Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Fernando Duarte

Artigos

Josalto Alves
Um novo ciclo para o cacau da Bahia
Foto: Divulgação

Um novo ciclo para o cacau da Bahia

A cacauicultura baiana viveu nos anos 1970/80 o “ciclo do ouro negro”, uma das maiores fases econômicas da história do estado. Produzia cerca de 390 a 400 mil toneladas/ano, representava 90% da produção nacional e gerava mais de 200 mil empregos diretos. À época, o Brasil era o segundo maior produtor mundial, superado apenas pela Costa do Marfim.

Multimídia

Lídice comenta negociações com egressos do PP, critica sistema eleitoral e fala de expectativa de cadeiras do PSB

Lídice comenta negociações com egressos do PP, critica sistema eleitoral e fala de expectativa de cadeiras do PSB
A deputada federal Lídice da Mata, presidente estadual do Partido Socialista Brasileiro na Bahia, comentou as articulações da sigla para as eleições de 2026, criticou o atual sistema eleitoral e falou sobre as expectativas de cadeiras do partido no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa. As declarações foram dadas durante entrevista ao Projeto Prisma, podcast do Bahia Notícias, nesta segunda-feira (16).

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Fernando Duarte

Opinião: Zé Cocá vai de vice dos sonhos a Judas Iscariotes num piscar de olhos de Rui Costa
Foto: Gabriel Lopes/ Bahia Notícias

Ainda prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP) foi de vice dos sonhos a Judas Iscariotes para o grupo político que controla o governo da Bahia. A mudança radical foi em um curto espaço de tempo, dadas as apostas que, até há alguns poucos meses, o colocavam como um bom nome para ocupar a cadeira de vice na tentativa de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT). Coube ao ex-governador Rui Costa (PT) explicitar a pecha de traidor de Cocá, ex-prefeito em dois mandatos de Lafaiete Coutinho e, em breve, de dois mandatos na Cidade Sol. É o republicanismo teórico que só cabe quando serve para criticar adversários.

 

Entre ser prefeito de dois municípios, Zé Cocá exerceu um mandato temporário na Assembleia Legislativa da Bahia. À época, o Progressistas era base aliada de Rui Costa (João Leão era vice-governador), porém, ainda assim, o então governador dividiu o palanque em Jequié com uma candidatura do PSD - por questões não exclusivamente políticas, visto que a primeira-dama Aline Peixoto insistiu para que o deputado estadual fosse candidato dele nas urnas. Quando ganhou as eleições, Cocá fez movimentos para se aproximar ainda mais do governo do governo e houve reciprocidade de Rui. O resultado foram obras e intervenções na cidade governada por ele, tanto enquanto Rui estava no Palácio de Ondina quanto após a ascensão dele a ministro da Casa Civil (e todo o poderio de gerentão que o acompanha).

 

Reeleito em 2024 com o melhor percentual da Bahia - mais de 90% dos votos -, Zé Cocá se tornou a "menina dos olhos" do governo, na região de origem de Jerônimo, onde o próprio governador não possui votos próprios. Antes mesmo do processo de fritura do atual vice, Geraldo Jr., capitaneado por Rui Costa, o nome do prefeito de Jequié subiu nas bolsas das "bets dos bastidores": era o nome ideal para enfraquecer a oposição, pois a trajetória no PP seria um golpe de misericórdia contra os adversários. No entanto, nem todos acompanharam a estratégia. Especialmente, o principal envolvido - e interessado - na história: o próprio Zé Cocá.

 

Político conhecedor dos meandros das articulações, ao longo dos últimos meses, o prefeito de Jequié deu sinais trocados. Ora deixaria a oposição para se juntar ao governo, ora seria um apoiador da oposição na região que comanda, associado a cerca de 15 prefeitos. Quando estava ao lado do governo, era um exemplo de gestor. Quando flertava com a oposição, era um indeciso que preferia não sair do muro. Agora, que se encaminha para ser anunciado como vice na chapa do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), Zé Cocá se transmuta em pária para Rui, como se os laços pretéritos que os unem não tivessem nascido em uma rede que incluiu traições do lado do governo.

 

Apesar da condição de Judas estampada pelo governo e por Rui, Zé Cocá é sim o "vice dos sonhos". Entretanto, para a chapa da oposição ao petismo na Bahia. E, dentro da democracia e do republicanismo que Rui e seus compadres tanto pregam, não há espaço para rebaixar a política a adjetivos mesquinhos. Ainda mais quando quem os profere acumula relações bem pouco fiéis e leais. E olha que nem tive linhas para relembrar episódios com Lídice da Mata, Fernando Haddad, Jaques Wagner, Angelo Coronel, Geraldo Jr. e o próprio Jerônimo Rodrigues. Às vezes, olhar o próprio umbigo faz bem para quem fala sobre os outros. Zé Cocá pode sair maior dessa eleição do que ao entrar, ainda que as urnas possam não ser favoráveis a ele. (Atualizado às 12h03 para corrigir a informação sobre o apoio de Rui Costa a Zé Cocá em 2020)

