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ECONOMIA EM QUEDA LIVRE. NÃO HÁ SAÍDA PRIVADA


José Carlos Aleluia

O mundo está diante de sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial e os seus reflexos no Brasil não são uma "marola". Não adianta se mover como fazem os peixes, ao serem colocados na areia - movimentos equivocados podem agravar o sofrimento. Estamos em uma trajetória descendente, sincronizada com o movimento que se iniciou nos Estados Unidos da América, alastrou-se pela Europa e contaminou todo o mundo inclusive China, Japão e Índia.

O Fundo Monetário Internacional em sucessivas projeções tem, de forma otimista, com lhe convém, anunciado em doses homeopáticas uma grave recessão mundial, que infelizmente não está livre do risco de evoluir para uma depressão prolongada. No último World Economic Outlook, o FMI antecipa retrações da atividade econômica de 1,5% nos Estados Unidos, 2% no Reino Unido, 2,5% no Japão. O Brasil, que, na edição anterior, apontava um crescimento da ordem de 3,5%, passou para uma previsão de 1,8%.

Durante todo o período de aceleração da economia mundial estivemos sempre atrás da Índia e da China, que tiveram as suas previsões de crescimento reduzidas, respectivamente, para 6,9% e 9,3%. Agora, se a queda livre internacional tiver sequência, seremos os primeiros a molhar os pés na retração anual da economia. Com uma estimativa de expansão da economia mundial de 0,5% podemos dizer que o mundo está praticamente parado e que a pobreza per capita está avançando.

Pode-se afirmar que o mundo está ficando pior e que as promessas de estadistas, como Barack Obama, podem se render, no campo do comércio internacional, ao dito popular "farinha pouca o meu pirão primeiro". A história está cheia de registros de que os períodos de retração da economia, além de promoverem uma queda nos níveis de qualidade de vida da maioria dos cidadãos, limita o surgimento de oportunidades, a tolerância, a mobilidade social, a integração das comunidades e até mesmo fragiliza as democracias.

A crise é de todos os países, de todos os cidadãos. Estamos no mesmo barco e não há saída de emergência privativa para o nacionalismo isolacionista pregada pelos ingênuos latinos bolivarianos. A tentativa do governo Lula de impor restrições burocráticas às importações; os maus-tratos de brasileiros no Aeroporto de Madri; e a cláusula do plano de recuperação de Obama, que aumenta o protecionismo, são todas medidas de soma negativa para o alívio da crise.

A Organização Internacional do Trabalho e as Nações Unidas, nos seus piores cenários, que ainda podem ser deteriorados, já mencionam a possibilidade de 50 milhões de novos desempregados, mesmos desconhecendo as estatísticas da China. No Brasil, o governo do presidente Lula, embora tenha mudado o discurso da "marolinha" para o de que "a crise é do além", ainda não foi capaz de apresentar à Nação um plano articulado para o enfrentamento da crise.

Vamos remar juntos e de forma sincronizada para estarmos à altura do desafio que pela primeira vez a conjuntura internacional impõe ao Brasil na era Lula.

Deixemos o palanque para 2010.


* José Carlos Aleluia é deputado federal pelo DEM da Bahia, presidente da Fundação Liberdade e Cidadania e vice-presidente Nacional do Partido Democratas.