Estudantes criticam corte de custos na Unime: ‘Aluno passou a ser enxergado como contrato’
Foto: Divulgação
Os estudantes da Unime, em Lauro de Freitas, organizam um ato para esta terça-feira (29) em protesto contra a gestão da empresa Kroton Educacional, uma das maiores organizações do ramo no país. O corpo discente da unidade reclama da má prestação de serviços, refletida na superlotação das salas de aula, demissão em massa de professores, aumento no número de matérias interativas e descumprimento da regulamentação e as chamadas “Salas Especiais”. O motivo para tais mudanças seria o corte de custos, motivados principalmente pelo endurecimento do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). “Diminuiu muito a entrada de alunos. Temos informação que a Kroton trabalha através de metas. Como reduziu o número de ingressantes do Fies – na nossa faculdade é muito grande – diminuiu a receita. Para os lucros se manterem equivalentes ao dos semestres anteriores, tem que diminuir também os custos. Recentemente nosso TCC passou a ser online. A gente não tem mais banca, orientador, faz tudo na internet. E a gente paga o mesmo valor”, afirmou Victor Quilici, estudante e presidente do Diretório Acadêmico de Direito (DA). Conforme relatou o estudante, a Unime não oferta as matérias essenciais para a formação dos alunos e abre as “Salas Especiais” para oferecer tais disciplinas com carga horária menor ao semestre letivo, mas com preço superior a uma matéria de carga horária equivalente.
 

Aluno procura espaço para colocar cadeira em
sala de aula superlotada na Unime (Foto: Reprodução/ Facebook DCE)

“O aluno passou a ser enxergado como contrato e não como agente educacional. Muitos professores foram demitidos, o Fies sempre dá problema, as salas estão superlotadas, com mais de 100 alunos. Semana passada um aluno foi assaltado na faculdade. A gente já sentou com a coordenação, mas só fica na promessa. A Unime é a faculdade mais cara da Bahia em todos os cursos. O aluno da Unime vê que pelo valor que pagamos, seja Fies ou bolsa, a gente não recebe a prestação de serviço adequada”, reclamou o estudante. Queixas como essas foram encaminhadas ao Ministério Público de Lauro de Freitas em 14 de setembro, diretamente à promotora Ivana Silva Moreira. Em entrevista ao Bahia Notícias, Quilici disse que a universidade já foi notificada, mas a assessoria de comunicação do MP-BA afirmou não ter nenhuma informação sobre movimentações da denúncia, já que a promotora titular está em férias e o promotor substituto trata apenas de questões emergenciais. Entre as reivindicações do protesto desta terça estão a redução da capacidade máxima de alunos por sala, de 100 para 60; segurança e a oferta de grades curriculares de forma integral. Segundo relatos, com a demissão de professores, algumas matérias não são ofertadas e os alunos de diferentes semestres assistem aula juntos. Pessoas relacionadas à Unime afirmam ainda que o aluno que perde na disciplina não tem o direito de repetir a matéria presencialmente, mas de forma interativa, via internet. “Só que são de conteúdo acadêmico muito pobre. Não temos salas virtuais. É disponibilização de slide para o aluno ler e fazer prova. A Unime obriga o aluno que não aprendeu o conteúdo a refazer de forma interativa. O aluno não vai aprender”, acrescentou o representante estudantil. Procurada, a Unime não respondeu aos questionamentos sob alegação de não ter tido tempo hábil.

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