A trava da burocracia e abuso econômico
Sempre escutamos que o Brasil é um dos países mais caros e burocráticos para fazer negócio, isso não é novidade. É real e impacta substancialmente no desenvolvimento e na economia. O empreendedor brasileiro é um mágico, malabarista, estrategista paciente, um maluco beleza, um lunático... chega me faltam adjetivos.
Se podemos ser burocráticos, monopolistas e exploradores, para que ser diferente? Essa máxima impera em diversos setores em nosso país e está ficando difícil desatar está nó.
Recentemente eu fiz uma viagem de moto saindo de Salvador e fui até os Estados Unidos. Foi uma experiência incrível até para me certificar o quanto estamos atrasados, somos burocráticos e precisamos evoluir.
Desde a saída de território brasileiro em Assis Brasil (AC), foi possível perceber a nossa total falta de estrutura de fronteiras. Apenas um fiscal da Receita e um agente da PF. Ambos os coitados sem nenhum conforto e infraestrutura para fiscalizar uma movimentação intensa de carros, motos e caminhões. O ilícito entra e sai do país pelas vias normais.
Mas o pior estava por vir. Por motivos pessoais, decidimos retornar de avião e despachamos as motos de navio. Em Miami, com uma ligação, acertamos tudo. Combinamos hora, local e documentos para deixar as motos e elas seguirem para Salvador.
Nada falhou. Estava tudo certo. Entregamos as motos e estas foram colocadas num contêiner. Até ali, estava tudo bem. A odisseia estava por chegar. O navio chegou a Salvador quase 30 dias depois e o samba do crioulo doido começou a tocar.
Além da burocracia medieval, inacreditável, absurda, desnecessária, ultrapassada (não sei se existe mais palavras para classificar), ficamos cinco dias correndo de um lado para outro, com as mais diversas informações – e que eram diferentes a depender do funcionário que nos atendia. Vale uma ressalva para enaltecer a Receita Federal e seus colaboradores. Todos jogam a culpa no serviço público, mas conosco foi quem funcionou e de forma rápida.
O problema está no modelo de negócio formatado para ser burocrático, complicado e caro. Tivemos que pagar 18 taxas diferentes para liberar nossas motos. Os valores pagos a operadora do Porto de Salvador foram superiores ao transporte e ao porto de Miami juntos, mesmo eles concedendo o favor de nos brindar com 50% de desconto. Sim, o valor a princípio seria superior a R$ 10 mil para liberar um contêiner, correndo um risco de termos ainda taxas de armazenagem diárias caso não fosse resolvido no prazo de 5 dias.
O processo, apelidado por mim como “Estupro Econômico”, seria cômico se não fosse absurdo. Foi-nos dado um prazo de 5 dias para resolver a documentação com a Receita (fizemos em 24h) e justamente na empresa privada, concessionária do porto, a coisa travou.
Engraçado que o prazo é de 5 dias sem custos, conta o sábado e o domingo apesar deles não funcionarem e assim na prática só tivemos 3 dias e, como monopolistas, estão pouco se lixando para isso. Querem mais é que atrasem para gerar receita de armazenamento.
Entre tantas taxas contadas, algumas me chamaram atenção como: taxa para inspeção não invasiva, taxa para manusear o contêiner para ser vistoriado, taxa pra abrir, taxa pra fechar, etc... essa brincadeira somava mais de R$ 10 mil.
Imaginem como é duro para um exportador e um importador produzir neste país. Eu estava apenas transportando um bem, uma bagagem. Se tivesse comprando algo, o tratamento ainda seria pior.
Pois bem, esse novo governo tem uma tarefa grande: mexer nesse vespeiro e destravar essa burocracia para o Brasil começar a rodar, além de quebrar esses grandes cartéis monopolistas que nada contribuem para o crescimento da nação.
* Davidson Botelho é empresário
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