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Carreiras UniFTC: Os desafios das mulheres na ciência

Por Lucélia Magalhães

Carreiras UniFTC: Os desafios das mulheres na ciência
Foto: Divulgação

Escrever sobre Mulheres e Meninas na Ciência é um desafio, pois ainda somos minoria entre os pesquisadores, e nossas produções têm pouca visibilidade, na maioria das vezes. Os livros de biografias das mulheres que produziram ciência inovadora e que contribuíram de forma positiva com a vida das pessoas, mostram trajetórias penosas e sobrecarregadas, muitas vezes camufladas pelos maridos, companheiros e chefes de laboratórios. 


Exemplo bem fácil foi a vida de Marie Curie, escrita por Rosa Montero, sua biógrafa da vida doméstica. Vemos uma mente brilhante atordoada com as responsabilidades familiares e maternais.  Marie morreu de câncer, provavelmente pela radioatividade, deprimida e sozinha. Outro exemplo emblemático foi a primeira mulher de Albert Einstein, Mileva Maric. Encontrar dados da sua vida e produção são bastante difíceis. Frases da família de Albert como “intelectual demais" ou "uma velha bruxa", definem o preconceito latente no início do século 19. De acordo com relatos dos filhos, Albert e Mileva sempre trabalhavam juntos. Ela era uma física e matemática brilhante, porém todas as produções saíram em nome do esposo. Outro dado interessante é que na escola de física em Zurique – a única que permitia o ingresso de mulheres à época, Mileva obtinha melhores notas que Albert.


Estes exemplos dão conta da difícil trajetória de mulheres que desejaram produzir conhecimento. Assim, coloco que comemorar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência possa, a cada dia, ser um alerta para meninas, meninos, mulheres e homens e toda a sociedade. Possibilitar às mulheres trabalharem em projetos pode ajudá-las a desenvolverem todo o seu potencial e capacidade de inovação e criatividade nas ciências em geral, principalmente nas ciências médicas.


A minha trajetória de pesquisa, bem longe da genialidade exemplificada acima, tem acontecido com as dificuldades habituais de uma nordestina, que se casou precocemente, que possui filhos, marido e netas, e nunca conseguiu viver de pesquisa. Meu primeiro financiamento ocorreu neste ano de 2021, pelo PPSus. Todas as produções foram de forma voluntárias, com alunos de graduação, e agora com alguns de pós-graduação. Constituir um grupo de pesquisa sobre Envelhecimento Vascular Precoce (VOP), o VASCOR, tem sido uma corrida de obstáculos intensos, porém, a cada meta ou publicação alcançada, sinto uma sensação indescritível de realização e de um grande propósito de vida. 


Minha família foi especial e sempre me deu apoio em todos os níveis. Apesar de todo este empenho e suporte, sem o incentivo da Rede UniFTC nossas produções não seriam possíveis.  Foi fundamental este apoio incondicional e por isso desejo e espero que a sociedade, sobretudo as instituições, possam ter o entendimento de que produzir conhecimento é o melhor investimento em tempos de tantos desafios. 


*Lucélia Magalhães é doutora em Saúde Pública, coordenadora do curso de Medicina da UnesulBahia, professora titular de Clínica Médica do curso de Medicina da UniFTC Paralela e faz parte do Programa Institucional de Iniciação Científica da Coordenação de Pesquisa, Extensão e Iniciação Científica da Rede UniFTC

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias