Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Artigo

Artigo

A RESPONSABILIDADE DO PARLAMENTO NORTE-AMERICANO PERANTE O MUNDO


Merheg Cachum 

Com todo o respeito à soberania das nações e às decisões do Poder Legislativo, foi incompreensível a decisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, de rejeitar, na segunda-feira, dia 29 de setembro, o plano de socorro às instituições financeiras, que destinaria US$ 700 bilhões ao resgate da gravíssima crise em curso. É preciso lembrar ter ocorrido no parlamento norte-americano a gênese do crash das hipotecas, com a aprovação de lei que reduzia, de maneira populista, as garantias necessárias à concessão dos créditos. O Executivo, que sancionou a medida, também parece não se ter preocupado em fiscalizar e controlar a liquidez dos financiamentos imobiliários.
O socorro ao sistema financeiro, negado pelos parlamentares, não afeta apenas os Estados Unidos, mas todo o mundo, que não pode pagar preço tão elevado em decorrência de um problema nascido em decorrência de uma série de equívocos cometidos por políticos e alguns poucos empresários inescrupulosos. O povo norte-americano, que construiu com trabalho e competência a maior economia do Planeta, também não pode ser tão apenado pelo populismo político, pelo hiato de liderança que parece abater-se sobre seu país (considerando que a Câmara dos Deputados ignorou os argumentos do presidente da República e dos candidatos à sua sucessão) e por uma política irresponsável de financiamento.
O plano de contingência proposto por George W. Bush é a única alternativa capaz de evitar o pior neste momento. É verdade que o socorro sairá do bolso dos contribuintes do fisco dos Estados Unidos, já que virá dos impostos, mas é o menor dos males. O governo norte-americano não tem, é óbvio, uma situação fiscal das mais confortáveis na presente conjuntura, em que um imenso ralo de dinheiro, chamado “intervenção no Iraque”, consome pesadíssimas verbas oficiais. No conjunto, a situação é realmente grave, mas não há opção, a não ser o pacote de resgate financeiro.
Espera-se uma nova votação urgente da matéria, de modo que seja possível reverter a surpreendente negativa dos deputados, que acabou semeando medo em todos os mercados mundiais nesse final de setembro e início de outubro. Não é hora de arroubos de neoliberalismo. Mais do que nunca — para os norte-americanos e a humanidade! — é muito bem-vinda e necessária a intervenção do Estado nesse processo. Há um consenso cosmopolita quanto ao acerto da medida. Caso não seja adotada, não se pode sequer prever a extensão e profundidade das conseqüências.
A economia dos Estados Unidos, como se sabe, é um terço do PIB mundial. O país teve todo o mérito na construção dessa riqueza, cujos fundamentos baseiam-se no trabalho, na valorização da iniciativa privada e no inegável respeito às liberdades individuais e coletivas. A sua saga de desenvolvimento é uma referência para toda a presente civilização. Assim, não se pode colocar em dúvida o paradigma histórico desse povo vencedor. Contudo, para os próprios norte-americanos não é prudente radicalizar os princípios de uma doutrina econômica em detrimento da preservação de tudo o que edificaram com trabalho, suor e lágrimas.
Por tudo isso, espera-se mais consciência e a devida assunção das responsabilidades por parte do Congresso dos Estados Unidos. Os norte-americanos, latino-americanos, europeus, asiáticos, africanos e oceânicos agradecem...

*Merheg Cachum é presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast)