Após a pandemia, não seremos os mesmos - nem as nossas marcas
Uma das principais mudanças que essa pandemia vai trazer para nossa sociedade está relacionada à forma como vamos nos ENGAJAR. Não é de agora que nossa sociedade e as relações que tornam os seus indivíduos interdependentes vêm sendo formatadas por dois lados: aqueles que têm o poder de programar o progresso e aqueles que calculam as vítimas desse progresso. Domenico de Masi, filósofo italiano, foi profético neste assunto, ao analisar essa formatação histórica da qual fazemos parte e apontar tendências de um futuro mais esperançoso, sob o olhar de múltiplos aspectos: longevidade, velhice, trabalho, engajamento, fim do analógico, predomínio do digital (leia O Mundo Ainda é Jovem).
Às marcas que sobreviverem à pandemia, cabe pensar e aplicar um contraplano para esse modelo bipartite. Qual será a participação colaborativa das empresas e das pessoas no mundo? Que diferença farei na vida do outro? Tomando a linguagem empresarial, os objetivos estratégicos das empresas precisam tirar o braço social-sustentável do canto inferior de última importância do mapa. A geração Z, essa que vem para mudar o nosso status quo, chegou para mostrar que está disposta a pagar mais ou deixar de consumir marcas que não se prepararam para colaborar com as necessidades universais. Este recado está dado e muitas empresas vêm aplicando a lição com a COVID-19: Ambev doou meio milhão de unidades de álcool em gel; Magazine Luiza vai doar R$ 10 milhões para o combate ao coronavírus; Google disponibilizou $ 800 milhões em créditos publicitários; Gerdau e Hospital Albert Einstein se uniram à prefeitura de São Paulo para construírem um hospital com 100 leitos; a Rússia envia ajuda humanitária para os EUA. Pessoas ajudando umas às outras.
O momento é de comunicar e fazer acontecer os VALORES das nossas marcas pessoal e empresarial. Sim, porque pessoas também são marcas e deixam suas impressões e isso, cada vez mais, vai qualificá-las - ou não - para empregos e oportunidades.
Nessa construção de branding, temos, ao alcance dos nossos olhos, bons exemplos a seguir. As instituições sem fins lucrativos são fontes de grande inspiração. Se por um lado, falta à maioria delas dinheiro, por outro, sobra a potencialidade de engajar e promover estratégias voltadas para o olhar coletivo. Elas entenderam há muito tempo o que é impossível ser feliz sozinho.
*Camila Oliveira é CEO da Toca Comunicação Integrada
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