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Educação e geopolítica baiana

Por Luzia Mota

Educação e geopolítica baiana
Foto: André Almeida/ IFBA Divulgação

Eleições são a expressão máxima da democracia representativa. Ano após ano, ouvimos como a educação forma a boa cidadania, aquela capaz de eleger candidatas e candidatos que tenham projetos políticos voltados para promoção de igualdades. Para que a retórica eleitoral não desmanche no ar, é tempo de construir estratégias planejadas de educação com impactos verdadeiros a médio e longo prazo. A pandemia de Covid-19 deixará sequelas no sistema educacional. Teremos que enfrentá-las nos próximos anos, sem propostas apressadas e nem projetos de última hora.

 

As eleições municipais que se avizinham são de fundamental importância para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA). Hoje, o IFBA atua diretamente em 113 cidades baianas. Somos uma comunidade de quase 40 mil pessoas, em 32 unidades, sendo 24 campi (dois deles em fase de implementação), um núcleo avançado, seis centros de referência e um polo de inovação. O IFBA está em 26 dos 27 Territórios de Identidade do estado. Indiretamente, está em todos os municípios da Bahia, já que cada unidade atua como centro convergente e de expansão de ações.

 

O IFBA tem corpo técnico qualificado e infraestrutura robusta com laboratórios, bibliotecas, auditórios, ginásios de esportes. Esses elementos articulados permitem que a instituição ofereça Educação Profissional Tecnológica pública e de qualidade com práticas de ensino inclusivas para todos os públicos. São 300 cursos presenciais (cerca de 90 cursos distintos, sendo sete cursos de pós-graduação, 27 cursos superiores, 36 técnicos e três cursos técnicos EJA), além de 17 cursos à distância.

 

E vamos além. O IFBA capacita e oferece apoio técnico a projetos estratégicos com foco no desenvolvimento socioeconômico. Um destes é o Programa IFBA Saneando a Bahia (PISA), que desde 2018 orienta a elaboração dos Planos Municipais de Saneamento Básico de 50 municípios, com financiamento da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). No PISA, técnicos e engenheiros sensibilizam a população e as gestões locais, mapeiam problemas e apontam soluções em abastecimento, esgotamento sanitário, drenagem pluvial e resíduos sólidos.

 

Neste momento, em que prefeituráveis e futuros vereadores e vereadoras rascunham os próximos quatro anos, o IFBA também constrói uma carta de intenções. O Instituto quer sustentar uma relação republicana com prefeitos, prefeitas e lideranças locais, que reflita a maturidade de uma Instituição de 111 anos. Queremos valorizar este contato e contribuir com políticas públicas que fortaleçam a interiorização da educação profissional. A expertise centenária da instituição está à disposição de projetos que impactem na rotina das cidades e da construção de legislações que tragam novas e melhores respostas às realidades.

 

A capilaridade regional e a verticalidade na oferta de educação do IFBA tem a capacidade de conectar saberes e territórios. Isso nos permite manter uma interlocução orgânica e transparente com parlamentares, com consórcios municipais, com as redes de ensino, além de movimentos sociais, cooperativas, pequenos produtores, negócios, serviços e protagonistas das economias locais.

 

Quando um campi do IFBA chega em uma região, ele representa formação de cidadania e responsabilidade social. Que as lideranças políticas e comunitárias, investidas de seus mandatos, possam conhecer e defender o projeto político pedagógico emancipador do Instituto Federal da Bahia. Uma excelente eleição para a comunidade baiana!

 

*Luzia Mota é reitora do IFBA, licenciada em física e doutora em Difusão do Conhecimento

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias