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Entrevistas
Celeiro de craques históricos, a base do Vitória ganhou fama internacional ao longo dos anos e hoje vive um processo de reconstrução, assim como todo o clube desde a virada de chave iniciada durante a Série C de 2022. Após um período sem protagonismo dos jogadores formados no clube e de instabilidade do Rubro-Negro antes da arrancada iniciada naquele ano, o Vitória tem atualmente no goleiro Lucas Arcanjo, cria da base e hoje uma das referências do clube, um dos símbolos desse processo e da busca por dias melhores.
Após retornar à Série A do Campeonato Brasileiro Sub-20 ao conquistar o acesso no ano passado, o Vitória terminou a competição na 14ª colocação, com 20 pontos, três a mais que o Criciúma, 18º colocado e rebaixado ao lado de Avaí e Fortaleza. O ano de consolidação na elite, porém, contrastou com a eliminação na semifinal do Campeonato Baiano da categoria, diante do Fluminense de Feira, que acabou derrotado pelo Bahia na decisão. Com o resultado, o Leão viu o rival conquistar o octacampeonato consecutivo da competição e ampliou para nove anos o jejum de títulos estaduais da categoria, já que a última conquista aconteceu em 2017.
Para dar sequência ao processo de reconstrução, que já apresenta reflexos no elenco profissional através de jogadores como Lucas Arcanjo, um dos principais nomes da equipe, e Edenilson, que integra o grupo principal rubro-negro desde o ano passado, o Vitória acertou a contratação do experiente técnico Jonilson Veloso para assumir o comando do Sub-20, substituindo Mário Henrique na função.
Eleito o melhor treinador do Campeonato Baiano de 2023, Jonilson, que estava no Vilavelhense, do Espírito Santos, também realizou estágios no Bayern de Munique durante o período em que Pep Guardiola comandava a equipe alemã. Com passagens por Jequié, Ypiranga e Jacuipense, onde conquistou o acesso à Série C e o vice-campeonato do Campeonato Baiano, o treinador chega ao clube com a missão de desenvolver novos talentos e recolocar a base do Vitória em posição de protagonismo.
Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, Jonilson Veloso falou sobre o desafio de comandar uma das divisões de base mais tradicionais do Brasil, explicou os motivos que o levaram a aceitar o novo desafio e revelou bastidores do projeto, que terá como primeiro grande objetivo a preparação da equipe para a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha, em janeiro de 2027.
Bahia Notícias: O que pesou para você aceitar o convite do Vitória, especialmente deixando o futebol profissional para assumir o Sub-20?
Jonilson Veloso: Primeiro, o desafio. A gente tem dez anos de carreira, não só no futebol profissional, e chegou a pensar: "Será que estou dando um passo atrás?". Mas, por outro lado, encaramos isso como um desafio enorme, porque sabemos que a marca Vitória supera qualquer coisa.
Também pensamos muito no investimento futuro. Dar esse passo, aproveitando a marca Vitória, é uma oportunidade de valorização no mercado de trabalho. A divisão de base do Vitória dispensa apresentações. Os craques revelados pelo clube falam por si só. A marca do Esporte Clube Vitória, não só no profissional, mas também na base, é muito forte.
BN: Como aconteceu o contato com a direção do Vitória e quem integra a sua comissão técnica?
JV: O primeiro contato foi feito pelo gerente de futebol, Ricardinho (Ricardo Amadeu), que me explicou e apresentou o projeto do Vitória. A gente tem uma comissão muito experiente. Temos o auxiliar técnico John Sugar, que recentemente era auxiliar da equipe profissional da Jacuipense; o preparador físico Léo Coutinho; o Victor Miller, treinador de goleiros da comissão anterior, que está há muitos anos no clube e foi atleta do Vitória; e o analista de desempenho Tomás.
Pela experiência e pela vivência dessa comissão, a equipe do Vitória pode esperar muitas coisas boas pela frente.
BN: Você tem cerca de uma semana conhecendo o clube antes do anúncio oficial. O que encontrou nesse período?
JV: Foi um período para me ambientar, conhecer as estruturas, as instalações e os departamentos do clube. Também começamos a analisar os elencos do Sub-20 e das outras categorias, como Sub-17 e Sub-16. Foi uma semana de adaptação ao clube, tanto para mim quanto para a comissão técnica. Agora já colocamos a mão na massa e estamos trabalhando, porque sabemos que nossa missão é difícil e o desafio é muito grande.
BN: Você também teve contato com o presidente Fábio Mota. Como foi essa conversa?
JV: Fomos apresentados ao presidente e ele me mostrou toda a estrutura do clube. No final, falou: "Olha o tamanho para onde você está vindo".
Isso é uma pressão a mais, mas estamos acostumados e preparados. O Vitória é uma equipe gigante do futebol brasileiro. Quem não conhece a estrutura do Vitória não tem dimensão do tamanho que é o clube. Fico muito feliz pelo convite e tenho certeza de que a equipe Sub-20 vai dar muitas alegrias à nossa torcida.
BN: Como você avalia o momento atual do Sub-20 do Vitória, que terminou o Brasileiro na 14ª colocação e caiu na semifinal do Campeonato Baiano, amargando nove anos sem título estadual na categoria?
JV: A equipe Sub-20 está se reestruturando. Alguns atletas, por força de contrato, terminaram seus vínculos e deixaram o clube. Membros da comissão também saíram. Então, estamos chegando para algo novo. Começamos praticamente do zero.
Ainda temos este período do ano para nos prepararmos para duas competições oficiais: a Copa Atlântico e, logo em seguida, em janeiro, a Copa São Paulo. Temos tempo para trabalhar. O departamento de análise de desempenho e o departamento de mercado estão trabalhando para trazer outros atletas e fortalecer a equipe.
O projeto do Vitória é ter uma equipe muito forte no Sub-20, porque é a categoria principal da base, aquela que prepara os atletas para o profissional. Esse é um dos motivos pelos quais está acontecendo essa reestruturação, para que no próximo ano possamos estar ainda mais fortes.
BN: Como foi a conversa com o técnico Jair Ventura?
JV: É um trabalho em conjunto. Precisamos trabalhar muito próximos para avaliar e analisar quais atletas do Sub-20 estão capacitados para serem inseridos na equipe profissional.
Essa integração é muito próxima. O Jair me desejou boa sorte, deu as boas-vindas e falou que eu estava chegando a um grande clube. Também disse que estava à disposição para o que precisássemos e que poderia nos ajudar.
BN: A Copa Atlântico será sua primeira competição oficial. O que o torcedor pode esperar da equipe?
JV: Na Copa Atlântico já teremos uma equipe com a nossa cara, claro que respeitando a identidade e a cultura do clube. Não vamos esperar a Copa São Paulo. Precisamos mostrar isso logo na primeira competição.
Temos tempo para adaptar os novos atletas que vão chegar e também aqueles que permaneceram à nossa ideia e ao nosso modelo de jogo. A expectativa é a melhor possível. Nosso intuito é sempre ser o melhor e fazer uma campanha melhor do que estamos acostumados a fazer.
BN: Já existe uma definição sobre o perfil do elenco que será levado para a Copa São Paulo de 2027?
JV: Ainda não. Estamos planejando porque temos tempo para isso. Geralmente, não se leva uma equipe formada apenas por atletas do último ano. Vai uma garotada mais nova para que eles possam amadurecer e vivenciar uma competição como a Taça São Paulo, que é uma das principais competições de base do país.
Vamos sentar ainda com o clube para definir o planejamento em relação à Copa São Paulo e aos atletas mais jovens que serão inseridos nesse processo.
