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SERÁ QUE É SORTE?


Fábio Viveiros   

É cada vez mais comum ouvirmos que todos os políticos são iguais, são corruptos e que o voto é uma penosa obrigação, mas muitas pessoas não têm a real consciência do poder do voto e o significado que a política tem em suas vidas. Todos sabem, mas nem sempre se lembram, que num estado que ainda está solidificando a Democracia as eleições são de total importância, pois possibilitam a escolha de representantes do povo, que fazem e executam leis que interferem diretamente em nossas vidas. Eleger um péssimo representante poderá acarretar em um grande retrocesso. Desta forma, precisamos dar mais valor à Política e acompanharmos com atenção e critério tudo que ocorre em nossa cidade, estado e país. O seu voto é muito importante e deve ocorrer de forma consciente. Devemos votar em políticos com índole impoluta e com real capacidade de melhorar a vida da nossa sociedade. Existem muitos políticos corruptos, conversadores, despreparados e incompetentes, em contrapartida muitos são dedicados à coletividade e procuram fazer um bom trabalho. É importante procurar separar o joio do trigo e acompanhar os meios de comunicação, com atenção, critério e ceticismo, para saber o que nosso candidato anda fazendo ou realmente pretende fazer no meio político.
Por vezes, encontro pessoas desacreditadas na política e nos políticos nos quais confiaram os seus votos, destes incrédulos, a grande maioria nem sabe o que realizou seu candidato, muitas nem lembram em quem votou na eleição passada. E isso é sinceramente muito triste, particularmente sempre me preocupei em escolher bem os bons candidatos e os políticos a quem confiei o meu voto. Desde que comecei a votar me recordo de todos os candidatos nos quais votei, e todos eles, sem exceção, nunca me decepcionaram, algo que poderia facilmente ter acontecido. É exatamente aí que me questiono, será que foi sorte?
Votamos de dois em dois anos, temos esse tempo para ir selecionando e analisando nossos representantes. Em cima da hora é difícil decidir o voto, já que os programas eleitorais nas emissoras de rádio e tv parecem ser todos iguais e muitas vezes confundem o eleitor. Mas procure verdadeiramente entender os projetos e idéias do candidato ou da candidata que você pretende depositar seu sufrágio. Esta pessoa é digna de confiança? Realiza um bom trabalho? Será que conseguirá recursos para executar os projetos prometidos? O partido político ao qual ela pertence merece seu voto e representa suas idéias? Votar conscientemente dá um pouco de trabalho. O voto é uma grande conquista do povo, lutamos para termos esse direito que deveria ser usado com discernimento e responsabilidade, mas enquanto isso não ocorre, é muito cômodo para incrédulos ficarem criticando tudo e todos. Por quê não se culpar? Até hoje, não tive a grande sorte de encontrar nenhuma pessoa arrependida que dissesse: "A culpa também é minha, eu escolhi mal o meu representante na eleição passada". Será que é falta de sorte?

* Fábio Viveiros é economista e ocupa o cargo de Assessor do Gabinete da Casa Civil do Governo do Estado da Bahia.