Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Artigo

Artigo

UM GOL DE PLACA

 

 

 

Roberto Pessoa

Recebi, com satisfação, das mãos de Nelson José de Carvalho, o exemplar nº 5, de fevereiro deste ano, de O Gol, jornal esportivo editado pelo conceituado jornalista e radialista José Ataíde e que conta, também, com o apoio do experiente e competente jornalista Antônio Matos, ex-editor de esportes da Tribuna da Bahia.

Li o jornal integralmente, da coluna Gol de placa, de José Ataíde, passando por Batendo um bolão, de Paulo Gomes, Jogo limpo de Nelson José, de JJ Wanderley, até chegar ao Corpo perfeito, da Dra. Analuzia Moscoso. Todos bem editados e definidos por uma linha editorial clara.

Merece destaque também o artigo Recomeçar, de Edson Almeida, no qual o autor, no lead, cita o poeta Paulo Roberto Gaefke, em belíssimo texto, do qual se extrai uma lição de vida que, pela sua sutileza, merece ser repetido e transcrito: “Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou, o que importa é que sempre é possível recomeçar”. Edson Almeida que o diga, com sua sensibilidade costumeira, conhece bem a importância do recomeço: o refazer da vida, profissional, pessoal ou sentimental.

O importante é recomeçar, com força, como se estivéssemos ante uma nova caminhada e com um novo objetivo a perseguir e alcançar. Daí lembrar-me de uma crônica por mim recebida, cuja autoria é atribuída a Artur da Távola, que, a meu ver, se encaixa como a mão na luva neste recomeço jornalístico de José Ataíde.

“Gosto de Gente assim... Gosto de gente com a cabeça no lugar, de conteúdo interno, idealismo nos olhos e dois pés no chão da realidade. Gosto de gente que ri, chora, se emociona com uma simples carta, um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago. Gente que ama e curte saudade, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais. Admira paisagens, poeira e chuva. Gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternuras, compartilhar vivências e dar espaço para as emoções dentro de si, emoções que fluem naturalmente de dentro de seu ser! Gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam. Gente que acolhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto. Gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos. Com muito amor dentro de si. Gente que erra e reconhece, cai e se levanta, apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentoras suas lágrimas e sofrimentos. Gosto muito de gente assim... como VOCÊ! E desconfio que é deste tipo de gente que Deus também gosta”.

O Gol foi fundado em 1977 e tive a honra de participar das primeiras edições como um de seus articulistas, ao lado de Edson Almeida, Mário Freitas, Antônio Matos, e de outros companheiros da crônica esportiva. Observo que, assim como outrora, a linha editorial traçada pelo diretor geral não mudou: divulgar o esporte, comentar o fato esportivo e as ações efetivas dos dirigentes esportivos, criticando-os quando se fizer necessário, respeitando a ética jornalística acima de tudo.

O jornal conquistou o seu espaço na mídia esportiva e, se não se manteve à época, foi por fado ou destino, pois tinha tudo para concorrer, lealmente, com o Esporte Jornal do conceituado Luiz Eugênio Tarquínio. Hoje não é diferente, pois quem conhece, como eu conheço, José Ataíde, na sua trajetória profissional, sabe que ele, seguindo a lição de um famoso filósofo e matemático indiano, Rama Tirtha, sempre observou que “há tanto espaço para crescer que, para ir-se mais alto, não é necessário rebaixar ninguém”.

A reedição do jornal, suprindo uma lacuna no jornalismo esportivo baiano, foi um verdadeiro gol de placa. Parabéns, José Ataíde, pelo recomeço e pela fidelidade aos princípios que edificaram a sua brilhante carreira.

Roberto Pessoa é jornalista e Desembargador Presidente do TRT da 5ª Região.