BN: O Vitória tem jogadores da base retomando espaço no profissional, como Lucas Arcanjo e Edenilson. Como você enxerga essa geração e os atletas que podem dar esse salto?
JV: Vou ser muito sincero: ainda é muito novo para mim. A gente ainda está conhecendo o elenco e formando um novo grupo para as futuras competições. Mas isso é a identidade do clube. O Vitória sempre foi uma equipe que utilizou muitos jogadores da base e acho que isso precisa continuar. Quem acompanha o clube sempre viu garotos revelados aqui recebendo oportunidades.
Isso é um DNA do Vitória e não vai mudar. Em relação aos novos atletas que têm condições de chegar ao profissional, isso vai acontecer de acordo com o trabalho e com o tempo. Precisamos trabalhar e preparar bem esses atletas para que possam ser inseridos na equipe profissional.
BN: O Alisson Santos é um exemplo recente de jogador formado no Vitória que conseguiu se destacar no futebol europeu, mas no Leão não teve sequência. O que esse caso representa para o trabalho de formação?
JV: Isso é o futebol. Não existe uma fórmula. Como o DNA do clube é lançar atletas, eles serão lançados no momento bom e no momento ruim da equipe. É uma característica do clube.
O Alisson mostrou que o trabalho não estava errado. Talvez o atleta não tenha se saído tão bem naquele momento, mas, pela capacidade de todo o trabalho que foi feito anteriormente, ele conseguiu chegar a patamares maiores e hoje está no Napoli. Isso aconteceu com o Alisson e vai acontecer com outros jogadores que estão vindo.
BN: Quais características você considera fundamentais para transformar um jogador Sub-20 em um atleta profissional?
JV: Tirando a parte técnica e tática, a principal é a psicológica. Precisamos preparar o atleta para que, quando subir para a equipe principal, ele consiga absorver toda a pressão que será colocada sobre ele.
O atleta entra em campo e acaba sendo julgado em 90 minutos. É naquele período que ele é avaliado pelo que rende dentro da partida. Mas ninguém sabe o que acontece no dia a dia. Por isso temos essa preocupação com a parte mental, para que, quando eles subirem para o profissional, não sintam tanto essa pressão. Temos muitas conversas e também o auxílio da psicóloga, que acompanha e entende cada atleta.
BN: Que tipo de equipe o torcedor pode esperar do Vitória de Jonilson Veloso?
JV: O torcedor pode esperar uma equipe que gosta de se impor em campo, trabalhando a bola, tendo posse e controle do jogo. É uma posse de bola intencional e muito agressiva no último terço.
Sem a bola, vamos priorizar a compactação, com as linhas muito próximas para não dar espaço ao adversário nas transições. Perdemos a bola e já mudamos a atitude. É a pós-perda. Isso vai nos dar uma identidade, uma cara para a equipe do Vitória. O torcedor pode nos cobrar organização. A organização nós podemos dar. O que acontece lá dentro depende dos jogadores, mas podem ter certeza de que tudo isso será visto quando a equipe estiver em campo.
BN: Hoje existe um debate sobre a formação de jogadores no Brasil, principalmente sobre a redução de meio-campistas e camisas 10. Como você avalia essa mudança?
JV: O futebol mudou. Mudou em termos físicos, porque a intensidade passou a ser muito priorizada, mas eu sempre digo que, para ser um atleta de futebol, primeiro ele tem que jogar.
A parte técnica é fundamental. Independentemente de tamanho ou peso, ele tem que saber jogar. Eu priorizo sempre a parte técnica. Gosto do controle do jogo, de uma equipe que fique com a bola e tenha protagonismo.
A parte física é importante, mas, para mim, a técnica é o que mais sobressai. Passe, domínio, condução e finalização são fundamentos que precisam ser muito bem trabalhados e refinados.
BN: O Vitória também tem buscado jogadores fora do estado e do país, como Alejandro Amaraz, camisa 10 da equipe sub-20. Você pretende manter esse olhar para o mercado?
JV: Esse olhar precisa existir. Até porque, para ele ser contratado, não foi pela parte física, mas pela técnica.
O clube precisa ter esse olhar, mas também não podemos esquecer a nossa própria identidade. Quantos jogadores o Vitória revelou com muita qualidade técnica? Isso é tradição do clube.
O Barradão também contribui para isso. O Vitória sempre foi uma equipe que se impõe aqui, e isso cria jogadores técnicos, jogadores que gostam da bola. Às vezes deixamos isso passar em algum momento, mas precisamos resgatar. Primeiro, o atleta precisa ser muito bem tecnicamente. Depois vêm as valências físicas, que vamos desenvolvendo.
BN: Você já conseguiu identificar algum jogador do atual elenco que tenha chamado sua atenção?
JV: Sim, mas não vamos falar nomes ainda. Posso garantir que tem gente boa. Temos jogadores de qualidade e vamos vir fortes.
As peças estão dentro de casa. Só precisamos ter uma paciência maior, trabalhar bem e preparar esses atletas. Acho que a solução está aqui dentro. Temos muitos jogadores com qualidade para estar jogando no profissional.
BN: Você foi eleito o melhor treinador do Campeonato Baiano de 2023. O que mudou daquele Jonilson Veloso para o treinador que chega hoje ao Vitória?
JV: Mudou muita coisa. Quando comparamos o início da carreira com hoje, vemos uma evolução muito grande. Aprendemos o que não devemos fazer e o que devemos transmitir e mostrar. Dentro disso, amadurecemos com as situações que vivemos no dia a dia e nos jogos.
Tudo isso faz com que a gente evolua e fique mais preparado do que quando começou. Hoje é uma nova versão do treinador Jonilson Veloso, e é uma versão da qual eu gosto mais.
BN: Você é tio do zagueiro Dante, que encerrou a carreira recentemente. O que essa relação representa para você?
JV: O Dante é meu sobrinho, filho do meu irmão mais velho. Temos uma ligação familiar muito grande porque fomos criados todos juntos. Fico muito feliz pela carreira dele. A gente sabe o quanto ele sofreu e o caminho que percorreu para chegar onde chegou. Pegamos isso como exemplo para passar aos mais jovens
A vida de um atleta não é fácil. É muito difícil e existem muitas barreiras que precisam ser quebradas para chegar ao ápice. Como vivemos tudo isso de perto, temos um certo respaldo para falar com mais convicção sobre essas coisas e ensinar os mais jovens a trilhar um caminho melhor.
BN: Qual a importância de ter Lucas Arcanjo, um jogador formado no clube e hoje referência no profissional, tão próximo dos jovens da base?
JV: Isso é fundamental. Ter ídolos e referências muito próximos é uma das principais coisas que uma equipe profissional pode oferecer aos jovens. Você olha para a equipe principal e tem ali um ídolo seu, uma referência. Isso motiva e faz o jogador acreditar ainda mais que é possível chegar onde aquele ídolo chegou.
Quando existe esse contato no dia a dia, essa proximidade, eles acreditam cada vez mais. Não é apenas aquele ídolo que você vê de longe. É alguém que está ali todos os dias. Essa aproximação e essa integração são as melhores coisas que poderiam acontecer em um clube. É assim que se cria uma cultura e um sentimento de fazer parte de um clube tão grande como o Vitória.
BN: Como você pretende trabalhar a integração entre o Sub-20 e as categorias mais jovens?
JV: O Sub-20 é a principal categoria da base e precisa ser referência para as outras equipes. Até o Sub-9, o menino que está começando olha para o Sub-20. Existe essa integração entre as comissões. Estamos sempre acompanhando o dia a dia, sentando juntos, almoçando, conversando e trocando ideias.
