Quinta, 05 de Janeiro de 2017 - 13:20

Luis Ganem: E viva o Samba-reggae!

por Luis Ganem

Luis Ganem: E viva o Samba-reggae!
Primeiro Ato – Cena Um. Cenário: Festival de Verão 2016 Arena Fonte Nova. No palco, a banda Natiruts faz um som que invade o estádio preenchendo seus quatro cantos. Diferenciado, harmonioso, melódico, o som que sai das caixas meio que inunda o ambiente com uma paz quase tátil. De forma uníssona, a multidão presente canta todos os sucessos da banda, deixando clara a ideia de que o Reggae, independente do que digam, ainda não está morto.

Ato dois – mesmo cenário. Desta vez o protagonista é o cantor Saulo Fernandes. O mesmo canta na abertura do seu show um Samba-reggae feito por ele e carro chefe de uma das suas mais recentes obras. De novo de forma uníssona, todos cantam seus primeiros versos, que, não por acaso, enaltecem a cidade do Salvador e dizem, em sua poesia singular: “Salvador Bahia/ território africano/ baiano sou eu, é você, somos nós uma voz de tambor” e emendam em seu refrão: “ África io io / Salvador meu amor a raiz/ de todo bem de tanta fé/ do canto candomblé”. A ideia que se tem desta vez é que a música da Bahia não está morta.

Ato final – outro cenário. Ítalo ou MC Beijinho canta um samba reggae no fundo de uma viatura policial – o mesmo foi detido e conduzido à Delegacia acusado de roubo. O Samba-reggae “Me Libera Nega”, feito pelo MC, ganha corpo e em pouco tempo, na voz do cantor e compositor Filipe Escandurras, cai na boca do povo.

Nos fatos narrados acima, duas coisas ficaram claras, ou melhor, três. Primeiro que o Reggae, diferentemente do que diziam, nunca saiu de moda. Segundo que o Samba-reggae – a essência da música baiana – é parte importante na retomada da primazia do negócio música no cenário nacional. E terceiro: o Axé redescobriu sua fórmula do sucesso.

Isso mesmo! Dado o que vi no Festival de Verão com o Axé de Saulo, o Reggae do Natiruts e, agora, com Filipe Escandurras e MC Beijinho, não tenho dúvidas em afirmar que nossa música pode voltar a crescer novamente em 2017. E olha, sendo muito sincero, se isso acontecer, e a despeito do esforço de todos os artistas que compõem a nossa constelação musical, teremos que tirar o chapéu para Saulo Fernandes.

E podem dizer o que quiserem, refutar minhas palavras, dizer que estou errado ou maluco, mas, desde “Raiz de Todo Bem”, Saulo vem remando contra a maré do modismo encabeçado pelo sertanejo e outros modismos atuais, buscando, antes de mais nada, trazer em suas melodias e letras a essência do som da Bahia.

Até para servir de exemplo do desprendimento e da vontade desse rapaz em fazer renascer nosso samba reggae, voltando ao Festival de Verão, lá estava eu vendo o show dele, que de pronto já faria jus a tudo que escrevi até aqui sobre esse resgate, quando, de repente, ele pega uma pequena viola de cor preta e inicia uma música chamada: “Deixa Lá”, composição dele e de um dos grandes compositores da Bahia, Dom Chicla, de quem aqui abro um espaço para falar. Pense em um cara gente boa. Esse é Dom Chicla. Compositor de mão cheia, conheço poucos tão bons ou iguais a ele. Do Harmonia a Ivete Sangalo, passando também por Saulo, pode ir lá conferir que, no presente ou no passado, haverá alguma música de Dom Chica. Sujeito agradável, sempre sorrindo, sempre simpático, “Dom”, como é tratado pelos amigos, tem literalmente essa dádiva de escrever letras e fazer melodias. Posso afirmar que é uma daquelas pessoas que quando você conhece percebe que o cara é do bem. E antes que alguém diga que Filipe Escandurras é melhor que ele, sinto dizer: são irmãos.

Bem, dito isto e voltando ao que estava contando – até para terminar essa parte do texto - lá estava eu vendo o show de Saulo, quando ele começou a cantar “deixa lá”. Sabe aquela música que faz a diferença em um show e você literalmente para pra escutar? Essa música foi “deixa lá”. Saulo começou a cantar e trouxe, como forma de não deixar dúvidas sobre o estilo dela, uma parte da percussão do Ilê. E aquele ritmo foi inundando a Arena, sendo absorvido pelas pessoas e essas mesmas pessoas, de atônitas com o groove, timidamente começaram a mexer os ombros, a balançar a cabeça, a se deixar levar pela batida, pelo suingue... Olha! Simplesmente impressionante.

Espero ainda poder ver e descrever até o Carnaval mais alguns “atos” como os citados, vindos de Saulo, ou de quem consiga entender a nova “onda” que está chegando na música baiana. Posso dizer e afirmar que não é à toa que a música mais conhecida da Bahia na atualidade é um Samba-reggae. Pode ser inclusive que, para alguns, essa minha reflexão não signifique nada. Mas pra quem tem feeling musical, pode ter certeza: quer dizer muita coisa.

"Deixa lá" 

 

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Segunda, 05 de Dezembro de 2016 - 10:05

Luis Ganem: O ensaio da Timbalada é uma caricatura de si mesmo

por Luis Ganem

Luis Ganem: O ensaio da Timbalada é uma caricatura de si mesmo
Fui e sou instado por e-mails quase sempre a me pronunciar a respeito das movimentações que estão ocorrendo do nosso meio musical. Aliás, a bem da verdade, sou instado há muito tempo a falar a respeito das mudanças que o mercado musical baiano sofre há alguns anos, em princípio decorrente de tentativas de trazer o novo, o inusitado, e eu disse em princípio, pois se formos parar pra ver de perto, o que temos atualmente como fundo é um monte de barraco por dinheiro ou poder, sejam em brigas de ex-amigos ou familiares. Mas uma leva desses e-mails que recebi, me perguntava sobre a nova cantora da Timbalada que foi apresentada oficialmente aos baianos em uma coletiva de imprensa. O que me deixou surpreso nos mails, foi a rapidez em pedir para fazer comentários sobre essa nova cantora, haja vista que a mesma tinha acabado de chegar em terras baianas.

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Terça, 25 de Outubro de 2016 - 15:55

Luis Ganem: Caetaneando com Faustão!

por Luis Ganem

Luis Ganem: Caetaneando com Faustão!
A palavra Caetanear nunca esteve tão em moda. Lógico, em se tratando do verbo criado por Djavan na música “Sina”, feita em homenagem ao aludido cantor baiano, criador da tropicália e vanguarda da música nacional Caetano Veloso, “Caetanear” pode trazer no seu conceito, uma pluralidade de definições que suscitam diversas formas de se entender o verbo criado. Desde seu modo mais simples de significado: “compor como Caetano” ás formas mais diversas do entendimento como: reinventar, inventar, impressionar, modernizar ou somente “Caetanear”, o que posso afirmar, é que neste momento de crise musical baiana, nunca um “jeito de ser”, se tornou algo tão imprescindível.

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Segunda, 17 de Outubro de 2016 - 16:30

Quebradeira baiana: Pagodeiro anuncia documentário sobre história de vida

por Paulo Victor Nadal

Quebradeira baiana: Pagodeiro anuncia documentário sobre história de vida
Desde que despontou como uma grande promessa, quando ainda então comandava os vocais da banda No Styllo, o vocalista Danilo Ferreira Trindade, ou simplesmente, Chiclete Ferreira, talvez passe pelo momento de maior dificuldade no cenário do pagodão baiano.

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Segunda, 12 de Setembro de 2016 - 09:20

Luis Ganem: As lições da vida - aprendendo a agradecer

por Luis Ganem

Luis Ganem: As lições da vida - aprendendo a agradecer
Sábado à noite é sempre uma rotina. Ou se sai de casa em busca de um lugar para bater um papo e comer algo saboroso, ou em casa se fica, e envereda-se noite a dentro, cada um fazendo o que mais gosta, o que inclui dormir. E sendo assim, aconteceu da minha escolha de comer algo saboroso na rua ao invés de ficar em casa. Bem até aí nada demais, até porque sair, comer algo na rua em um sábado à noite é uma opção bacana, mas – antes que alguém fale – em nada tem a ver com o mundo da música, salvo se estiver indo para um barzinho com som ao vivo, ou a algum restaurante que tenha um profissional da música ao piano ou coisa assim.

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Terça, 06 de Setembro de 2016 - 09:20

Quebradeira baiana: Fôlego para a arrochadeira

por Paulo Victor Nadal

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Quem acredita que a arrochadeira já apostou todas as suas fichas, engana-se. Tem novidade pintando na área e confiando em um novo recomeço no verão 2017.

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Quinta, 01 de Setembro de 2016 - 09:30

Logo Penso: Fátima Bernardes e William Bonner

por Barbara Gomes

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Que seja infinito enquanto dure. No caso de Fátima Bernardes e Bonner foram infinitos 26 anos! E nos desfechos dos casamentos, cada um reage de um jeito, não é mesmo? Confira o vídeo completo!

