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PORTO SUL


Jabes Ribeiro

Com a crise do cacau, que atingiu a região na década de 90, Ilhéus empobreceu e se viu diante de uma população que saltou de 150 para 250 mil habitantes em pouco mais de 10 anos. A carência de recursos para infra-estrutura urbana era visível, e por outro lado vimos o nosso porto sofrer com perdas de mercadoria, pois o mesmo estava voltado para a exportação do cacau. O Porto de Ilhéus, por não ser graneleiro, perde em competitividade, temos que reconhecer.  Ainda assim, a cidade avançou muito. O Pólo de Informática foi implantado, o turismo ganhou um moderno Centro de Convenções, e navios de passageiros foram atraídos para a nossa cidade.
Mesmo com falta de recursos, grandes obras foram implantadas, a exemplo do Quarteirão Jorge Amado com a revitalização de espaços culturais, como o Bataclã, Projeto Maramata no Pontal, urbanização de diversos bairros populares, bem como o Projeto Orla envolvendo as litorâneas do Malhado e São Domingos. Não podemos esquecer das obras de proteção do bairro São Miguel e a continuação do Projeto Viva o Morro, que atendeu milhares de moradores de baixa renda. Com sua cultura e história, Ilhéus estará sempre presente no cenário nacional.
Entretanto, em nenhum plano estratégico de logística de transportes, seja federal ou estadual, o Porto de Ilhéus era lembrado. Falava-se em Campinhos, Aratú e na construção de um terminal portuário na cidade de Belmonte. Até a celulose do extremo sul pensaram em exportar pelos portos do Espírito Santo. Ferrovia ligando Brumado/Tanhaçú a Ilhéus, interligando nossa cidade à malha ferroviária nacional, nem pensar.
Agora como que por milagre, com a descoberta de minérios em cidades próximas a Ilhéus, os governos Lula e Wagner nos dão a oportunidade de ganharmos um novo porto, que trará milhares de empregos, não só diretos, mas, principalmente, indiretos. O Porto Sul poderá no futuro atrair uma usina siderúrgica, exportar soja por navios graneleiros, e apresentar, juntamente com o novo aeroporto, a infra-estrutura adequada para implantação da ZPE, além de outros investimentos geradores de emprego e renda.
É claro que não podemos simplesmente aceitar o investimento sem as salvaguardas ambientais. Exigiremos as contrapartidas. Hoje a legislação é rígida, e por certo as Audiências Publicas mostrarão as medidas que serão necessariamente tomadas para preservar o ambiente no entorno do porto. Devemos ter competência para preservar nosso ecossistema, integrando-o ao turismo, setor vital para o desenvolvimento, mas não podemos perder essa oportunidade única. O povo precisa de empregos, e o novo porto, como investimento âncora, poderá ser o divisor de águas no desenvolvimento sustentado que tanto almejamos. Somos convocados a conhecer e acompanhar todas as etapas para implantação do projeto, sem radicalismo e com o olhar voltado para o futuro da nossa gente.

Portanto, ilheenses, sou a favor do porto.