Opinião: Lodo do Banco Master também atinge muita gente na Bahia

Por Fernando Duarte

Opinião: Lodo do Banco Master também atinge muita gente na Bahia
Foto: Claudio Gatti

O escândalo do Banco Master tem abalado estruturas da República, especialmente nos altos círculos do poder em Brasília. Os sucessivos vazamentos ampliam as especulações de quem pode ser atingido pelo lodo revolvido por Daniel Vorcaro e a trupe dele. Todavia, na Bahia, o alerta vem de ativos adquiridos e posteriormente vendidos pelo Banco Master, ligados ao CredCesta, que serviram de catapulta para que o banco escalonasse o acesso a movimentações financeiras milionárias.

 

Apesar da tendência a demonizar as relações criadas entre as elites políticas e econômicas, é preciso ter cuidado para não colocar tudo em um mesmo balaio. Há promiscuidade nessas relações – dada as especificidades das informações que circularam relacionadas a Vorcaro. Todavia, nem todo contato resultou em conexões sombrias para enriquecimento ilícito e/ou desvios de recursos públicos. Por essa razão, a investigação formal, feita pelas autoridades competentes, é fundamental para que os desdobramentos não afetem os rumos do Brasil – e da Bahia, já que uma parte importante do escândalo registra o nascedouro aqui.

 

Até aqui, políticos baianos das mais diversas matizes foram citados, direta ou indiretamente, por proximidade com um coadjuvante no episódio do Master, o empresário Augusto Lima. A começar pela venda da Cesta do Povo para ele, durante a gestão do então governador Rui Costa e sob influência do então secretário do Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner. Depois, já durante o governo de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, os laços se estenderam ao então ministro da Cidadania, João Roma.

 

Na última semana, foi a vez de ACM Neto aparecer na tela, com o recebimento de R$ 3,6 milhões do Banco Master, identificados por notas fiscais emitidas por uma empresa da qual ele é sócio. Ou seja, da mesma forma que os tentáculos de Vorcaro se espraiam em Brasília, o caminho é similar na Bahia. No caso de ACM Neto, entretanto, foi a primeira vez em que apareceram cifras ao lado de um nome da cena política baiana, ainda que tudo registrado e, pelas justificativas dadas, lícito.

 

A lógica do uso das folhas de pagamento funcional para crédito consignado, criticada após a publicação de que a prefeitura de Salvador concedeu exclusividade ao CredCesta, se repete entre o funcionalismo estadual e não houve o mesmo alarde. E, no caso do governo da Bahia, os limites para consignado junto a esse ente bancário é maior do que para outros similares. Prefeituras da Bahia, como Alagoinhas e Ilhéus, também usaram o mesmo expediente para “garantir” acesso a crédito aos servidores públicos utilizando o modelo criado a partir da venda da Cesta do Povo para a iniciativa privada. À época da assinatura dos convênios, os gestores eram do PSD, o que acaba por confirmar que a teia de relações políticas e econômicas não obedece a ideologia – e não necessariamente são ilegais ou imorais.

 

É óbvio que ilicitudes devem ser investigadas e punidas. Contudo, a partir de vazamentos seletivos e limitados, é preciso tomar muito cuidado para não criminalizar ainda mais a atividade política que, por vezes, é problemática. Para Vorcaro e companhia chegarem aonde chegaram foi necessário desenvolver habilidades que incluem o trânsito com atores do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. E com todos os espectros políticos possíveis. Sob o risco de vivermos um vórtex parecido com a Operação Lava Jato que, ao fim e ao cabo, nos legou bem menos do que prometeu.

Opinião: Números de Flávio Bolsonaro viram um problema para “direita limpinha” e ACM Neto
Fotos: Edilson Rodrigues/ Max Haack

Ainda que parte da direita brasileira celebre que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tenha aparecido bem em sondagens de opinião para a Presidência da República, na Bahia qualquer consolidação do filho de Jair Bolsonaro como único candidato viável desse estrato político preocupa ACM Neto (União). Pesquisas quantitativas e qualitativas apontam que a associação com o clã Bolsonaro torna um candidato pesado demais para enfrentar a tendência lulopetista observada na Bahia desde 2002.

 

Há quatro anos, ACM Neto optou por não se comprometer na corrida pelo Palácio do Planalto. No primeiro turno, fingiu apoiar a candidatura do próprio partido, de Soraya Thronicke, enquanto, no segundo turno, dava indícios de não ser a favor de um novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva ao mesmo tempo em que mantinha distanciamento regulamentar de Bolsonaro. Permaneceu em cima do muro, apesar dos adversários o colocarem dia sim e outro também como bolsonarista de carteirinha – o que, frisemos, nunca foi um fato.

 

Para essa “direita limpinha”, o cenário ideal era que Bolsonaro e sua estirpe fossem afastados da cena política. Até o final do ano passado, quando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ainda flertava com a candidatura a presidente, tudo parecia bem. Porém, sabedor que perderia ascendência sobre um orbe que segue a família independente de qualquer coisa, Jair fez uma opção, da prisão, de lançar o filho mais velho como sucessor do legado familiar. A história do bolsonarismo, então, passa a ser reescrita com uma versão mais leve e menos densa, como uma pitada de moderação que inexistiu desde 2018.

 

Agora, com Flávio se mostrando competitivo eleitoralmente, esse grupo político precisa traçar um cenário em que existe uma alternativa da direita que não passe pelo clã fluminense – especialmente no Nordeste, onde Lula e as políticas com perspectiva social adotadas fazem diferença no dia a dia da população. Para ACM Neto, essa possibilidade seria a candidatura do PSD, seja com o ex-correligionário Ronaldo Caiado, seja com nomes tão menos expressivos eleitoralmente quanto, como Ratinho Jr. e Eduardo Leite.

 

Contudo os números apresentados até aqui pelos nomes do partido de Gilberto Kassab mostram que não vai ser fácil manter uma candidatura até o fim, principalmente se o capital financeiro fizer uma opção clara por Flávio Bolsonaro – ou mesmo por Lula, dado que a perspectiva de vitória move montanhas para interesses econômicos. Caso Kassab e a turma da terceira via siga com viabilidade excessivamente questionável, a eleição nacional tende a manter a polarização vista nos dois últimos pleitos, com a possibilidade até de uma decisão em um único turno (improvável, convenhamos).

 

A oposição na Bahia precisa de uma candidatura de direita que não seja bolsonarista para chamar de sua para tentar lidar com a força de Lula já consolidada por essas bandas. ACM Neto sabe disso e não deixa de trabalhar para que haja uma alternativa que o permita criticar os governos petistas sem o jogar integralmente para o lado de Flávio Bolsonaro. Além, é claro, de resistir à pressão que o PL vai fazer para que a dobradinha entre a candidatura dele e Flávio exista na campanha. Sob o risco de entrar na disputa com sérios problemas para ele próprio se manter viável.

Opinião: Pesquisa Séculus anima oposição e acende alerta para o governo com números de Lula
Fotos: Reprodução / TV Bahia e Reprodução / Youtube

Não há cenário de vitória antecipada ou de terra arrasada para o governo ou para a oposição na Bahia. Há uma indefinição grande sobre os rumos das urnas no próximo mês de outubro e é isso que se presume a partir da pesquisa Séculus divulgada nesta quarta-feira (4) pelo Bahia Notícias. Apesar da margem de frente apresentada pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), o percentual de largada de Jerônimo Rodrigues (PT) é relativamente positivo, principalmente quando se dispõe de uma máquina a seu favor.

 

De certo, a única conclusão palpável é que a chance de uma disputa baiana em dois turnos é bem remota. Sem uma candidatura como a de João Roma (PL), em 2022, que “reservou” parte dos votos numa terceira via, o embate entre Jerônimo e ACM Neto, que se viu no final de outubro daquele ano, caminha para se repetir em 2026. Ou seja, as candidaturas do Novo e do PSOL podem demarcar posição, mas só e apenas isso.

 

Tal qual aconteceu há quatro anos, ACM Neto possui recall eleitoral explicado pela administração em Salvador e pela própria história que o nome carrega. Já Jerônimo Rodrigues não é mais um ilustre desconhecido, o que diminui a margem de crescimento que vimos no passado. Somado às rejeições que ambos apresentam, formam-se linhas tênues para falar em favoritismo de um ou de outro – ainda que haja esforço para descredibilizar a pesquisa por parte dos governistas, enquanto a oposição celebra os dados apurados.

 

Para além da pesquisa para a corrida ao governo da Bahia, é preciso avaliar também os números apresentados na disputa ao Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não atinge (ainda) 50% das intenções de voto em um primeiro turno. Mesmo em uma segunda rodada de disputa, contra Flávio Bolsonaro, não atinge o percentual. É esse o principal alerta que os governistas tendem a ficar de olho, visto que não há de se falar em crescimento de Jerônimo sem o crescimento de Lula na Bahia.

 

Em 2022, o grupo de ACM Neto lutava para que Lula não atingisse 70% dos votos. Terminou o segundo turno com 72,12%. Em 2026, a leitura é que o presidente não poderia atingir 60% dos votos – especialmente quando a disputa local deve se limitar a um único turno. Então o esforço da oposição é tentar conter o avanço de Lula e a potencial “transferência” de votos dele para Jerônimo. Caso atinjam o intento, as chances de vitória oposicionista aumentam, razão pela qual existe a esperança do grupo.

 

Acreditando ou duvidando das pesquisas, os levantamentos mostram caminhos e expectativas a serem cumpridos pelos envolvidos no processo eleitoral. E eles servem, especialmente, para animar os bastidores da política local – quer amando, quer odiando os resultados.