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Quinta, 25 de Agosto de 2016 - 10:10

Logo penso: Neymar e Bruna Marquezine

por Barbara Gomes

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Depois do ouro no futebol masculino Neymar tá no holofote mais que nunca! Seja como mocinho ou bad boy, ele e a sua ex-futura diva Bruna Marquezine formam o casal mais comentado entre as celebridades. Veja a resenha completa:

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Quinta, 18 de Agosto de 2016 - 09:30

Logo Penso: Tá na mídia

por Barbara Gomes

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Alguém aí sabe quem é Larissa de Macedo Machado? É a bola da vez na mídia e só nesse ano já estampou mais de dez capas de revistas, e olha que não é modelo! A pessoa tá faturando tanto que comprou uma mansão avaliada em R$10 milhões. Quer saber mais? 

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Terça, 09 de Agosto de 2016 - 18:40

Luis Ganem: Soprando as velas, mas ainda com muito a falar

por Luis Ganem

Luis Ganem: Soprando as velas, mas ainda com muito a falar

O Bahia Noticias acaba de completar dez anos, e, parei para pensar em quantos textos já fiz ao longo desses anos, e o quanto a música mudou. Olha, fazendo uma conta por baixo, já escrevi ao longo desse tempo pelos menos umas duzentos e quarenta colunas voltadas para a nossa música, seja falando dela diretamente, ou dos seus entornos. 
 
Relembrando um pouco a minha história, minha chegada ao BN, se deu no ano de 2008, mais precisamente em agosto. Naquele ano, eu estava em um outro site fazendo a direção, quando em uma conversa com Ricardo Luzbel foi feito o convite, e fui escrever para a coluna HOLOFOTE. Na conversa chegamos a um denominador, que escreveria a partir daquele momento, sobre temas relacionado a música em geral principalmente a baiana, e todos os seus desdobramentos. 
 
Lógico, no começo ajustar a minha opinião pessoal sobre situações do dia a dia da música, em um texto de coluna, era algo que de antemão exigiria imparcialidade da minha parte, ou pelo menos bom senso ao criticar. Não queria ser de pronto um articulista da música, que ficasse batendo pelo simples prazer de bater.
 
E então, lá fui eu com a responsabilidade de tentar passar para o leitor, um pouco mais que as notas postadas em HOLOFOTE – o que diga-se de passagem, é umas das colunas mas acessadas do portal- dando expressão aos questionamentos que ouvia em conversas com profissionais do meio artístico, ou em e-mails que recebia, na sua maioria anônimo, instigado a que pudesse comentar sobre certos assuntos do mercado.
 
Olha, foi tanta coisa que falei, tanto assunto que reproduzi em texto, que vez ou outra fico perplexo em entender que ainda existem assuntos na música, esperando por textos a serem feitos. De pronto, alguns textos sempre me veem a mente quando lembro da minha história no BN. Textos como por exemplo o do nascimento do filho de Ivete Sangalo, quando em uma carta aberta, falei que ele receberia um manto sagrado com as cores azul, vermelho e branco com duas estrelas amarelas, e que com certeza ele iria gostar muito, a um texto feito sobre Saulo Fernandes, quando do lançamento do seu DVD gravado na Concha do TCA – pra mim uma das obras mais fantásticas do Axé nos últimos anos – em que dissequei um pouco a obra, entusiasmado em minhas linhas, com a complexidade simplória do cantor. Isso, são apenas dois do mais relevantes de tantos outros que aconteceram que agora não me veem a memória.
 
Fora isso, muitas outras coisas foram faladas esses anos. De colunas sobre artistas do porte de Marcio Vitor e Durval Lelis, passando pelos novos como por exemplo Daniel Vieira, Kart Love, Duas Medidas – para mim, a melhor banda da nova geração- dentre outras, a textos reflexivos, sobre o nosso momento musical, falei de quase um tudo. Lógico, sempre pautando entre um comentário voltado a algum ator desse nosso cenário, a um problema que precisava ser mais discutido, e que estava meio que fora de foco, e assim foi feito. 
 
Dai, lendo alguns desses textos, principalmente os voltados para a reflexão, me pergunto ou me levo novamente a refletir, se efetivamente algo mudou nesses dez anos do BN na música da Bahia. Como afirmar não posso, espero realmente, que algo tenha mudado, e se não, digo que ainda é tempo dos boçais colocarem sua cara a tapa, e fazerem algo que valha, ao invés de serem apenas boçais.
 
Rapaz, tem tanta coisa que gostaria de falar, tanto texto gostaria de comentar, que se fosse fazer levaria bem uns três textos falando sobre isso. Como não tenho esse espaço, fica aqui os meus parabéns a Samuel Celestino e Ricardo Luzbel e a todos que fizeram e fazem parte do BN.
 
Parabéns.
 

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