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Iracema, a de Jesus

Por Nilton José Costa Ferreira

Iracema, a de Jesus
Foto: Acervo pessoal

Sem querer parafrasear José de Alencar, mesmo porque não tenho tamanha competência, a Bahia, especificamente sua Polícia Civil, também teve sua IRACEMA. Não a dos lábios de mel, más uma linda e respeitável negra engajada na defesa da sociedade e de todos seus problemas.

 

Recordo-me que a conheci nos idos do ano de 1983, quando ingressava na Bicentenária Instituição Policial. Sempre sorridente, procurando fazer o melhor em prol da Instituição. Os anos se passaram e, aquela jovem policial, graças a sua competência, seriedade e dinâmica, galgou os mais elevados cargos e funções da careira policial civil. Na sua vida acadêmica, de aluna, tornou-se renomada professora de Direito.

 

Lembro-me, como se fosse hoje, de duas etapas de sua vida profissional: Sua iniciativa incondicional na luta para garantia e preservação do Movimento em prol da Comunidade Negra e, em uma segunda fase, sua incansável luta na garantia e preservação dos Direitos das Mulheres. Nestas causas, seus trabalhos jamais serão esquecidos em razão da sua marcante contribuição.

 

Na Polícia Civil da Bahia – PCBA, dentre outras, ressalto sua contribuição na estruturação da DEAM – Delegacia de Atendimento à Mulher, marco utilizado por vários Estados do Brasil, sua passagem como Diretora do DEPOM – Departamento de Polícia Metropolitana, CORREPOL e pela finalmente pela ACADEPOL, onde pude assistir um de seus últimos atos como policial da ativa, ministrando uma memorável aula. 

 

É salutar às Instituições a preservação de seus valores e o culto à sua História, incluindo nesta, a trajetória marcante de seus integrantes. Neste ano de 2018, no qual a Polícia Civil do Estado da Bahia completou 210 de existência, a mais antiga Instituição de Polícia Judiciária do Brasil, peço licença a honorável Instituição para lembrar o momento solene da aposentadoria da Delegada de Polícia Civil, Classe Especial, IRACEMA DE JESUS.

 

Como a outra, dedicou sua juventude à PCBA em forma de amor e dedicação inconteste.  Tomou para si, a luta de bandeiras sociais dentro da mais completa legalidade. O seu marcante amor não foi Martim, o português, más à Instituição Policial Civil, na busca da paz social. Esta, também abdicou de vários compromissos em prol de seus ideais. Na verdade, ideias institucionais.

 

Neste momento, em nome da sociedade baiana, de seus colegas e subordinados, quero PARABENIZÁ-LA pela missão cumprida. Levas contigo, Delegada IRACEMA, os três mais valiosos troféus que um policial pode ostentar na sua aposentadoria: HONRA, DIGNIDADE e HONESTIDADE!

 

*Nilton José Costa Ferreira é mestre em Planejamento Territorial

 

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias