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Misses Plus Size relatam preconceito e falta de patrocínio: 'Sou gorda e não gordinha'

Por Bárbara Gomes

Misses Plus Size relatam preconceito e falta de patrocínio: 'Sou gorda e não gordinha'
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

No mês de agosto acontecerá em Salvador o concurso Miss Plus Size Bahia, com o objetivo de valorizar a mulher gorda e demarcar um lugar para elas no mercado da moda. O evento é idealizado por André Menegry, que organiza a disputa sem patrocínio e sem cobrar pela inscrição. O objetivo maior do concurso, para ele, é conhecer mulheres plus sizes e despertar o empoderamento nelas. “As meninas são muito tímidas, têm uma dificuldade de se adaptar, devido à falta de incentivo, porque talento elas têm”, explicou o publicitário. Menegry relatou encarar o concurso como uma obrigação profissional. “É preciso dar essa oportunidade, já que o meu mercado (moda) é fechado”, avaliou. Para as candidatas, a eleição é uma maneira de mostrarem a sua beleza, aceitação e poder, já que são vistas constantemente com olhares preconceituosos. A miss Poções, Lívia Chaves, relatou que andar de ônibus, por exemplo, é bem complicado. “Eu sentei do lado de uma senhora no ônibus e ela reclamou porque estava se sentindo apertada. Entalar na catraca do transporte já é uma coisa básica... Elas ficaram menores, então o cobrador já vai empurrando para ajudar”, explicou a modelo que também é Policial Militar.

Organizador do Miss Plus Size Bahia - André Menegry | Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, as candidatas destacaram que não precisam de eufemismo para se referir ao peso. “Não sou gordinha! Ou é gorda ou é magra”, afirmou Geisiane Nascimento, a miss Valença. Já a Miss Salvador, Ilma Gato, contou que seu primeiro trabalho como modelo plus size foi de biquíni. “Eu tomei um baque, pois foi uma quebra de tabu por vim de todo um preconceito de familiares e de amigos”, disse.  O mesmo aconteceu com Laiane Santtos, a miss Capela do Alto Além, com histórico de questionamentos ofensivos de amigos e pressão familiar para emagrecer. "Você já imaginou parir nesse corpo?" e "Você tá gorda e não se importa?" foram algumas das perguntas que a miss teve que ouvir. “Não me acho bonita magra. Eu me sinto bem assim. Ser magra é algo que eu não quero ser”, garantiu Laiane. Não é só com parentes e amizades que as mulheres gordas enfrentam julgamentos: a miss Simões Filho, Thais Galvão, passou por problemas com o peso em um relacionamento abusivo. “Sofria cobrança constante do parceiro. Quando eu estava gorda queria que eu estivesse magra. Quando eu emagrecia dizia que perdia bunda, peito. Então vivi três anos nesse processo. Após findar o relacionamento voltei a engordar e ao peso que sempre tive. Fiz um ano de terapia e hoje me aceito do jeito que sou: com volume e curvas”, contou a blogueira.

 

Outro desafio que as mulheres plus sizes precisam enfrentar é a permanência no ramo da moda. Entre concursos, desfiles e fotografias, elas precisam conquistar a confiança do empresariado e o interesse em investir na área. Algumas misses contaram que muitas vezes recebem propostas de trabalhos sem pagamentos ou por trocas de favores. A falta de patrocínio para esses eventos também é notória, assim como ressaltou o organizador do concurso: “Nunca houve patrocínio. O mercado ainda não acredita muito. A minha realização é ver as meninas com autoestima”, finalizou Menegry. O concurso acontecerá no sábado (20), às 19h no Hotel Fiesta, com renda revertida para a creche Lar Vida, custando R$ 40,00 a entrada.