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Pelo direito de sonhar

Por Carolina Barreto

Pelo direito de sonhar
Foto: Divulgação

Parece surreal falar de sonhos frente a uma realidade endurecida por experiências sociais excludentes e desumanizadoras? Com certeza, um grande desafio, mas sobremaneira "castelador", como dizem os jovens quando consideram algo construtivo. 

 

Buscamos experimentar, na convivência com jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, o quanto a ausência da projeção dos sonhos na nossa vida nos leva à ausência de nós na nossa própria existência e apesar de parecer um processo de autoajuda desconectado da realidade, não tem nada disso. As intervenções necessárias para que façamos um mundo melhor estão carregadas de crítica social, incentivo ao desenvolvimento da consciência política e do fortalecimento da identidade, pressupostos compreendidos como combustíveis para projetos e sujeitos políticos "conscientes".

 

Perceber os obstáculos e vivê-los é um processo desafiador, principalmente frente aos níveis dramáticos de desigualdade social reais no nosso país, mas é o despertar dos sonhos e a capacidade de projetá-los em companhia, reconhecendo as redes de apoio concretas, que tem nos permitido apoiar juventudes a entrar no jogo social chutando portas em espaços antes negados, com a dignidade e reconhecimento de suas potencialidades. Seja no emprego formal ou no empreendedorismo, não pode faltar identidade, consciência e sonhos. 

 

Os sonhos e o amor são práticas e instrumentos políticos de transformação porque, parafraseando EMICIDA, se "tudo que nós têm é nós", o que nos resta é lançar mão dos instrumentos que não precisamos pagar e que não podem nos tirar. 

 

Quais as rachaduras você identifica em si e quais as flores elas vêm deixando em sua travessia. Na medida que deixam cair, o que as rachaduras não suportam conter?

 

Em meio à identificação das rachaduras que nos colocam nesse mundo como seres imperfeitos e incompletos, entendemos o poder da pergunta, da experiência e da abertura para o novo, independente do ponto de partida.

 

Os sonhos não são abstrações de uma realidade não existente, mas um instrumento poderoso de começar a fazer hoje o que se deseja que aconteça amanhã com os recursos que se tem agora.

 

*Carolina Barreto é assistente Social, pesquisadora em Educação e Metodologias, especialista em Gestão e Elaboração de Projetos Sociais, educadora e diretora vice-presidente da Pontos Diversos

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias