Para executivos da JBS, Janot pretendia advogar em escritório que defendeu empresa
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Antes de fechar o acordo de delação premiada, os executivos da JBS acreditavam que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pretendia advogar na Trench, Rossi & Watanabe Advogados, quando encerrasse seu mandato no comando da PGR. O empresário Ricardo Saud chegou a essa conclusão em conversa com Joesley Batista. Os dois falavam sobre o procurador Marcello Miller, tido como “ex-braço direito” de Janot que deixou o cargo público para advogar no escritório que atuou em defesa da JBS no acordo de leniência. De acordo com o áudio, Miller intercedia a favor da empresa para garantir o acordo com o Ministério Público Federal (MPF). "É um amigo comum nosso. Eu falei, comum nosso? Ele falou, não. Comum meu, dele e do Janot. Esse cara está em ajudando. Esse cara faz parte do meu escritório. Aí eu falei assim, mas como faz parte do seu escritório? Não posso falar, depois eu te explico e tal. Ta, mas eu descobri que você passa pra o Janot. (ininteligível). É o seguinte: o Janot não vai concorrer mais ao cargo. Ele faz parte do nosso escritório. Ele falou. O Janot vai sair e vai advogar com esse mesmo escritório. Mesmo escritório que ele está hoje. Você não sabe que ele está no escritório?", diz Saud, no áudio de cerca de quatro horas, de acordo com transcrição d'O Globo. No momento, os dois conversavam sobre o fato de que Miller repassava para um contato em comum o que era discutido com Saud e esse contato, por sua vez, repassava as informações a Janot. Assim, o executivo concluiu que, assim como Miller já havia deixado a PGR para atuar no escritório, Janot planejava fazer o mesmo. "Eu entendi agora. O Marcelo saiu antes. Tem um outro saindo, um tal de Christian. E o Janot não vai concorrer, ele vai sair, e vai vir advogar junto com ele e esse Christian nesse escritório. Então o escritório vai ser ele, esse Christian e o Janot", esclarece Saud, acrescentando depois que eles estão montando um "puta escritório". Com essas novas informações, o titular da PGR anunciou que foi aberta uma investigação para apurar possíveis irregularidades no acordo fechado pela empresa, que pode perder os benefícios caso a delação seja anulada (saiba mais aqui).

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