Opinião: Na janela, partidos e candidatos colocam na ponta do lápis por onde vão disputar eleição
Foto: Gemini

As próximas semanas serão decisivas para as construções das chapas proporcionais para deputado federal e deputado estadual. Trata-se da aguardada janela partidária, quando os parlamentares podem trocar de legenda sem correr o risco de terem os mandados reivindicados. Assim, é nesse período que se consolidam as alianças para definir quem fica e quem sai, bem como a lista daqueles que desejam se candidatar em outubro (o prazo limite para filiação acontece no início de abril).

 

Na Bahia, será o período para observar se a promessa de crescimento do Avante, reestruturado após 2022, vai se confirmar. À época em que Ronaldo Carletto assumiu a direção, havia a expectativa de uma robusta bancada na Assembleia e a filiação de ao menos Neto Carletto - essa deve ser a única 100% confirmada. Essa janela será interessante para entender a robustez com que a sigla chega nas urnas, dado o desempenho bom nas disputas por prefeituras.

 

Outra expectativa criada em terras baianas é o destino dos egressos do Progressistas, que preferiram ficar com o governo Jerônimo Rodrigues ao invés de seguir o direcionamento nacional de ser oposição ao PT. O destino provável dos deputados estaduais deve ser o PSB, mas isso depende também da costura envolvendo a candidatura de João Campos em Pernambuco - em um contexto de que pode haver aliança ou não com o PT por lá. Já dois federais, Mário Negromonte Jr. e Cláudio Cajado tendem a ir para o PSD, ligeiramente atingido com a saída do clã de Angelo Coronel.

 

O PL também deve sofrer perdas já esperadas na Assembleia. Parte dos deputados eleitos na onda do bolsonarismo não são bolsonaristas e tendem a buscar outros caminhos para continuar na política. Esses, inclusive, tendem a ir para partidos da base aliada do PT, o que mostra que nunca foi uma questão ideológica estar filiado ao PL. Nada mais rotineiro no padrão sopa de letrinhas da política partidária nacional.

 

Há ainda a situação do PDT, que em 2022 esteve com a oposição e agora caminha para marchar com o governo. Léo Prates estaria inicialmente "apalavrado" com o Republicanos, enquanto Emerson Penalva não falou explicitamente qual destino deve tomar. Todavia, ambos estão certos a permanecerem como oposição a Jerônimo e devem fazer as contas sobre qual o melhor caminho a seguir.

 

É tudo uma questão de contas. Não há ideologia nesse processo partidário. Claro que alguns parlamentares conseguem construir o posicionamento com alguma base firme, mas oscilando, no máximo, entre governo e oposição. A fidelidade partidária no Brasil é fluída demais para encararmos com surpresa quaisquer mudanças que venham a acontecer até o final da janela partidária, em abril.

Opinião: Wagner furta protagonismo de Jerônimo tal como fez com Rui e constrói para si papel central nas relações políticas
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador Jaques Wagner é considerado um dos grandes nomes da política baiana nessa primeira metade do século XXI. E não somente os aliados dele pensam assim, tanto que adversários costumeiramente fazem elogios à postura republicana com que lida com os problemas. No entanto, ao longo dos últimos anos, Wagner tem trazido para si outra marca: a de roubar o protagonismo daqueles que ele mesmo prega serem protagonista.

 

Na última sexta-feira, o senador anunciou a chapa de Jerônimo Rodrigues completa, tendo ele próprio e o ministro Rui Costa como candidatos ao Senado e Geraldo Jr. como vice. Dois dias antes, Wagner disse ao Bahia Notícias que somente Jerônimo poderia anunciar Geraldo Jr. como vice, porém, enquanto o governador estava na Índia com a comitiva de Luiz Inácio Lula da Silva, ele o fez sem parcimônia.

 

A saída de Angelo Coronel do grupo também passou por declarações públicas do senador. Ele foi quem primeiro defendeu a chapa "puro-sangue" petista e construiu o caminho para que o parceiro de Senado fosse colocado à margem e praticamente como um inimigo do grupo. Nessa situação, porém, o movimento pareceu bem orquestrado e até combinado com os outros envolvidos.

 

Não é a primeira vez que Wagner tem uma atuação assim sobre chapas majoritárias. Em 2022, foi ele quem antecipou que Rui não cumpriria o acordo de renunciar para ser candidato a senador. O resultado foi a saída de João Leão do grupo político, magoado e bastante chateado por ter sido informado da situação por uma entrevista concedida por Wagner na Rádio Metrópole. Rui, protagonista na resolução da crise, acabou relegado a coadjuvante no processo e cumpriu o mandato como governador até o final - afinal, não poderia deixar a cadeira para alguém que se tornou adversário.

