Sexta, 13 de Maio de 2016 - 22:32

Shows de reabertura da Concha Acústica referenciam o simbolismo do 13 de maio

por Ailma Teixeira / Jamile Amine / Estela Marques

Shows de reabertura da Concha Acústica referenciam o simbolismo do 13 de maio
Fotos: Bruno Concha / Ag. Haack / Bahia Notícias
O 13 de maio escolhido para reabertura da Concha Acústica do Teatro Castro Alves carrega simbolismo e as atrações responsáveis pelo momento reconheceram a data. No dia em que se comemora aniversário da abolição da escravatura, depois do documento assinado pela Princesa Isabel em 1888, Maria Bethânia deu um show de homenagem, recitando o poema Navio Negreiro, de Castro Alves, e cantando 'Massemba'. Ícone da música popular brasileira, Bethânia emendou ainda sucessos emplacados em sua voz e de outros artistas, como 'Sangrando' (Gonzaguinha), 'Oração de Mãe Menininha', 'É O Amor' (Zezé di Camargo e Luciano), 'Reconvexo' (Caetano Veloso) e 'Olhos nos Olhos' (Chico Buarque).  A primeira participação da noite foi Margareth Menezes, que enalteceu a música baiana com 'É D'Oxum' e 'A Luz de Tieta'. "A gente tem uma história aqui nesse lugar, de muitos e muitos momentos que marcaram a minha carreira. A gente vive dessa cultura, dessa música, desse teatro, dessa dança. Esse espaço é sagrado para todo nós", declarou Margareth. Nos 70 minutos de apresentação para um público presente convidado, Bethânia cantou ainda 'Non Je Ne Regrette Rien', de Édith Piaf.
 

 
Um segundo momento desta noite de reabertura disputa o título de mais emocionante. Neste 13 de maio, cinco grupos afros baianos emocionaram o público com a percussão marcada de ancestralidade. Cada grupo recebeu um convidado representante da nova geração da música baiana. O primeiro dueto foi entre a banda Filhos de Gandhy e Pedro Pondé, da Scambo. Em seguida, o tradicional Ilê Aiyê recebeu o cantor Dão, numa apresentação que contou com as músicas 'O Mais Belo dos Belos' e 'Negras Perfumadas'. Muzenza e Éllen Oléria reforçaram as homenagens à data, cantando 'Guerreiros da Jamaica' e 'Zumbi'. A quarta apresentação foi da banda Malê Debalê que com Larissa Luz montou uma nova versão para a música 'Território Conquistado'. Música que dá nome ao CD da ex-Araketu, a canção perdeu a característica eletrônica para ganhar uma roupagem toda percussiva. Cortejo Afro encerrou a apresentação dos grupos afros em tom de folia com a cantora Márcia Castro. Rolou de 'Frevo' a 'Alô Alô, Marciano', com direito a 'Homem com H' e 'No Ilê de Mãe Santinha de Oyá'.
 

Mas a emoção do final da apresentação ficou mesmo por conta do Olodum. Depois de emendar grandes sucessos, como 'Protesto Olodum', 'Revolta Olodum', 'Madagascar' e 'Avisa Lá', a banda recebeu todos os grupos afros e os convidados, encerrando a primeira noite de apresentações com 'Um Sorriso Negro'. O festival Eu Sou A Concha continua neste sábado (14) e domingo (15).

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