Resposta rápida para a crise
A pandemia causada pelo novo coronavírus tem gerado impactos econômicos em todo o mundo e o Brasil não está isento a esses impactos. Mapeamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que, no mês de março, o setor industrial (43%) foi o mais afetado seguido pelo comércio (35%) e serviços (30,2%).
Diante desse cenário, como as empresas podem se posicionar em relação aos impactos sobre seus negócios? A segurança e o bem-estar dos trabalhadores afetados pela Covid-19 é a grande prioridade, mas as empresas também precisam se preocupar com outros itens. Em resposta ao coronavírus, as empresas precisam desenvolver de forma rápida e precisa um plano de contingência ou adaptar os planos de crise que já possuem às circunstâncias.
Para garantir a continuidade do negócio e a recuperação futura da empresa, alguns pontos devem ser observados nesse caminho. O primeiro deles é montar um comitê de crise: uma equipe inteiramente dedicada para garantir a execução do plano e alcançar os melhores resultados, de forma alinhada, sinérgica e coesa, que avalie todas as dimensões que podem ser impactadas (ex. produção, linha de crédito, pessoas, renegociação de contratos, logística etc).
O segundo ponto é envolver diferentes equipes da empresa nessa resposta. Por exemplo, as equipes de relações públicas e comunicação, responsáveis por elaborar e transmitir as mensagens da organização interna e externamente, as equipes jurídicas e regulatória, capazes de entender a exposição a riscos e aconselhar as medidas apropriadas e as equipes operacionais, que por estarem envolvidas essencialmente com o negócio detêm informações cruciais para guiar uma resposta efetiva nesse período.
Cercar-se de dados e informações confiáveis que permitam explorar diferentes cenários e como eles vão afetar o negócio no curto, médio e longo prazo também assume papel de destaque. É muito importante não se preocupar somente com o que acontece hoje, mas amanhã e depois também. Isso permite criar uma estratégia de resposta à crise adequada aos seus negócios.
Além disso, é necessário não negligenciar a comunicação com seus públicos nesse período, estabelecendo linhas de ação e mensagens claras e transparentes para cada um deles: investidores, governo, órgãos reguladores, consumidores/clientes, funcionários, comunidades onde atuam, entre outros.
Tais direcionamentos servem de referência para enfrentar os efeitos do novo coronavírus. Como cada organização tem seu perfil, especificidades e necessidades, não existe fórmula pronta e uma consultoria de negócios pode ajudar a identificar os fatores a serem levados em conta para responder à crise.
É essa resposta agora que vai permitir posicionar a empresa para o sucesso futuro. Quanto mais rápido e de forma planejada, sistemática e coerente, uma empresa responde a uma crise mais chances ela tem de sair fortalecida desse período de turbulências.
*Luciano Sampaio é sócio-líder da PwC Brasil no Nordeste
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