 

Em 2024, coube a Wagner alimentar o sonho insosso de Geraldo Jr. ser candidato a prefeito de Salvador, prometendo apoio da esquerda para o vice-governador. Bancou a ideia até o final e "convenceu" Jerônimo que era uma boa ideia para enfrentar um prefeito bem avaliado e candidato à reeleição (Bruno Reis) apostar num ex-aliado, que saiu do grupo como franco atirador. A derrota não foi apenas acachapante, como constrangedora, já que o PSOL ficou com a segunda colocação. Mais uma vez, o timoneiro do grupo foi Wagner ao invés de Jerônimo, como se pregava na época. E olha que nem dá pra argumentar que o anúncio da permanência de Geraldinho como vice é um abono para o episódio de 2022, já que aquela eleição foi quem balançou o tamanho do vice.

 

No âmbito partidário, o democracia petista também lida com a batuta de Wagner, que controla discretamente as decisões do núcleo duro do PT na Bahia. Tanto que, há alguns anos, o presidente regional do partido só é eleito se tiver a anuência do ex-governador - e olha que Rui até tentou ter o mínimo de ascendência e ficou como a terceira pessoa depois de ninguém nos últimos pleitos. O senador é quem dá as cartas, simulando muito bem a construção do consenso entre os pares e sem dar margem a questionamentos.

 

É impossível falar de política da Bahia sem falar de Jaques Wagner. Porém é preciso também analisar com cautela os episódios em que ele antecipa aliados e reforça o próprio protagonismo, impondo funções de coadjuvante para quem não coaduna integralmente com a forma e o método utilizados por ele. Nesse caso, figuras como Rui Costa e Jerônimo Rodrigues serão meros satélites dele. E Wagner não apenas sabe disso, como também alimenta isso.

Opinião: Presença de Lula fortalece política no Carnaval ao mesmo tempo em que enfraquece aliados
Foto: Ednei Cunha/ Bahia Notícias

A vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo que numa passagem de cerca de 2h pelo Circuito Osmar, no Campo Grande, fortaleceu o debate político na capital baiana em 2026. No entanto, boa parte das atenções ficou centrada no presidente, o que impossibilitou que outros atores, especialmente do lado do governo Jerônimo Rodrigues, assumissem algum tipo de protagonismo. Lula, aonde quer que vá, concentra os holofotes e “apaga” o entorno. Foi um risco programado pelos aliados, imagino.

 

Entretanto, em um ano eleitoral, o foco ideal deveria ser permitir que nomes como o próprio Jerônimo conquistassem um maior destaque. Não foi o que houve. Nas interações com a imprensa e com o público, concentradas no Circuito Osmar, o governador não conseguiu atrair atenções, seja com boas aspas, seja com uma ação mais contundente – em reação a eventuais críticas da oposição pela presença de Lula, por exemplo. O vice-governador Geraldo Jr. (MDB) seguiu como coordenador do Carnaval e, outra vez, também não fez jus ao título figurativo dado ainda no primeiro ano da administração de ambos.

 

O ministro Rui Costa, que nos últimos anos se manteve alheio ao Carnaval, pareceu até um vibrante folião – algo que contradiz a própria história. Falou com a imprensa na abertura da folia, para garantir que Quinho (PSD) permanece ao lado dele, fugiu no sábado quando chegou momentos antes de Lula no Camarote do Governo e no domingo ativou um modelo não visto até então, quando subiu no trio elétrico do Camaleão, com Bell Marques. Quase um bellzeiro típico, como nomes da oposição como Elmar Nascimento, que também marcou presença no trio.

 

O outro integrante da chapa, Jaques Wagner, apareceu no último dia de Carnaval e disse que preferia não falar de política. Como se fosse possível, um senador candidato à reeleição não falar de política em um ano eleitoral. Porém houve o esforço e isso deve ser reconhecido. Ainda que, mais uma vez, tenha defendido publicamente a permanência de Geraldo Jr. na chapa, ante a fala de Jerônimo em tentar postergar esse debate.

 

Lula fortaleceu esse lado da cena política. Mas afastou, por exemplo, que momentos tradicionais para uma espécie de beija-mão clássico acontecesse. Na saída do Ilê Ayiê, no Curuzu, somente figuras de menor destaque prestigiaram o mais belo dos belos. Para a sorte da população – e da imprensa -, o presidente optou por não ir até a Liberdade e acabou esvaziando um momento bem típico do Carnaval da capital baiana.

 

Lula e o governo da Bahia ainda surfaram na passagem do trio Navio Pirata, da BaianaSystem, patrocinado pela prefeitura de Salvador. Foi uma espécie de festa paga pelo grupo adversário, o que rendeu provocações nos bastidores – algumas até pouco comedidas. Do lado da oposição ao governo, a resposta foi até cortês, sugerindo que não haverá retaliações por eventuais excessos nas odes à Lula – seja por Russo Passapusso ou por Thiago Aquino, que também foi bancado pela gestão de Bruno Reis.