O Sub-20 precisa ser referência para as categorias menores. A responsabilidade aumenta porque sabemos que somos referência até para as comissões. A comissão do Sub-20 precisa ser exemplo para a do Sub-17, assim como o Sub-17 para o Sub-15.
BN: Quais são suas principais referências como treinador?
JV: Eu estudo muito futebol. Gosto muito da metodologia do Diego Simeone pela fase defensiva que ele exerce no Atlético de Madrid. Na organização ofensiva, gosto muito do Pep Guardiola. Nas transições, gosto muito do Klopp.
Também temos muitos treinadores bons no futebol brasileiro. São escolas diferentes, mas nós, como treinadores, precisamos entender todas elas. Estudamos essas escolas e acabamos criando nossa própria metodologia. É a nossa identidade que precisamos levar para a equipe.
Quando falo em identidade, é o time do Sub-20 jogar de uma maneira que, mesmo sem ver a camisa, você consiga olhar e dizer: "Esse é o time do Jonilson". Isso é a identidade do treinador.
BN: Qual é a principal meta de Jonilson Veloso neste novo desafio no Vitória?
JV: Acredito que o objetivo maior do clube seja preparar bem os atletas e revelar o máximo possível para o profissional. Nosso objetivo é sempre ser melhor do que fomos antes. A cada ano, precisamos procurar ser melhores do que no ano anterior. É claro que precisamos buscar resultados, mas o objetivo maior é formar o máximo de atletas que possam ser inseridos na equipe principal.
BN: O Campeonato Baiano também será uma prioridade, considerando o longo jejum do Vitória na categoria?
JV: É um dos objetivos principais. Voltar a ser campeão é realmente importante. Temos essas competições oficiais e vamos trabalhar para chegar fortes em todas elas. O Campeonato Baiano, o Brasileiro, a Copa São Paulo e a Copa Atlântico fazem parte desse calendário.
BN: Para finalizar, que mensagem você deixa para a torcida do Vitória, que espera o retorno da base ao protagonismo?
JV: A mensagem que tenho para deixar para a torcida rubro-negra é que tenha paciência e confie nos processos que estão sendo implantados. É uma categoria de base que sabemos que sempre deu muitas alegrias ao torcedor e que está sendo resgatada neste momento. Pedimos apenas um pouco mais de paciência.
Sabemos que é um processo de transição e que essa transição é lenta, mas o torcedor pode confiar que, em 2027, vamos estar dando muitas alegrias para essa torcida maravilhosa do Rubro-Negro.
Diretor de scouting do Vitória detalha mercado e explica perfil de contratações: "Buscamos atletas com 'fome'"
Por Hugo Araújo
Recém-campeão da Copa do Nordeste e após encerrar o primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2026 com a sua segunda melhor pontuação na história dos pontos corridos, o Vitória reforçou trajetória de reconstrução iniciada em 2022. Naquele ano, ainda na Série C e já sob a presidência de Fábio Mota, o Rubro-Negro conviveu com o risco de rebaixamento para a Série D, mas protagonizou uma reação marcante na reta final da competição e conquistou o acesso mesmo após chegar a ter apenas 2,6% de chance de classificação à segunda fase.
O movimento de retomada ganhou força em 2023, quando o Leão conquistou o título da Série B e retornou à elite do futebol brasileiro após seis anos. Agora, buscando se firmar na Série A com um dos menores orçamentos da competição, o clube trabalha para criar condições de se consolidar entre os principais times do país.
A temporada atual marca o terceiro ano consecutivo do Leão na Série A, e a conquista da Copa do Nordeste encerrou um jejum de 16 anos sem o título regional. No Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro fechou o primeiro turno na 11ª colocação e na Copa do Brasil conseguiu uma classificação histórica às oitavas de final ao eliminar o favorito Flamengo. Os resultados dentro de campo refletem parte desse processo, mas a evolução do clube passa pelos bastidores, especialmente pela reformulação e estruturação do departamento de mercado e scout.
Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, Rodrigo Carvalho, diretor de scouting do Vitória desde o fim de 2024 e com saída já anunciada para assumir a análise de mercado da América Latina no Crystal Palace, da Inglaterra, detalhou como foi a estruturação do departamento e revelou como funciona o processo de tomada de decisões entre scout, comissão técnica e diretoria na busca por reforços.
Após duas temporadas marcadas por uma ampla reformulação do elenco, o Vitória mudou a estratégia de mercado em 2026 e passou a priorizar a manutenção de uma base mais consolidada. Na primeira janela da temporada, o Rubro-Negro contratou 14 jogadores, metade do número registrado em 2024 e 2025, quando realizou 28 contratações em cada ano.
A redução no volume de reforços representou a valorização dos atletas que permaneceram no clube e chegadas voltadas para necessidades pontuais do elenco. Jogadores como Lucas Arcanjo, Baralhas, Erick, Ramon e Renato Kayzer permaneceram na equipe, enquanto as contratações passaram a ser mais contundentes, com nomes que rapidamente assumiram importância, como Cacá e Luan Cândido, atuais titulares da defesa; Nathan Mendes, dono da lateral direita até sofrer grave lesão na semifinal da Copa do Nordeste; além de Diego Tarzia e Renê, peças importantes na campanha do título da Copa do Nordeste.
Em sua passagem pelo Leão, Rodrigo Carvalho participou do planejamento de diferentes janelas de transferências e esteve envolvido em mais de 40 contratações. Na conversa com o BN, o profissional explicou como eram definidos os perfis dos reforços, elogiou os analistas Ítalo Amorim e Ícaro Bispo, que, segundo ele, têm "totais condições de seguir o trabalho", relembrou os desafios de montar um elenco competitivo com limitações financeiras e projetou os próximos passos da carreira na Premier League.
Bahia Notícias: Rodrigo, você chegou ao Vitória no fim de 2024 para estruturar o departamento de mercado. Qual era o cenário encontrado naquele momento e quais foram as primeiras prioridades?
Rodrigo Carvalho: O cenário encontrado foi um departamento organizado, com processos. As prioridades, naquele momento, foram sanar as carências do elenco com uma estratégia reativa, visto que, quando eu cheguei, já havia algumas contratações encaminhadas.
BN: Hoje, como está estruturado o departamento de scout do Vitória? Quantos profissionais fazem parte da equipe e, na sua avaliação, esse tamanho é compatível com clubes que disputam a Série A ou ainda há espaço para crescimento?
RC: O departamento possui um head, dois analistas de mercado presencial e um suporte do departamento de mercado da base. O Vitória hoje está dentro do padrão. Obviamente, sempre há espaço para melhora, mas a quantidade nem sempre quer dizer qualidade.
BN: Como foi construída a metodologia de trabalho do departamento de mercado e scout do Vitória? O que mudou em relação ao que existia anteriormente?
RC: Em cima das carências do nosso elenco, fomos criando rotina de monitoramento de determinados campeonatos nacionais, sul-americanos e oportunidades também no mercado internacional. Além disso, também acompanhamos atletas brasileiros de ligas pontuais do exterior. Acredito que passamos a dar uma atenção maior àquilo que a comissão técnica e a diretoria desejavam, apresentando um campograma com uma quantidade menor de atletas, porém dentro da nossa realidade e filosofia. A filosofia que trabalhamos visa proteger os cofres do clube, trazendo atletas que, num primeiro momento, não oneram o clube e, num segundo momento, possam ser adquiridos, como o Baralhas, Erick e Renê.
BN: O departamento participou de mais de 40 contratações desde a sua chegada. Qual foi o maior desafio para montar um elenco competitivo dentro da realidade financeira do clube?
RC: O maior desafio, com certeza, é a questão financeira, pois o clube não tem a realidade financeira necessária para fazer aportes que outros clubes da Série A têm. Então, pensamos em conjunto com a comissão técnica e a diretoria o perfil desejado para o elenco, como dito pelo presidente Fábio Mota, os "Guerreirinhos", atletas "com fome" e desejo de performance, entendendo o contexto do Vitória.
BN: Como funcionava o processo de decisão entre scout, diretoria e comissão técnica? Quanto o perfil de jogo desejado pelo treinador influenciava na escolha dos reforços?
RC: 100%. O processo é muito simples e objetivo. Reunimos na sala membros do departamento de mercado, da comissão técnica e da diretoria. Nessas reuniões, apresentamos as carências identificadas através de campogramas, com, no mínimo, cinco opções por posição. Apresentando opções de atletas com aporte de investimento, oportunidades de mercado, empréstimo e pré-contrato. Chegando a um consenso entre mercado, comissão e diretoria, o atleta é contactado pelo executivo do clube.
BN: Quais contratações desse período representam melhor o modelo de mercado que vocês buscaram implantar?
RC: Os atletas que chegaram emprestados e que nós tínhamos a certeza de que iriam performar, como o Baralhas, o Erick, o Halter, o Jamerson, o Ramon e o Renê. Nesse ano, ainda temos as possibilidades de finalizar a contratação de atletas que estão emprestados e performando, como o Nathan Mendes, Luan Cândido, Zé Vitor, Cacá e Tarzia.
BN: Quais processos, ferramentas ou rotinas implementados por você acredita que permanecerão no departamento após a sua saída?
RC: Como falei anteriormente, alguns processos foram implementados e abstraídos pelos profissionais que aqui estão. Tenho certeza de que os dois analistas que seguem no clube, Ítalo Amorim e Ícaro Bispo, têm totais condições de seguir o trabalho que foi implementado.
BN: Quais jogadores que vocês tentaram contratar e que acabaram não vindo, mas que você pode revelar hoje?
RC: Prefiro enaltecer aqueles que chegaram, acreditaram no projeto e hoje estão entregando ao clube aquilo que a gente esperava.
BN: O que ainda faltava implementar no departamento de mercado e que fica como desafio para quem assumir o setor?
RC: Acredito que o maior desafio já foi superado, que foi a montagem do nosso departamento e a definição de nossas diretrizes. Acredito que, com os profissionais que aqui permanecem, a qualidade do trabalho tende a continuar e, inclusive, evoluir, por se tratar de profissionais em pleno crescimento.
BN: Quais serão os principais desafios de assumir a análise da América Latina para um clube da Premier League? O que muda em relação ao trabalho realizado no Vitória?
RC: São realidades completamente diferentes. Apesar de ter um aporte financeiro muito maior que a maioria dos clubes do Brasil, a realidade do clube dentro da liga tem algumas similaridades com o mercado nacional brasileiro. E a filosofia de contratação que eu encontrarei lá é diferente daquela que implementamos aqui no Vitória num primeiro momento. Além disso, naturalmente, o mercado de um clube inglês é muito mais amplo do que o sul-americano.
O Esporte Clube Vitória comunica a saída de seu Head Scout, Rodrigo Carvalho, que deixa o clube para assumir um novo desafio profissional na Premier League.
— EC Vitória (@ECVitoria) July 13, 2026
Profissional que chegou ao clube no final do ano de 2024, Rodrigo foi peça fundamental na montagem do elenco do segundo… pic.twitter.com/OicacCRSGf
Pedalando pelo mundo: Conheça Elisa Laisla, uma das promessas baianas do ciclismo BMX
Por Carlos Matos
A paixão de Elisa pelo ciclismo começou antes mesmo de ela conhecer o BMX. Ainda pequena, já gostava de pedalar, fazer trilhas e passar boa parte do tempo sobre uma bicicleta. Foi assistindo a uma reportagem sobre um projeto social que surgiu a oportunidade de conhecer a modalidade que, poucos anos depois, transformaria sua vida e a colocaria entre os principais nomes da categoria sub-11 no estado.
Hoje, aos 10 anos, Elisa é campeã baiana, vice-líder do ranking nacional da categoria e já acumula experiências em competições por diversos estados brasileiros. Entre treinos, viagens e escola, mantém uma rotina intensa, mas sem abrir mão da infância. Quando não está na pista, prefere brincar na rua, jogar futebol, vôlei ou sair para pedalar com sua bicicleta de mountain bike.
Em entrevista ao Bahia Notícias, a garota falou sobre o início no esporte, as dificuldades das competições nacionais, a inspiração em grandes atletas do BMX, os sonhos de disputar o Pan-Americano e, futuramente, as Olimpíadas, além de deixar um recado para outras crianças sobre a importância do esporte e de aproveitar a infância.

Elisa Laisla expondo suas medalhas e conquistas no BMX | Foto: Ainoã Teles / Bahia Notícias
Como começou sua história no BMX?
Desde pequena eu sempre gostei muito de andar de bicicleta. Fazia trilhas e vivia pedalando. Um dia minha mãe assistiu a uma reportagem sobre um projeto social de BMX e me mostrou. Na mesma hora eu quis conhecer. Fui fazer um treino e gostei muito. Desde então continuo treinando no projeto e participando das competições.
O que mais chamou sua atenção quando conheceu a modalidade?
Eu já gostava muito de bicicleta e, quando vi as rampas e a pista, fiquei encantada. Achei muito legal e quis aprender. Comecei treinando com a bicicleta do próprio projeto e fui evoluindo aos poucos.
Mesmo treinando BMX, você continua andando de bicicleta no tempo livre?
Continuo. Tenho outra bicicleta, uma mountain bike, que uso para brincar. Gosto de empinar, passear e andar com os amigos. Às vezes todo mundo está andando a pé e eu estou de bicicleta. Também faço exercícios em casa e treino no rolo quando preciso.
Além do ciclismo, quais são as brincadeiras e esportes que você mais gosta?
Gosto muito de jogar bola, vôlei, brincar de esconde-esconde, pega-pega... Mas andar de bicicleta continua sendo a minha brincadeira preferida.
Você já viajou para vários estados por causa do BMX. Qual foi a viagem que mais marcou você?
É difícil escolher porque todas foram muito legais. Mas gostei bastante de competir em Pernambuco, em Curitiba (PR), em Paulo Afonso (BA) e também da última viagem para Cuiabá, no Mato Grosso.
Existe algum lugar que você ainda sonha conhecer por causa do esporte?
Quero muito conhecer a Argentina para disputar o Pan-Americano. Também tenho vontade de conhecer a Colômbia, porque é um país muito forte no ciclismo. Lá o esporte é muito desenvolvido e é uma grande referência para quem pratica BMX.
Você tem alguma atleta que serve de inspiração?
Tenho. Gosto muito de acompanhar a Manu Adão. Sempre assisto às competições dela. Também admiro bastante a Paula Reis. Foi uma das primeiras atletas que conheci e tirei foto quando comecei a competir. Ela é uma inspiração para mim porque saiu do projeto e chegou muito longe.
Disputar uma Olimpíada é um dos seus sonhos?
Sim. É um dos meus maiores sonhos. Quero competir em uma Olimpíada e representar o Brasil.
Você acompanha outros esportes além do BMX?
Sim. Gosto muito de esporte. Na escola jogo vôlei e futebol. Já joguei beach tennis, tênis de mesa e gosto de praticamente qualquer esporte. Acho muito legal competir e estar sempre me movimentando.
A sua mãe comentou que você quase não fica no celular. Você prefere brincar?
Sim. Eu gosto de brincar, correr, ficar com meus amigos. Não consigo ficar parada. Quando precisei ficar um tempo sem treinar por causa de uma lesão, foi muito difícil. Eu gosto de estar sempre fazendo alguma coisa.
Desde 2023 no Esporte Clube Bahia, Carol Melo ocupa o cargo de gerente de futebol das Mulheres de Aço, equipe feminina do clube. Com passagens por clubes tradicionais do futebol feminino brasileiro, como a Ferroviária e o Atlético Mineiro, a dirigente acumula experiência na gestão da modalidade no país.
Paulista, Carol integra o grupo de profissionais responsáveis pelo dia a dia do futebol do Bahia. Desde que assumiu a função, participou de um período de crescimento esportivo do time feminino tricolor.
Em três anos de trabalho no clube, a gestora esteve à frente de momentos importantes da equipe, como a conquista do título da Campeonato Brasileiro Feminino Série A2 e a campanha histórica na Campeonato Brasileiro Feminino Série A1, com a primeira classificação do Bahia ao mata-mata da competição. Em 2025, o clube também alcançou o terceiro lugar na Copa do Brasil Feminina.
"Queremos que o bom desempenho de 2025 não seja algo pontual, mas sustentável, crescendo ano a ano e enraizando o futebol feminino no clube".
A entrevista integra uma série especial do Bahia Notícias durante o mês de março, em referência ao mês da Mulher, com profissionais que atuam nos bastidores do futebol do clube. O objetivo é mostrar como funciona o trabalho dessas mulheres no cotidiano do Bahia e o papel delas na construção do projeto esportivo desenvolvido junto ao City Football Group.
Em conversa realizada no centro de treinamento do clube, Carol abordou temas como estrutura, planejamento esportivo, desenvolvimento da base, relação com a torcida, integração com o Grupo City e perspectivas para o futuro do futebol feminino do Bahia.
1. O projeto e a estrutura
"Trata-se de um projeto onde haverá investimento, mas não apenas a curto prazo."
Carol Melo explica que sua chegada coincidiu com um momento de reformulação da modalidade dentro do clube.
"Minha chegada acontece a partir do momento de reestruturação do futebol feminino aqui do Bahia. Acho que, desde as primeiras conversas, houve um alinhamento de visão e valores entre o que o Bahia pensava para a modalidade e aquilo que eu penso. Trata-se de um projeto onde haverá investimento, mas não apenas a curto prazo. É um investimento que traz um trabalho de longo prazo e que passa também por uma questão de estrutura, de formação e de profissionais, tanto para dentro quanto para fora de campo. É um conjunto de fatores para que consigamos fazer o futebol feminino do Bahia evoluir. Como tínhamos esse alinhamento desde o começo, foi fácil chegar e dar andamento a essa visão".
Sobre sua função no clube, a dirigente define o cargo como um elo entre os diferentes setores.
"É uma função em que trabalhamos basicamente com todo mundo que está dentro do clube, desde as atletas até a diretoria; fazemos o 'meio de campo'. Minha função no futebol é garantir que tenhamos os melhores em seus postos: o melhor treinador, o melhor preparador físico... Tudo para assegurar que o trabalho corra da maneira que foi planejado, além de fazer a ligação com a diretoria. O dia a dia é contato com todos."
2. A construção do estafe próprio das Mulheres de Aço
"Todas as áreas que envolvem saúde e performance contam com um profissional dedicado exclusivamente à categoria".
A dirigente afirma que a criação de um estafe específico para o futebol feminino faz parte do processo de profissionalização da modalidade no clube.
"A montagem do estafe do feminino faz parte de uma visão de médio e longo prazo. Estamos aumentando a equipe e tendo pessoas dedicadas a todas as funções de saúde e performance. Temos um médico exclusivo para o feminino, fisioterapeuta... enfim. Todas as áreas que envolvem saúde e performance contam com um profissional dedicado exclusivamente à categoria".
Ela também destaca que alguns setores continuam compartilhados com o restante da estrutura do clube.
"Claro que existem áreas do clube que podem ter profissionais compartilhados. Por exemplo, alguém do financeiro servirá a todas as modalidades do clube. Mas todas as áreas que atendem diretamente o futebol acabam tendo uma pessoa dedicada ao feminino, entendendo as necessidades e o momento de crescimento que a modalidade vive — não somente dentro do clube, mas também fora dele."

Foto: Luiza Barbosa / Bahia Notícias.
3. O que esperar do Bahia em 2026
"Queremos que o bom desempenho de 2025 não seja algo pontual, mas sustentável, crescendo ano a ano e enraizando o futebol feminino no clube".
Carol atribui o desempenho recente da equipe a um processo iniciado ainda em 2023.
"É uma construção. Esse salto qualitativo de desempenho que demos em 2025 é fruto de um trabalho que começou em meados de 2023, com uma reestruturação, e passou por um 2024 onde conquistamos a A2, nosso primeiro título nacional. Foi um momento de evolução dos nossos profissionais, do nosso estafe e das nossas atletas, que estavam conosco em 2023 e foram protagonistas na campanha histórica de 2025."
Ela também destaca os investimentos estruturais realizados no período.
"Esse processo de profissionalização e os métodos implementados — acreditando no funcionamento e tendo o apoio do clube — foram fundamentais. Tivemos um investimento em estrutura ao longo do caminho; hoje estamos sentadas em um espaço (academia, campo) construído nesse período. Tudo isso agrega para colhermos resultados."
Ao projetar o futuro, a dirigente afirma que o objetivo é manter o clube entre os protagonistas da modalidade no país.
"Acho que 2025 marca isso por ter sido na elite. Já tínhamos conquistado espaço na A2 e conseguimos aparecer como um dos clubes protagonistas no cenário nacional em 2025. Tivemos conquistas históricas: a primeira vez que avançamos ao mata-mata do Brasileiro e o terceiro lugar na Copa do Brasil. Esses passos foram planejados e trabalhamos para que, em 2026, mantenhamos esse nível. Queremos que o bom desempenho de 2025 não seja algo pontual, mas sustentável, crescendo ano a ano e enraizando o futebol feminino no clube, inclusive com os planos de um CT próprio. Esse trabalho de bastidores ajuda a colher resultados em campo."
4. Yanne e o status de ídola
"Isso é fundamental porque cria identidade com a torcida."
Carol também comentou sobre a importância de atletas que representem a identidade do clube, citando o exemplo da atacante Yanne.
"Quando pensamos e traçamos a estratégia para a montagem do elenco, levamos em consideração vários fatores: a questão técnica, a performance e também o que a atleta pode agregar ao todo. Procuramos atletas que melhorem nossa sinergia. A Yanne é de Salvador e, assim como as muitas baianas que temos aqui, representa muito bem o que são as 'Mulheres de Aço'. É extremamente importante, pois elas cresceram vendo o Bahia, sabem da história do clube e muitas são torcedoras."
"Quando conversamos com a Yanne lá atrás e mostramos o projeto, ela acreditou. Ela vem evoluindo junto com o clube; comprou a ideia e estamos colhendo os resultados juntos. Isso é fundamental porque cria identidade com a torcida. Ela conhece, sabe e acompanha o clube."

Carol observa treinamento das Mulheres de Aço. Foto: Luiza Barbosa / Bahia Notícias.
5. Pituaçu e a relação com a torcida
"Pituaçu é um estádio simbólico, principalmente para o futebol feminino da Bahia."
A dirigente também comentou sobre a importância do Estádio de Pituaçu para o futebol feminino no estado.
"Temos planos. Pituaçu é um estádio simbólico, principalmente para o futebol feminino da Bahia. Ele pode se tornar a casa da modalidade — se já não for. Adoro jogar lá, a estrutura é excelente e somos sempre bem recebidos. Existem coisas que fogem ao alcance da gestão do clube, mas tentamos trabalhar para dar apoio. Se tudo der certo, voltaremos a jogar lá, pois é importante estar perto da torcida."
"Ter uma torcida cada vez maior é um dos pilares do nosso planejamento. No entanto, acredito que a ausência de Pituaçu não teve impacto direto nos resultados. Houve um foco muito grande e, em nenhum momento, faltou respaldo do clube. Por mais que fosse melhor estar próximo do torcedor, o impacto na performance foi minimizado por um bom trabalho interno."
"Temos uma torcida que nos acompanha in loco, mas também pessoas que assistem às transmissões e estão presentes de alguma maneira. É óbvio que em Pituaçu teríamos mais gente na arquibancada, e trabalhamos para que esse número cresça. Mas o mais importante é que essa falta de proximidade física não se traduziu em queda de desempenho."
6. Grandes públicos para assistir o futebol feminino do Bahia?
"É um trabalho de longo prazo."
Carol avalia que o crescimento do público nos estádios passa por diversos fatores.
"Acredito que, de forma geral — e não só no Bahia —, o trabalho para levar o torcedor ao estádio pode melhorar de várias maneiras. Uma parte cabe ao clube, outra à mídia, e a melhora do desempenho em campo também atrai público. Os grandes públicos ainda acontecem em momentos pontuais. Equipes como Corinthians, Internacional e Cruzeiro conseguem lotar estádios em campanhas específicas, mas, por exemplo, a final do Paulista Feminino não teve números tão expressivos."
"É um trabalho de longo prazo. Precisamos entender o perfil do torcedor que frequenta os jogos femininos e sua experiência para aumentar esses números. Se hoje levamos 3 ou 4 mil pessoas, queremos levar 5, 10 mil, até chegarmos ao momento de ter arenas cheias constantemente. É um esforço em várias frentes: clube, parceiros, mídia e formato das competições (evitando jogos em conflito de horário com o masculino, para não competirmos pelo mesmo público)."
7. A Copa do Mundo de 2027 pode ajudar com isso?
"A Copa do Mundo tem o potencial de ser um divisor de águas."
"A Copa do Mundo tem o potencial de ser um divisor de águas. A de 2019 provou isso, trazendo vários benefícios. Sendo no Brasil, a visibilidade será enorme. O futebol feminino estará na vitrine e surgirão oportunidades. Todos precisam ter um planejamento para aproveitar esse momento de hype e enraizar a modalidade, criando uma estratégia de crescimento sustentável para o pós-Copa. Que a competição deixe esse legado."
8. Integração com o Grupo City
"O Grupo City possui processos bem definidos que são implementados no futebol feminino da mesma forma."
"O Grupo City possui processos bem definidos que são implementados no futebol feminino da mesma forma. O que já funciona fora é aplicado aqui. Isso é evidente no departamento de saúde e performance. Tenho reuniões recorrentes com equipes de futebol feminino do Grupo. Embora cada clube viva um momento diferente, temos uma troca excelente de informações sobre atletas e mercado. Isso enriquece muito e nos ajuda a entender as demandas globais de performance e como somos vistos lá fora."

Foto: Luiza Barbosa / Bahia Notícias.
9. O desenvolvimento da base
"A base é o alicerce do projeto."
"A base é o alicerce do projeto. Hoje, atuamos de maneira pontual para competir e dar a melhor experiência possível às atletas, para que entendam o cenário e o comprometimento necessário. É gostoso jogar, mas exige dedicação diária. Em 2025, montamos as categorias Sub-17 e Sub-15. Há muito talento na Bahia que precisa de oportunidade. Dessas atletas, convidamos oito para a pré-temporada conosco para avaliarmos se conseguem acompanhar o ritmo. Elas estão se desenvolvendo bem e estamos organizando os bastidores para que continuem evoluindo."
"Para ter uma base permanente, há muitas necessidades estruturais. Não cabe mais fazer 'de qualquer jeito'. O Bahia é um dos únicos clubes do Brasil com uma profissional de salvaguarda (proteção à criança e ao adolescente). Estamos desenhando esse processo para implementar a base de maneira permanente e com as melhores condições."
10. O novo CT pode ajudar no desenvolvimento da base?
"O novo CT abrirá muitas portas nesse sentido."
"Acredito que o novo CT ajudará muito. Teremos um espaço maior para o feminino e estaremos mais próximos de Salvador. Hoje, a distância do CT atual é um fator: se a atleta treina de manhã e estuda à tarde, o deslocamento é exaustivo. Precisamos considerar o bem-estar da adolescente para que o futebol e os estudos andem de mãos dadas. O novo CT abrirá muitas portas nesse sentido."
11. A transição no comando técnico
"Buscamos no mercado um profissional que se encaixasse no que estava desenhado."
Carol também comentou sobre a transição no comando técnico da equipe, com a saída de Lindsey Camila e a chegada de Felipe Freitas.
"Foi uma transição tranquila. A busca por um novo treinador foca em alguém com a mesma visão e valores. Conversei bastante com o Felipe e deixei claro o que era o projeto. Buscamos no mercado um profissional que se encaixasse no que estava desenhado, e isso funcionou muito bem com ele. Estamos mantendo a base do elenco do ano passado, e ele é peça-chave para dar continuidade a esse trabalho."
CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA:
Entre Seleção, futuro e idolatria, Yanne exalta orgulho de jogar no Bahia: "Não sei explicar, só sentir"
Por Bia Jesus
Um dos grandes nomes do futebol feminino do Bahia, a goleira Yanne Lopes, de 22 anos, concedeu entrevista ao Bahia Notícias e falou sobre a carreira, os desafios no início, a chegada ao Esquadrão e os sonhos para o futuro. Responsável por atuações decisivas, como as classificações às semifinais da Copa do Brasil e às quartas de final do Campeonato Brasileiro, a atleta ressaltou o apoio que a equipe feminina recebe da diretoria tricolor.
“Acredito que o Bahia tem um diferencial muito grande nisso. Para o clube, a gente não é só mais uma, não é só por obrigação. O Bahia busca que a gente se sinta incluída de verdade”, afirmou e continuou.
“A gente [elenco feminino] não tem aquele receio de que, se as coisas não derem certo, o Bahia vai simplesmente acabar com o feminino. Hoje não existe mais esse medo, porque realmente nos sentimos parte. O clube demonstra de muitas maneiras que nós não somos o ‘feminino do Bahia’, mas sim o Esporte Clube Bahia. Não é o feminino ou o masculino: é o profissional do Bahia.”

Yanne defende pênalti nas quartas de final da Copa do Brasil. | Foto: Letícia Martins / EC Bahia
“SOU UMA ATLETA DE PANDEMIA”
Ao contar como decidiu seguir no futebol, Yanne lembrou o impacto da pandemia provocada pela Covid-19 na sua trajetória.
“Eu costumo dizer — e minha mãe até brinca comigo — que eu sou uma atleta de pandemia. Porque eu estava no meu último ano do ensino médio, foi quando se concretizou o que eu realmente queria para a minha vida. Mas, um pouco antes disso, com 16 anos, entre o segundo e o terceiro ano, eu fiz uma peneira. Fiz essa peneira como zagueira. Eu originalmente era zagueira, mas jogava futsal e gostava de atuar como ala esquerda. Então pensei: ‘Vou ficar na linha’. Fiz a peneira como zagueira, e a gente foi para uma competição. Nessa competição, fomos apenas com uma goleira. E aí eu falei: ‘Cara, eu sou doida, eu me jogo na bola’. Aí me testaram e, depois disso, nunca mais saí do gol. No início foi um pouco conturbado, porque eu estava no terceiro ano, tinha aula até às 15h e prova todo sábado. Então, não estava conseguindo acompanhar a rotina necessária para um atleta profissional, de treinos e jogos. Perdi alguns jogos por estar em prova", revelou.
