Terça, 14 de Fevereiro de 2017 - 10:00

Marco Aurélio, prefeito de Itaquara

por Francis Juliano

Marco Aurélio, prefeito de Itaquara
Foto: Jamile Amine / Bahia Notícias
Eleito com 22 anos em outubro passado, Marco Aurélio Costa (PSB) se tornou o prefeito mais moço da Bahia. O jovem vai comandar o executivo da pequena Itaquara, cidade encravada no Vale do Jiquiriçá, com população de 8,5 mil habitantes. Em entrevista ao Bahia Notícias, Marco Aurélio conta como se iniciou na política e como pretende trazer o “novo” para a prefeitura. O neopolítico ainda manifestou o que espera da gestão de Eures Ribeiro na União dos Municípios da Bahia (UPB) e disse que não teme ações contrárias por ter nomeado um parente para o secretariado de governo, o que contraria uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). “Não temo. É uma forma de manter alguém de confiança perto. E em Itaquara, o secretário de governo da ex-prefeita [Iracema Guimarães], que a gente derrotou, era o marido dela. Então, acredito que isso não pode ser usado como arma pela oposição. Qual o discurso, já que eles tiveram essa prática também?”, declarou ao BN. 

Primeiro, essa é a sua primeira experiência política?
Não. Antes, em 2015 eu comecei a trabalhar no gabinete da senadora Lídice da Mata, prestando assessoria jurídica a ela e ao partido [PSB], de que sou filiado, em Salvador. A gente começou na política ali.
 
E de onde vem a ligação com Itaquara?
Meu pai já está há 26 anos no município. A gente tem uma propriedade rural no distrito de Novo Horizonte e ele sempre prestou atendimento à população sem nunca cobrar pelos serviços. 
 
Geralmente médicos e advogados acabam tendo uma facilidade em conseguir votos. Seu pai, por acaso, já foi prefeito, vereador, de lá?
Não. Nós nunca nos envolvemos na política do município. O mais próximo na política é um primo que foi eleito vice-prefeito de Jaguaripe.
 
Por ter se tornado o prefeito eleito mais jovem da Bahia em 2016, o que você traz de realmente novo para a política?
O novo não é falar em política nova, é o modelo de gestão. A gente quer trazer investimentos para a agricultura, que é forte no município. Para isso, já temos o apoio do secretário de agricultura, Vitor Bonfim, e estamos desenvolvendo alguns projetos. Queremos também trazer uma fábrica de maracujá, assim como levar outra indústria para gerar renda. Além disso, tem a política social, que é preciso desenvolver no município, aproveitando o que já existe e incentivando cursos de capacitação.
 
 
Como você é uma pessoa jovem, a prefeitura já tem bem definida uma política para a juventude? Falo sobre intervenções em emprego, esporte, cultura, educação?
Nosso principal foco é trazer capacitação profissional à juventude para que ela possa disputar o mercado de trabalho com igualdade. A gente quer fazer uma parceria com o governo do estado e, para isso, já tivemos com o secretário Walter Pinheiro [educação]. A meta é implantar escola em tempo integral e cursos profissionalizantes, além de investir no esporte, mas não só em futebol. Há pouco tempo, acabamos de trazer material esportivo para vôlei, basquete, boxe.  A partir daí, vamos incentivar a prática desses esportes.
 
Como é que você responde aos que criticam a sua inexperiência política? Acredito que isso foi levantado na campanha e deve ser citado pela oposição nesse mandato?
Na campanha a gente tentou demonstrar o seguinte: que eu sou advogado e já tenho experiência política com a senadora Lídice da Mata. E a gente sabe que é importante se cercar de pessoas boas e capacitadas para ajudar na administração. Uma coisa que falo é a seguinte, não é porque eu sou jovem que não tem como fazer um bom governo. Aí é que tem que trabalhar mais e melhor. Porque a gente tem força de vontade para buscar os investimentos, para lutar para gerar renda, capacitar pequenos artesãos do município, entre outras coisas. 
 
Itaquara não faz parte do programa Município Transparente, o que dificulta a fiscalização dos recursos públicos pela população. A prefeitura pretende corrigir isso logo, por exemplo, já em 2017?
O projeto para deixar o Município transparente, a gente tem. Isso foi uma coisa que nós batemos na campanha. A nossa ideia é colocar logo. Pode ser que ainda neste primeiro ano de gestão nós consigamos informar tudo. Vai depender muito do andamento da gestão.
 

 
Seu secretariado é mais jovem ou é mais envelhecido?
É misturado. Tem gente nova, gente mais velha, tanto na parte política como na parte técnica.
 
Uma questão que a gente tem noticiado com frequência é a nomeação de parentes em cargos nas prefeituras. O Ministério Público recomenda que os prefeitos evitem a prática com base na Súmula 13, do Supremo Tribunal Federal [STF], que veta esse expediente. Você tem algum familiar na administração da cidade?
Em meu secretariado tem meu irmão, que é secretário de finanças.
 
Você não teme que isso possa gerar um processo contra a sua gestão?
Não temo. É uma forma de manter alguém de confiança perto. E em Itaquara, o secretário de governo da ex-prefeita [Iracema Guimarães], que a gente derrotou, era o marido dela. Então, acredito que isso não pode ser usado como arma pela oposição. Qual o discurso, já que eles tiveram essa prática também?
 
O novo presidente da UPB, Eures Ribeiro (PSD), foi eleito há poucos dias. O que esperar da gestão dele em relação a municípios de porte pequeno como Itaquara?
Eu votei nele e espero que Eures faça uma gestão principalmente voltada para os municípios pequenos. Uma das lutas é a redistribuição do pacto federativo [divisão de recursos entre União, Estados e Municípios]. Isso eu vou cobrar.
 

 
A PEC [Proposta de Emenda Constitucional] do teto de gastos do governo Temer vai limitar as verbas públicas em até 20 anos. O fato deve diminuir ainda mais o dinheiro que entra nas prefeituras. Como manter os serviços essenciais em uma cidade pequena como Itaquara?
Essa é uma questão complicada. O que a gente tem que segurar são as contratações. Fazendo isso, nós temos como redistribuir melhor os recursos. Nessas cidades menores, o maior gasto é com folha de pessoal. Até porque nesses municípios pequenos, o maior empregador é a prefeitura. Aliado a isso, a gente tem que gerar outras fontes de renda e de geração de emprego. Ao focar nisso, vamos tentar investir na educação, na saúde. Mas é uma questão complicada esse congelamento de investimentos públicos. Acho que deveria ser feita de outra forma, como, por exemplo, em cinco anos ela ser revisada.
 
Há uma correlação de forças se afunilando para 2018 na sucessão do estado. De um lado, o prefeito de Salvador, ACM Neto, e de outro o governador Rui Costa, e o senador Otto Alencar. Como você avalia esse cenário?
Olha, a gente faz parte da base do governador Rui Costa. Ele tem feito um bom trabalho e se prontificou a ajudar o município e a região em audiências que tivemos com ele. Eu também não acredito que o senador Otto saia da aliança com o governador. Tem uma disputa de forças para 2018, mas acredito que o governador vem forte.

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