 

O prefeito, mais uma vez, conseguiu aproveitar bem a janela de visibilidade que o Carnaval permite. Tanto ele quanto os secretários não lidaram com grandes entraves, apesar de alguns pequenos episódios de tensão, como atrasos de trios e a superconcentração de pessoas no Circuito Dodô no dia da passagem de Anitta, que felizmente não terminou em tragédia. Com um Carnaval tranquilo, não houve razões para grandes ataques por parte da oposição, ainda que a ausência dele no Campo Grande quando Lula esteve tenha sido um ponto explorado por adversários.

 

No entanto, como a visita do presidente não foi institucional, Bruno acabou encontrando uma justificativa menos esfarrapada para não o receber. No domingo, o prefeito chegou a dividir holofotes com seu antecessor, ACM Neto, que há algum tempo não participava desse dia da folia no Campo Grande. Por se tratar de ano eleitoral, o ex-prefeito aproveitou a popularidade do aliado e circulou pela imprensa do interior que cobre o Carnaval, tal qual Jerônimo fez. Ou seja, equilibrou a visibilidade alcançada pelo atual governador nesse quesito.

 

Se 2026 é ano de urnas, o Carnaval foi, novamente, mais morno do que em outras oportunidades. Como não houve nenhuma grande celeuma recente – a saída de Angelo Coronel da base do governo é tratada como superada – e Lula acabou ofuscando outros temas, Momo deixou os políticos bem tranquilos para curtir a folia. Notícia teve. Só não lidamos excessos nem a repercussão que os detentores de voto sempre desejam.

Opinião: Otto vence a batalha contra Coronel no PSD, mas Kassab é quem pode ditar o fim da guerra
Foto: Reprodução/ Muita Informação

A batalha final do PSD da Bahia parece ter acontecido ao longo da última semana entre o senador Otto Alencar, que preside a sigla, e o ex-aliado Angelo Coronel. No entanto, há quem diga que os fatos subsequentes à filiação de Ronaldo Caiado ao PSD, com o aval de Gilberto Kassab, foram somente uma parte da guerra declarada entre os socialdemocratas – seja no plano estadual, seja no plano federal.

 

Diferente da postura adotada até 2022, quando o PSD funcionava como uma espécie de apêndice de outras legendas, Kassab abriu uma ofensiva ao longo do atual ciclo eleitoral como pouco se viu. O partido, que representa o limite do centro, com um pé em cada governo, independente de quem esteja governando. Seja sob a égide de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro ou Luiz Inácio Lula da Silva, sempre houve alguém ligado ao PSD no governo, mostrando o quão camaleônico Kassab e a legenda podem ser. Pelo menos, foi assim até agora.

 

A sigla saiu das urnas em 2022 com dois governadores: Ratinho Jr. (Paraná) e Fábio Mitidieri (Sergipe). Aproveitou a fragilidade do PSDB e herdou mais dois, Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Raquel Lyra (Pernambuco). As filiações dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e de Rondônia, Marcos Rocha, completam a atual lista de chefes de Executivo socialdemocrata, evidenciando uma ofensiva até então não vista sob as asas de Kassab. Metade desses governadores são potenciais candidatos à presidência: Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

 

É nesse cenário que o PSD da Bahia vai acabar entrincheirado. É improvável que, com um palanque nacional, a Bahia fique sem permitir a formação de um palanque local para o candidato à presidência. Ainda que Otto Alencar tenha repetido publicamente, em diversas oportunidades, que o PSD daqui é Lula até o fim. Nos bastidores, todavia, há leituras de que não é tão simples quanto Otto tenta pregar. Por isso há a aposta de que a batalha pode ter sido vencida por ele, mas não a guerra eleitoral.

 

Fontes do próprio PSD indicam que a candidatura à reeleição de Angelo Coronel foi rifada a contragosto dos filiados. Otto garantiu o apoio a reeleição de Jerônimo Rodrigues, independente do correligionário estar na chapa majoritária. Por isso, a pecha de traidor começa a circular, especialmente no interior do estado. O movimento de Coronel, de encontrar com Kassab após a filiação de Caiado, foi escolhido então para um revés: de traidor, Otto passa a ser o traído, justificando o empurrão do compadre para a oposição.

 

Obviamente, para o PT e o entorno de Jerônimo, o momento foi icônico, já que a briga interna do PSD justificaria integralmente a chapa puro-sangue desejada, com Jaques Wagner e Rui Costa como candidatos ao Senado. Juntaram a fome com a vontade de comer e o resultado é o retrato vivido ao longo dos últimos dias.

 

Otto fez questão de cobrar de aliados declarações públicas de apoio. Entre eles, alguns dos insatisfeitos com o fato do dirigente ter escanteado Coronel, mas que sabem dos riscos de discordar do presidente do PSD. Publicamente, somente sorrisos. Nos bastidores, a tensão implícita, exposta com vídeos “espontâneos” de visitas e relatos de aliança inquebrantável.