"Por isso digo que sou uma atleta de pandemia. Porque, na pandemia, eu podia gravar as aulas que aconteciam à tarde, ia treinar, passava a tarde toda treinando e, quando voltava, assistia às aulas gravadas e colocava o conteúdo em dia. Foi um pouco difícil para minha família esse processo, porque eu não fui criada para ser jogadora de futebol, para ser atleta. Fui criada para seguir uma carreira de estudos. Mas eu acho que, quando o coração bate forte por algo, a vida te move para esse destino. Foi o que aconteceu.”
A boa campanha no Brasileiro Sub-17 abriu portas do futebol profissional feminino para Yanne.
“No final de 2020, fiz um excelente Brasileirão Sub-17. Nesse mesmo ano, fui chamada para a Ferroviária, para completar a equipe paulista Sub-17. Foi a primeira vez que a Ferroviária foi vice-campeã paulista Sub-17. Depois disso, me chamaram para integrar a equipe profissional, e foi quando realmente se concretizou. Ficou uma certa dúvida nos meus pais: ‘Ela vai acabar desfocando dos estudos’. Mas perguntaram: ‘É o que você quer?’. Eu falei: ‘Sim, é o que eu quero’”, contou.
“Meu pai foi comigo conhecer Araraquara, conhecer a estrutura. E hoje eles são os meus maiores fãs, sempre presentes, inclusive nas partidas fora de casa. Ano passado, por exemplo, eles foram para Ilhéus, uma viagem super cansativa. Quando a gente passou para a final da Ladies Cup, eles mandaram mensagem: ‘A gente comprou passagem, estamos indo para São Paulo’. Eu falei: ‘Quê?’. E eles: ‘É, estamos indo para São Paulo’. Eu respondi: ‘Então vem!’. Agora vamos disputar a Copa Maria Bonita e, se tudo der certo, eles também querem estar presentes nas fases finais. Hoje eles me acompanham em todas as partidas, tanto em casa quanto, sempre que possível, fora de casa. Infelizmente não puderam estar contra o Red Bull, mas falaram: ‘Se não tivesse acontecido tal coisa, com certeza estaríamos lá para torcer e vibrar por você’. Então, hoje eles realmente são meus maiores fãs, os que mais me apoiam, me incentivam e, ao mesmo tempo, pegam no meu pé para que eu continue mantendo a disciplina que tenho. Eles me auxiliam muito nisso.”

Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias.
A DECISÃO DE VESTIR A CAMISA DO TRICOLOR
Soteropolitana, Yanne relembrou como foram as conversas até fechar o contrato com o Bahia.
“Quando eu recebi a proposta, meu empresário falou comigo: ‘Ó, o Bahia está atrás de você’. Então busquei conhecer um pouco mais sobre a estrutura que o time oferecia. Eu já estava no centro do futebol feminino, justamente por ser uma equipe que se destaca muito. Meus pais foram conversar com a Carol [Diretora de Futebol Feminino do Bahia], que já tinha trabalhado comigo na Ferroviária. Então já havia uma relação, e a gente pôde ter uma troca muito legal, com ela me explicando quais eram as pretensões do Bahia, como era o projeto que estavam planejando, tanto a curto quanto a longo prazo. Naquele momento, eu já estava praticamente com tudo fechado para renovar [com a Ferroviária]. Mas, quando recebi a proposta, balancei um pouco. Liguei para o meu empresário e falei: ‘Cara, vamos para o Bahia. Meu coração está pedindo. Eu senti firmeza nas conversas. Eu até poderia ficar em São Paulo, mas acho que não seria a mesma coisa que estar no Bahia’”.
A goleira falou, que tinha planos de ir para uma equipe em que pudesse construir um legado e tornar-se ídola.
“Eu sempre quis muito ir para uma equipe e poder construir um legado junto com ela. E no Bahia tive essa oportunidade. O clube deixou claro desde o início que sempre haveria disputa pela titularidade, mas uma disputa saudável entre as goleiras. E eu falei: ‘Não, eu vou para o Bahia porque quero construir essa história’. Desde o início do ano passado, a gente vem construindo esse caminho. Foram muitos processos de amadurecimento, de gestão de grupo, de união. Eu acabo sendo um pouco líder ali dentro, busco compreender cada uma, para que a gente seja realmente uma unidade, uma família — que, para mim, é algo muito importante dentro de campo. Foi quando decidi: ‘Eu vou escrever minha história junto com o Bahia’. Fiquei muito feliz quando tudo deu certo. No futebol, nada é garantido, então, quando realmente se concretizou, a alegria foi enorme. Tive que guardar essa notícia por um tempo, não podia contar a ninguém. As pessoas perguntavam para onde eu ia, e eu não podia revelar. Nem mesmo na minha antiga equipe sabiam — só meus pais e meu empresário. Hoje, quando olho para trás, tenho ainda mais certeza de que fiz a escolha certa. Eu pude ajudar o Bahia a sair da Série A2, chegar na Série A1, ser campeão da A2 pela primeira vez depois de algumas tentativas, e ainda conquistar novamente o título baiano. Isso só reforça a felicidade de ter tomado essa decisão.”

Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias
RECONHECIMENTO DA TORCIDA E STATUS DE ÍDOLA
Sobre o carinho da torcida, Yanne ressaltou a identificação que criou mesmo em pouco tempo de clube e comentou a possibilidade de estar se tornando uma ídola do Bahia.
“Eu fico muito feliz porque busco muito poder realmente ser uma referência, tanto dentro de campo quanto fora. Pelo meu estilo de vida, pelo meu estilo de treino, de dedicação, eu sempre busco isso. Sou muito grata à torcida do Bahia, que desde a minha chegada me acolheu muito bem. Sempre esteve comigo, motivando, torcendo, sendo muito presente nas minhas redes sociais. Muitas vezes, quando vou à Fonte Nova assistir a uma partida da equipe masculina, os torcedores param, pedem para tirar foto… é uma coisa muito legal. É algo que eu sempre quis também: ter um pouco desse reconhecimento. Sobre a identificação, eu não sei explicar, só sei sentir. Foi uma equipe que me conquistou muito. A torcida me conquistou muito. E tudo o que faço é buscando trazer felicidade para eles.”
“Não é força de expressão, porque realmente sinto que, quando consigo trazer essa felicidade, ela retorna para mim. Então, a minha dedicação é sempre no sentido de dar alegria ao torcedor tricolor. Acho que eles merecem, até porque passamos por momentos muito difíceis, principalmente em 2023, naquele período de incerteza, de ‘vai cair, não vai cair’, e no fim conseguimos nos manter. Depois daquele momento, a equipe teve uma evolução muito grande. Essa conexão que tenho com o clube e com a torcida eu não consigo explicar racionalmente; foi algo muito natural, muito verdadeiro. Eu vibro muito com isso. Sou uma atleta que assiste aos jogos e fica brava quando as coisas não dão certo, eu xingo, reclamo, sofro junto. Estou ali o tempo todo vivendo intensamente.”
SELEÇÃO
Campeã Sul-Americana de base, a arqueira também abordou sobre o sonho de defender a Seleção Brasileira principal. Yanne revelou que está “bastante tranquila” quanto a isso.
