Em Salvador, Roberto Gurgel lamenta que mensalão tucano não será mais julgado pelo STF
Por Cláudia Cardozo
Foto: Ampeb
O procurador-geral da República aposentado, Roberto Gurgel, afirmou na noite desta quarta-feira (2), antes da abertura do Congresso do Ministério Público da Bahia, que é lamentável o declínio de competência do julgamento do mensalão tucano do Supremo Tribunal Federal (STF) para a Justiça de primeira instância, com a renúncia do deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG). A renúncia do ex-parlamentar, acredita-se, foi para perder a prerrogativa de foro. Gurgel lembra que o Supremo, há algum tempo, já rejeita esse tipo de manobra, mas explica que, como o “nosso sistema de processo penal é extremamente complicado, levar uma causa à julgamento é algo que demora muito”. “Descendo os autos para o primeiro grau, lá para Minas Gerais, provavelmente, nós teremos uma demora significativa, com o risco de, pelo menos, alguns crimes, prescreverem”, teme. Os casos em que o STF rejeitou esse tipo de manobra, segundo o ex-procurador, eram de casos que já estavam na pauta da Corte, e que a renúncia se demonstrava mais evidente. Há risco, dessa forma, segundo Gurgel, de alguns crimes do mensalão tucano ficarem impunes.


Sobre as eleições deste ano, Gurgel considera que, com a plena aplicação da Lei da Ficha Limpa pela primeira vez, haverá progressos, já que nas eleições municipais de 2012 ela ajudou consideravelmente. Ele diz esperar que as eleições deste ano sejam mais limpas e livres de “vícios que ainda contaminam nossas eleições”. Brizolista declarado, Gurgel diz que sempre votou em Leonel Brizola em todas oportunidades. Ele abriu seu voto e disse que sempre que havia eleições em segundo turno, votou em Lula, e que na última corrida presidencial, votou em Dilma. O voto deste ano, ainda não está formado. Gurgel diz que “ainda estão em exame e meditação”. Já sobre a polêmica que envolve a refinaria Pasadena, o ex-procurador saiu pela tangente ao ser questionado se a presidente Dilma poderá responder judicialmente pela compra inflacionada da refinaria. Ele diz que caberá ao atual procurador-geral Rodrigo Janot analisar a situação, e que ele não tem mais atribuição para isso. Gurgel foi convidado pela Associação dos Membros do Ministério Público para proferir a conferência de abertura do congresso da instituição.
