Em delação, Cerveró citou negociação de propina para compra de escritório em Salvador
Por Guilherme Ferreira
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil
O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, citou em sua delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato um acordo para o pagamento de propinas na compra do prédio do escritório da BR Distribuidora em Salvador. O valor teria sido oferecido em 2010 em troca da aprovação do negócio pela diretoria da empresa. No entanto, a negociação se arrastou até 2014 e não se concretizou em razão do início da Operação Lava Jato. O delator acertou a colaboração em novembro do ano passado. O documento se tornou público nesta quinta-feira (2) por decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, um consórcio formado pela OAS Engenharia, BTG Pactual e PRS Empreendimentos se interessou no terreno, que havia se valorizado comercialmente. O grupo pretendia construir três blocos de escritórios. Como parte da permuta, a BR Distribuidora receberia nove andares da construção. Cerveró e Vilson Reichenbach, então diretores da empresa, receberiam um andar nos blocos a serem erguidos para dividir entre eles. Segundo o documento, cada andar tem valor estimado em R$ 1 milhão. Ou seja, cada um receberia o equivalente a R$ 500 mil em valores indevidos. O acerto da propina foi feito três meses antes da reunião da diretoria da BR Distribuidora no qual o negócio foi aprovado. A proposta ainda precisava ter o aval do Conselho de Administração da empresa. No entanto, o desencadeamento da Lava Jato interrompeu a negociação, já que a Operação "levou a OAS a ser suspensa em todo o sistema Petrobras". O delator ainda afirmou que as negociações foram de 2010 a 2014 "devido às avaliações imobiliárias a serem feitas e qual o valor e número de andares que seriam entregues a BR para instalar a nova sede e os andares adicionais que comporiam o pagamento adicional a ser recebido pela BR Distribuidora". Cerveró ainda acusou Pedro Paulo Leoni Ramos de cobrar propina do presidente da OAS, Leo Pinheiro, e o dono da PRS, Paulo Roberto de Oliveira, em nome de Fernando Collor. Leoni foi ministro na gestão do ex-presidente e "era quem operava para Fernando Collor em questões envolvendo o pagamento de propina na BR".