 

Só que a ambição nacional do PSD de Kassab pode criar mais um revés nesse processo. Com a possibilidade de uma candidatura de centro-direita viável – e a chance, ainda que remota, de ACM Neto migrar para a legenda -, manter a postura de independência e liberdade de Otto na Bahia é não saber separar os fios de bigode que tenham sido alinhados entre os envolvidos. Entre ver o partido crescer expressivamente com candidatos ao Planalto, aos governos (incluindo Minas Gerais, cujo vice de Romeu Zema deve tentar sucedê-lo pelo PSD), e bancadas relevantes na Câmara e no Senado, bancar o alinhamento automático com o PT baiano vale a pena? Nem Otto, nem Coronel, muito menos o PT da Bahia, podem responder. Com a palavra, Gilberto Kassab, a iminência parda da República...

Opinião: Adversário na Bahia, PSD pode ser “tábua de salvação” do bolsonarismo para ACM Neto
Foto: Max Haack/ Ag. Haack

A chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD deu uma nova “tábua de salvação” para que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), não receba o carimbo efetivo de bolsonarista. O ex-correligionário abriu espaço para que o candidato a governador da Bahia não se sinta constrangido em apoiar um candidato filiado a um partido que, em terras baianas, marchará com o projeto de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT).

 

O entorno de ACM Neto sabe que é imprescindível que ele tenha um candidato à presidência da República para chamar de seu. Em 2022, a ausência de um nome com musculatura política suficiente (convenhamos, Soraya Thronicke está distante de mobilizar eleitores) para tracionar a campanha dele na Bahia foi um dos empecilhos no processo eleitoral. E ninguém quer repetir os erros para ter uma campanha natimorta.

 

A candidatura de Ronaldo Caiado pelo União Brasil seria o plano ideal para o ex-prefeito de Salvador. Tanto que, até os últimos momentos, ACM Neto tentava equacionar a rusga entre o governador de Goiás e o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas e figura com poder de veto na federação União Progressista. Sem entendimento, ou Caiado migrava para outra sigla ou estaria sem abrigo para ao menos tentar ser candidato em outubro.

 

No PSD, o goiano se juntou aos governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) dando margem para uma reorganização da direita brasileira, distante do bolsonarismo e do extremismo. É um esforço do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, para construir, ao menos na narrativa, um discurso de terceira via, numa região mais “central” do espectro político, longe do bolsonarismo e equidistante do petismo/ lulismo do atual governo.

 

Esse cenário se torna, então, um terreno fértil para candidatos de direita que preferem não ser umbilicalmente ligados ao bolsonarismo. E, por mais que os adversários tenham pregado que ACM Neto aderiu ao programa e ao governo de Jair Bolsonaro, após a pandemia ele se manteve afastado da errática condução política feita pelo ex-presidente. Em um estado tradicionalmente lulista e governado pela esquerda há 20 anos, desembarcar com os dois pés no projeto apresentado por Bolsonaro seria uma estratégia kamikaze até para desesperados políticos.

 

Houve a apresentação formal do apoio do PL à candidatura do ex-prefeito da capital baiana. Adversário em 2022, João Roma deve integrar a chapa de ACM Neto como candidato ao Senado e, seguindo orientação do PL nacional, caminha para construir um palanque para Flávio Bolsonaro, herdeiro de Jair no esforço para manter ativos políticos. Ou seja, o candidato do União Brasil já estaria, a partir daí, flertando com o bolsonarismo, ainda que a contragosto.

 

O PSD com Caiado, Ratinho Jr. ou Eduardo Leite representa a possibilidade de um palanque aberto, com mais de um candidato a presidente dialogando com o grupo político da oposição baiana. Deve ser essa a estratégia a ser adotada por ACM Neto, já que a União Progressista tende a não apresentar candidatura própria e o governador de Goiás trouxe uma janela de oportunidade até então intransponível (o PSD da Bahia continuará com Jerônimo Rodrigues a qualquer custo). É isso ou morrer na praia, ainda que haja uma disputa acirrada.

 

A dubiedade dessa situação é bem a cara da política brasileira. Especialmente quando lidamos com o centro, que se torna o fiel da balança no Congresso Nacional e, em 2026, pode criar musculatura suficiente para negociar melhor os dividendos de uma campanha eleitoral ao Planalto ou nos estados. Difícil é conseguir entender os imbricados interesses envolvidos. Enxergar um desses interesses como uma “tábua de salvação” é uma forma mais simples de desenhar o que estamos assistindo.

Opinião: Candidatura do PSD à presidência gera trunfo para Coronel seguir como nome para reeleição
Foto: Reprodução/ Muita Informação

O impacto na cena nacional da chegada do governador de Goiás Ronaldo Caiado ao PSD foi uma surpresa que embolou o tabuleiro das candidaturas à presidência da República. E, indiretamente, ajudou o senador Angelo Coronel a ganhar um trunfo para manter a tentativa de reeleição. Por mais que o presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar, indique não haver espaço para um palanque para candidatura nacional do PSD na Bahia, as chances de Kassab aceitar de bom grado tal posicionamento é bem pequena – e não há amizade que abra essa possibilidade.

 

Como, para o PT, o projeto de eleição de governador da Bahia continua como prioritário – não apenas localmente, mas como estratégia para dar a Lula uma margem ampla de votos na Bahia -, a chapa puro-sangue pode ser desfeita antes mesmo de ter sido imposta. Perder o PSD – ou apenas a porção ligada a Coronel do partido – é uma aposta alta demais para quem sabe que há muito a perder com um racha dentro do principal aliado. É com base nisso que o nome de Coronel volta a circular com chances de entrar na chapa governista.

 

O problema é encontrar o espaço para que o senador seja candidato à reeleição. Jaques Wagner se disse candidato à reeleição no Senado mais de uma vez. Rui Costa anunciou a saída da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva em março para ser candidato a senador. E, até aqui, Jerônimo Rodrigues não tende a ser substituído como candidato ao governo; portanto, é candidato à reeleição. Na bola dividida, alguém teria que ceder e, com tantos fidalgos, é raro termos altruísmos na cena política. A chapa imbatível se torna, então, uma chapa mais frágil, ainda que Coronel não faça jus a musculatura política que imputam a ele.

 

Caso não haja essa possibilidade de Coronel candidato à reeleição na chapa do governo, o senador teria duas opções: uma candidatura avulsa, garantindo um palanque independente para o candidato à presidência da República do PSD, ou migrar para a oposição, ainda que, formalmente, o PSD esteja coligado com o PT na Bahia. É um jogo dúbio, que não seria uma novidade no ambiente eleitoral. Todavia, em ambos os casos, o PT perderia bastante numa eleição que pode ser decidida com diferença menor que 5% dos votos.

 

A oposição da Bahia, que necessitava de uma candidatura ao Palácio do Planalto distante do bolsonarismo para não cair no colo de Flávio Bolsonaro, viu na possibilidade de um nome do PSD um salva-vidas. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), que assistiu ao nome de Ronaldo Caiado não permanecer como viável na federação União Progressista (graças a um veto de Ciro Nogueira), agora ganhou a oportunidade de sair do muro sem um prejuízo se tornar iminentemente anitlulista.

 

Os agora três presidenciáveis do PSD, Caiado somado aos também governadores Ratinho Jr. e Eduardo Leite, podem adotar um tom de moderação ideal para transitar entre o antipetismo e a extrema-direita bolsonarista, tornando-se uma “terceira via”. ACM Neto pregou isso em 2022 e ainda assim foi tachado de bolsonarista pelo petismo, ainda que o número de votos de Lula tenha sido muito maior que os captados por Jerônimo Rodrigues no segundo turno. Agora, sem uma candidatura da federação União Progressista, o ex-prefeito fica mais “livre” e sem grandes restrições de palanques – podendo apoiar outros nomes que não Lula ou a representação do bolsonarismo nas urnas, o senador Flávio Bolsonaro.

 

Para Coronel, então, o benefício de forçar o PT a aceitá-lo na chapa governista ou de conseguir tornar a candidatura dele à reeleição como independente ou de oposição é um trunfo e tanto. O movimento de Kassab quase que obriga que ele esteja nas urnas. A escolha de qual caminho seguir, todavia, não é apenas dele. Depende do PT da Bahia engolir a seco um aliado nem tão aliado assim ou encará-lo como um adversário integralmente.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
O Soberano tem se dedicado pra parecer do povo, mas antes precisa abandonar o Ferragamo - o sapato, não o mayor. Aliás, o tema "lealdade" tem circulado cada vez mais por aqui. O Cavalo do Cão que o diga. Mas acabou sobrando até pro Cocar. Aproveito para deixar aqui uma dica importante: em tempos de IA, cuidado pra não votar na pessoa errada. Principalmente na que não existe... Saiba mais!

Pérolas do Dia

Angelo Coronel

Angelo Coronel
Foto: Victor Hernandes / Bahia Notícias

"Aqui não existe puro sangue, está todo mestiço". 


Disse o recém-chegado ao Republicanos após deixar o PSD, senador Angelo Coronel ao falar sobre o andamento das articulações para a definição da chapa majoritária encabeçada por ACM Neto (União) para a eleição de outubro na Bahia.

Podcast

Projeto Prisma entrevista deputado federal Bacelar nesta segunda-feira

Projeto Prisma entrevista deputado federal Bacelar nesta segunda-feira
O Projeto Prisma entrevista nesta segunda-feira (23) o deputado federal Bacelar (PV). O programa é exibido ao vivo no YouTube do Bahia Notícias a partir das 16h, com apresentação de Fernando Duarte.

Mais Lidas