Terça, 26 de Fevereiro de 2019 - 10:50

Carreiras FTC: O que estou fazendo com a minha única vida?

por Alessandra Calheira

Carreiras FTC: O que estou fazendo com a minha única vida?
Foto: Divulgação

No dia em que o Brasil perdeu Ricardo Boechat, nós baianos perdemos, precoce e inesperadamente, Saja. Professor José Antônio Saja era o filósofo que costumava fazer a pergunta que intitula este texto a quase todas as plateias. “O que estou fazendo com a minha única vida? O que estou deixando que os outros façam com a minha única vida? Por que eu não consigo abrir mão daquilo que me faz sofrer?”.

 

As questões filosóficas propostas por Saja envolvem aspectos pessoais importantes: propósito, escolhas, relações, afetos, bem-estar, saúde e também carreira. A verdade é que investimos a maior parte do nosso tempo em atividades que estão direta ou indiretamente relacionadas à profissão. Contrariando o bom senso, tem sido muito comum ouvir pessoas lamentando a necessidade de terem que ir trabalhar, adoecendo por permitir serem submetidas a relações abusivas, preterindo programas e atividades que trazem alegria a outras que apenas remuneram e, muitas vezes, remuneram mal. Como resultado desses processos vemos pessoas emocionalmente frágeis que, com muita frequência, se afastam gradativamente do que almejaram para a sua vida, no início da carreira. 

 

Para complexificar o cenário, um dado recém divulgado pelo relatório do Fórum Econômico Global de 2019 assustou o mundo: doenças relacionadas à saúde mental dos indivíduos devem ser tão numerosas que podem por em risco o crescimento econômico e a estabilidade planetária para os próximos anos. Os analistas acreditam que a instabilidade provocada pelo aumento da utilização das tecnologias aliada ao alto índice de desemprego sejam fatores desencadeadores de ansiedade e de depressão em larga escala. Para além das questões da macroeconomia, devemos olhar já para os indivíduos e para a nossa própria subjetividade. Importante, dentro do contexto, tentar entender os processos que, eventualmente, conduzam a caminhos estéreis e buscar os mecanismos para que a transformação aconteça. Não estou dizendo, entretanto, que o caminho seja fácil e nem simples. Apenas que precisa ser feito. Às vezes é necessário ter o auxílio de um bom profissional, um mentor, um coach, um terapeuta. O importante é começar. Técnicas de meditação e/ou mindfulness têm se mostrado eficazes na trilha pelo autoconhecimento. Existem alguns bons APPs gratuitos para quem deseja iniciar. Importante mesmo é dar um primeiro passo e entender o que pode fazer para que se consiga abrir mão de tudo o que aprisiona, descontrói, diminui e limita seus atos e progresso. 

 

É normal que a gente se sinta motivado a refletir diante de uma grande tragédia ou adversidade. Acho que Saja ficaria feliz em saber que mesmo depois de sua partida ainda continua inspirando pessoas. Desejo que você se sinta também inspirado e que possa assumir conscientemente as suas escolhas para o seu bem e verdadeiro propósito.

 

* Alessandra Calheira é Líder do Setor de Carreiras da Rede FTC

 

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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