Leviandade contra o Maluco Beleza
Depois da pandemia, vem a guerra. A gente aprendeu que depois da tempestade, vinha a bonança. Os tempos mudaram. Como diria Raulzito, “os donos do mundo piraram”. A canção “As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor” vem a calhar neste sombrio momento do planeta, quando os russos invadem a Ucrânia e os chineses ensaiam fazer a mesma coisa em Taiwan.
Já se vão mais de 30 anos da morte do Maluco Beleza e ainda ressoa o seu legado musical. Mas tem despeitado que a pretensão musical ficou só na vontade e, frustrado, covardemente tenta deslustrar a obra e atacar o homem Raul Santos Seixas.
“Eu não nasci pra trabalho”, o sujeito canta no pastiche soul “Vamos Dançar”, que junto com “Manoel”, não me lembro de outras, foram as únicas canções deste sobrinho de Tim Maia que tocaram no rádio. André Midani, na época dirigindo a Warner, imaginou que estava lançando o herdeiro musical do grande Tim. Ledo engano. Nunca chegou ao chulé do tio.
No entanto, o gordinho arrogante foi sincero quando diz na música que não nasceu pra trabalho. Realmente ele não se deu ao mínimo trabalho de conhecer um pouco da vida de Raul. Acusá-lo de ter “falha de caráter terrível” por ter sido funcionário de uma gravadora e, o pior, de ter trabalhado contra os colegas é de uma leviandade do tamanho da circunferência abdominal do próprio, imensa.
Não são poucos os depoimentos disponíveis, em entrevistas e livros, de artistas que trabalharam com Raul, quando ele foi produtor da CBS no início dos anos 1970. É unânime os elogios deles ao baiano, que, antes de ocupar aquela função, tivera uma banda de grande sucesso em Salvador e gravara até um disco na Odeon: Raulzito e Os Panteras.
Depois da passagem pela CBS, como produtor, Raulzito vira Raul Seixas e deixa a digital dele no planeta com vários discos gravados, sendo celebrado até hoje por uma legião de fãs.
O gordinho preferiu certamente se apegar a uma versão da história contada por Paulo Coelho, que descreve Raul, no primeiro encontro deles, como um caretão, trajando terno e gravata e portando uma pastinha.
Mas, justiça seja feita, o Mago não faz nenhuma menção a qualquer deslize de caráter do Maluco Beleza, apenas aponta o contraste entre os dois: um hippie e um executivo de gravadora.
Sufocado pelo ostracismo, o sobrinho que não chega ao chulé de Tim Maia apelou às redes sociais para ocupar lugar de destaque por alguns instantes nos trending topics dos twitters da vida, não importando que fosse de forma vil e covarde.
Tudo bem até que ele emitisse apenas a sua opinião sobre a qualidade da música de Raul, afinal cada um tem a sua, embora a resistência da obra ao tempo e a renovação do público atestem a aprovação dela até hoje.
Não. O gordinho optou por jogar os seus demônios e recalques em cima do finado Raulzito. Mas qual é mesmo o nome deste sobrinho de Tim Maia? Acabei escrevendo este texto todo e não lembro do nome dele. O melhor é botar um ponto final nesta história. Toca Raul!
*Pacheco Maia é jornalista
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