VESTIMENTA: "O HÁBITO FAZ O MONGE"

Edvalda Bomfim
Assim como as palavras, a postura e o traje são sinais reveladores da personalidade de uma pessoa. No que se refere ao traje, embora cada pessoa, independente da moda, se aproprie da vestimenta e dos acessórios para criar o seu estilo próprio, a percepção e o cuidado deve nortear o senso de escolha desse conjunto para que este deva estar sempre em sintonia com cada contexto. Pessoas que se apresentam com a roupa certa em eventos sociais e atividades profissionais têm melhor performance, impõem respeito e transmitem uma imagem positiva. Estilo e imagem são poderosas ferramentas de comunicação não verbal e exercem grande influência na maneira como a pessoa é percebida.
Uma imagem pessoal bem posicionada é aquela que leva em consideração o ambiente em que a pessoa se insere e o que ela realmente quer ou precisa transmitir com a sua expressividade intelectual e visual. A linguagem da roupa - o grau de casualidade ou formalidade em relação a situação, o lugar, o horário e os interlocutores é determinante neste processo. Para tanto, as denominações dos trajes existem e elas não são aleatórias, se interpretadas corretamente, facilitam a vida das pessoas nos seus convívios com os mais diversos públicos e ajudam a impedir que algumas ocasiões festivas se tranformem em verdadeiros dilemas.
A maioria dos convites para eventos, já trazem impressos a exigência do traje, o dress code, para que o convidado se situe na escolha da roupa, evitando o constrangimento de estar arrumado demais ou de menos para cada circunstância. São cinco os códigos dos trajes determinados pela etiqueta que, em síntese, podem ser interpretados da seguinte forma:
O traje esporte – é um visual descontraído, embora sem exageros; não vale aqui a bermuda, a camiseta com piadas e o chinelo. O fato de o convite ser impresso e estar especificado o traje já exige um certo cuidado. Para ele, uma boa calça de tecido ou até mesmo jeans com uma camisa de gola polo ou de mangas compridas e um mocassim ou um dockside, está de bom tom. O tenis só deve ser usado quando constar uma atividade esportiva no local. Para ela, recomendá-se a calça comprida, saia e blusa, ou mesmo um vestido estampado de tecido mais rústico. Sapatos de saltos baixos para médios e bolsa em tamanho médio para grande.
O traje passeio – também é conhecido como "esporte fino". Aqui o grau é um pouco acima do anterior, muito embora para ele ainda não seja obrigatório o uso da gravata. O blazer fica muito bem. O jeans tanto para homens como mulheres deve ser substituído por outro tecido. Para ela o salto vai subindo um pouco, a bolsa diminuindo e o vestido vai ficando mais caprichado, com complementos menos chamativos, considerando que este tipo de traje é exigido para eventos a luz do dia, tenue de ville, segundo os franceses.
O traje passeio completo – atualmente a denominação de "traje social" para esta categoria vem sendo muito utilizada. Para ele é o terno e gravata. Recomendá-se ternos claros para o dia e escuros para a noite (marron não é considerada uma cor escura para ternos). Para ela, tecidos mais nobres como as sedas, os bordados, as musselinas, vestido abaixo dos joelhos, tailleur, enfim peças que projetem um pouco de formalidade, considerando que os convites nesta categoria são na maioria das vezes para abertura de congressos, encontros empresariais e políticos, posses de cargos importantes, solenidades em academias de letra, visitas de chefes de Estado, jantares, óperas, enfim, ocasiões nas quais o fashion ou o moderninho, com certeza vai destoar do ambiente.
O traje a rigor ou black-tie – se no convite estiver escrito " habillée" leia-se black-tie. Aqui, sem medo de errar, é o smoking com gravata borboleta preta, para ele. Para ela, os modelos são mais elaborados com mais brilhos e decotes, podendo ser um longo mas não necessariamente. Sapatos com saltos altos e carteira de tecido ou metalizada. Observa-se que a bolsa vai diminuindo de tamanho e à altura do salto aumentando na medida em o traje vai ficando mais elaborado.
Por fim, o traje das grandes festas. Recentemente, o presidente Barack Obama e a primeira-dama Michelle, apresentaram-se nos Bailes Inaugurais, que assinalaram e celebraram a sua Tomada de Posse como Presidente dos Estados Unidos da América, em traje de gala. Ele de smoking com gravata borboleta branca e ela com um longo vestido; traje de baile mesmo, sempre abaixo dos tornozelos. A casaca é também um traje de gala de cerimonia noturna; ocasionalmente é exigida para jantares com chefes de Estado e em outras cerimonias protocolares do mais alto grau de formalidade. Já o fraque é o equivalente à casaca mas o seu uso está limitado a eventos que tenham lugar durante o dia. Para outras ocasiões formais, o smoking é perfeitamente aceitável.
Ano a ano os eventos diversificam-se , aumentam em número, sofisticação tecnológica, conteúdos e vem sendo utilizados estrategicamente pelas organizações tanto públicas como privadas como uma excelente ferramenta de compartilhamento de mensagens com o seu público alvo. Para aquelas pessoas que desejam cultivar relações e aumentar o seu networking, os eventos são também, ótimas oportunidades. Contudo, do mais solene ato a uma refeição de negócios, é importante o convidado não perder de vista que a elegância é o que o distingue numa festa ou evento, mas não pela exuberância e sim pela discrição e pela harmonia e coerência visível na sua aparência e no seu compartamento. Na dinâmica atual da vida social e de trabalho, vestir, falar e agir adequadamente são competências que não podem faltar em um perfil profissional.
*Edvalda Bomfim é graduada em História, pós-graduada em Administração e Organização de Eventos Públicos e Privados e em Educação a Distância. Membro do Conselho Nacional de Cerimonial Público e da Associação Portuguesa de Estudos do Protocolo.
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