “Por que ele não pode ser meu irmão?”. Na época, tinha 9 anos, e eu e meu marido abraçamos a ideia.

 

Foi difícil porque isso ocorreu logo no início da pandemia, um momento de limitações e reclusões. O Michel estava finalizando o processo de adoção com outra família, mas acabou não dando certo com eles. E foi então que, em julho de 2020, depois de quatro meses de pandemia, recebemos a tão esperada ligação do abrigo. Hoje, Michel já está há três anos conosco.

 

Esta é uma situação particular e que serve como exemplo para lembrar que cada um deve saber o que funciona melhor para a sua família. Em meio à adaptação do Michel, ao acompanhamento escolar e à rede de amigos dos meus dois filhos, decidimos manter a casa em Salvador. Mas e seu meus filhos fossem pequenos? E se a empresa não fosse aberta ao diálogo? Essa escolha de ficar só foi possível graças a dois pontos fundamentais: uma cultura flexível no meu trabalho e a coragem de optar pelo melhor caminho para mim e para quem eu amo.

 

A maternidade é carregada de escolhas, culpa e julgamentos alheios, principalmente para mulheres que também amam suas carreiras. Mas não devemos levar tão a sério o que os outros pensam em relação ao equilíbrio entre maternidade e trabalho. Cada mãe deve ter apoio para encontrar o melhor para si e para a sua família.

 

*Alessandra Tostes é engenheira química e líder da unidade da multinacional Bayer em Petrolina (PE)

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias