Influência dos Vieira Lima e eleições de 2018 fazem deputados avaliarem deixar PMDB
Lúcio ainda daria as cartas no partido | Foto: Paulo Victor Nadal/ BN

A crise que se abateu sobre o PMDB baiano após a nova prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que se encontra atualmente na penitenciária da Papuda, em Brasília, pode ganhar contornos mais dramáticos. Como se não bastasse a preocupação em debelar o incêndio provocado pelo encarceramento de sua maior liderança estadual, a sigla agora precisa lidar com a insatisfação de deputados que têm até cogitado abandonar o ninho político. De acordo com fontes ouvidas pelo Bahia Notícias, nos bastidores circula a informação de que Leur Lomanto Júnior e Luciano Simões estariam dispostos a deixar a agremiação, por conta da atual situação vivida pelo partido. A eles, poderia se juntar Hildécio Meireles, que, por enquanto, tem negado a possibilidade, como fez em entrevista ao BN (veja aqui). Segundo um nome ligado ao partido ouvido pela reportagem, os parlamentares têm tentado algumas ações para arrefecer a crise. Uma delas é que o deputado Pedro Tavares, alçado ao comando da sigla na Bahia após o afastamento de Geddel, assuma “de fato” a função. Apesar de oficialmente no posto, Tavares tem se deparado com o fator Lúcio Vieira Lima. Irmão do ex-ministro, o deputado federal, que atualmente preside o diretório do PMDB em Salvador, vinha dando as cartas internamente, mantendo o papel de domínio do clã Vieira Lima no partido. O fato tem irritado deputados, que defendem um afastamento cada vez maior da família do centro de poder peemedebista e a assunção de novas lideranças que possam oxigenar a sigla. Outra situação que tem preocupado integrantes da agremiação é a reforma política. Como uma das propostas do texto é o fim das coligações, políticos partiram para as contas e preveem que, caso esta regra seja aprovada, nas atuais condições, o partido não teria capilaridade para atrair sozinho um número robusto de candidatos a deputado, o que poderia inviabilizar seu crescimento no pleito de 2018. Neste contexto, parlamentares já começam a avaliar se teriam sobrevivência política caso continuassem na sigla. Nos bastidores, Leur, que tem pretensões de disputar um mandato como deputado federal, é um dos que mais demonstra preocupação com esta situação. É por isto que figuras como o prefeito de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão (PMDB), começaram a vir a público defender que as portas sejam abertas para receber novos nomes, fortalecendo, assim, a legenda (leia aqui). Sobre a ventilada possibilidade de o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, assumir o comando do partido, as possibilidades são consideradas remotas. E por conta de questões jurídicas. Para que Reis ocupe a cadeira de Pedro Tavares seriam necessárias novas eleições internas. Isso só aconteceria se a atual executiva do PMDB baiano entregasse os cargos ou se a executiva nacional destituísse a atual direção, o que é considerado improvável, já que o comando nacional é ligado ao ex-ministro Geddel. Com isso, Tavares seria a solução mais concreta e possível para conduzir a sigla até as próximas eleições internas. Enquanto o PMDB se debate nesta crise, integrantes tentam estancar a sangria e, aos poucos, buscam dar novos rumos à legenda. No entanto, já deixaram o recado: caso não haja mudanças, não hesitarão em abandonar o barco. 

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