“Com relação à Seleção Feminina, é um sonho, com certeza. Não só meu, mas de muitas outras atletas. É algo pelo que trabalho bastante, mas estou muito tranquila. Acredito que o trabalho sempre devolve de alguma forma. Tenho trabalhado muito e, no momento certo, pode ser que demore, mas sei que vai acontecer. Como eu falei, não quero atropelar as coisas. Temos muitas goleiras extremamente competentes no Brasil, e venho trabalhando todas as minhas falhas para que eu possa estar no mesmo patamar delas. Graças a Deus, venho fazendo boas partidas. Mérito também do meu preparador de goleiros, Felipe Andrade. A gente trabalha muito forte para corrigir o que precisa ser corrigido. Também faço acompanhamento com meu preparador físico, Jonathan Praxedes, buscando estar sempre no mais alto nível físico. Mas sei que isso não é tudo: é preciso ter também uma mente muito forte. Por isso, trabalho com o Patrick [psicólogo], que me ajuda a estar preparada. O futebol é uma montanha-russa de emoções, e a gente precisa aprender a lidar com todos os momentos para não se afundar. Esse aspecto mental é, para mim, muito importante. Tenho certeza de que, no momento certo, vai acontecer — não só para mim, mas também para algumas companheiras de equipe que merecem e estão sendo observadas. Acredito que tudo o que fazemos é muito bem visto e muito bem avaliado. Então, estou tranquila. As pessoas me perguntam: ‘E aí, a convocação vem?’. Eu respondo: ‘Estou tranquila, em paz. No momento certo vai acontecer’”.
“Pode ser hoje, pode ser daqui a alguns anos. Quero estar preparada para, quando chegar lá, agarrar essa oportunidade da forma que tem que ser. Não quero simplesmente chegar e sair. Quero ser uma referência na Seleção, uma presença constante. Posso citar a Lorena como exemplo: ela teve a oportunidade dela e soube agarrar. E é isso que quero para mim. Quero que, quando a oportunidade chegar, eu saiba aproveitá-la da melhor maneira, que eu esteja lá como uma goleira de alto nível, não só para defender, mas também para compartilhar o que sei, o que aprendo, e ajudar minhas companheiras a evoluir — assim como elas me ajudam a evoluir.”

Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias
PLANOS E FUTURO
Perguntada, Yanne falou sobre onde espera chegar nos próximos anos: uma referência dentro e fora de campo.
“Como falei no início, quero ser uma referência. Quando digo isso, é porque desejo que outras meninas, mulheres mais novas, possam olhar para mim e ver que também podem jogar bola, que também podem ser goleiras. Lembro que, quando era mais nova, nos raros momentos em que passava futebol feminino na televisão, eu via a Marta e pensava: ‘Eu também quero’. E é isso que eu quero ser no futuro: uma referência nesse sentido, de alguém que outras pessoas olhem e digam: ‘Eu quero ser goleira’. Até meninos também falarem para mim: ‘Eu quero ser goleiro também’”, revelou.
“Em relação à carreira, quero muito me consolidar no futebol. Quero que as pessoas conheçam o meu nome, assim como já conhecem o nome de muitas atletas — algumas, inclusive, que já trabalharam comigo. A Tarciane, por exemplo: hoje quem acompanha o futebol feminino sabe quem ela é. Ou a Angelina, que tem uma idade parecida com a minha e já conquistou espaço. Quero trilhar esse caminho de consolidação. Sonho em realizar grandes feitos com a camisa da Seleção Brasileira e também conquistas com a camisa do Bahia. Um dos meus maiores sonhos é levar o futebol feminino do Bahia para a Libertadores. Além disso, quero crescer cada vez mais na carreira e ter a oportunidade de disputar — e vencer — uma Champions League.”
“Lembro que, antes de jogar contra o Red Bull Bragantino [quartas de final da Copa do Brasil Feminina], revisitei um caderno que usava para anotar minhas sensações pré-jogo. Quando li aquelas anotações, percebi que a ‘eu’ de cinco anos atrás jamais imaginaria que hoje estaria aqui. Então, quero que a ‘eu’ de daqui a cinco anos também esteja vivendo os sonhos que tenho hoje. Quero conquistar coisas incríveis com o Bahia, alcançar feitos com a Seleção, me consolidar como referência e estar no meu mais alto nível. Sempre digo que não gosto de me comparar com ninguém; o que quero é ser 1% melhor do que fui ontem. É isso que me move: poder fazer a diferença na vida das pessoas. Quem sabe criar algum projeto para que meninas tenham contato com o esporte? Gosto muito de esportes no geral — vôlei, basquete, handebol. Quero usar isso para impactar positivamente. Não quero ser só mais uma. Quero realmente fazer a diferença.”
Confira abaixo a entrevista na íntegra:
Duelo olímpico: Hebert Conceição projeta duelo contra Yamaguchi Falcão no Spaten Fight Night
Por Carlos Matos
A segunda edição do Spaten Fight Night, marcada para o dia 27 de setembro, terá como destaque um duelo de gerações do boxe brasileiro. No ringue, estarão frente a frente dois medalhistas olímpicos: o baiano Hebert Conceição e o capixaba Yamaguchi Falcão, que disputarão o cinturão nacional da categoria médio (74 kg).
Hebert, campeão olímpico nos Jogos de Tóquio 2020, segue invicto no boxe profissional e chega ao evento para defender o título conquistado em 2024, quando derrotou Esquiva Falcão, irmão de Yamaguchi, na decisão dos juízes. Recentemente, no dia 2 de agosto, ele manteve o cinturão após nova vitória no Boxing Pro Combat.
Do outro lado estará Yamaguchi, bronze nos Jogos de Londres 2012 e com longa trajetória na modalidade. O atleta voltou a lutar em julho deste ano, quando superou Sergio Dantas na Copa Touro Moreno, torneio em homenagem ao seu pai e ícone do boxe nacional. O triunfo marcou seu retorno após mais de um ano sem competir, desde a derrota para o cubano David Morrell, em Las Vegas, em disputa pelo título mundial em 2023.
Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, Hebert Conceição falou sobre sua preparação para o confronto, as diferenças de estilo em relação ao adversário e o papel da experiência no duelo.
Primeiramente, quero saber como está a sua preparação para essa luta no próximo dia 27 de setembro, contra o Yamaguchi Falcão.
Minha preparação está sendo feita há muito tempo, né? Eu estou Eu estou em ritmo de luta, então eu estou sempre treinando pensando em um próximo em uma próxima data, em um próximo combate. Eu lutei no dia 12 de agosto e tive que descansar um pouquinho e recomeçar. Então eu não estou numa fase de muita intensidade não, porque, digamos, que eu esteja em início de preparação, ainda que eu já esteja em preparação há muito tempo, mas é um recomeço para essa para essa nova data. Então, preciso recuperar o corpo e fazer a retomada.
Então, tô na fase de período de base, muita correção, muita repetição e preparando o corpo, como se eu tivesse preparando o corpo para intensidade que está vindo aí nas próximas semanas. Mas, como eu falei, a preparação é feita de um acúmulo de cargas, então eu já tô treinando há muito tempo, já tô lutando também. E a minha preparação é a tá sendo a melhor possível.
O Yamaguchi voltou ao ringue recentemente, e depois de mais de um ano parado, ele venceu Sergio Dantas. Esse período fora de combate pode ser um fator positivo para o seu desempenho no confronto de logo mais contra ele?
O Yamaguchi fez uma luta muito recente, acho que tem dois meses, um mês e meio, talvez, que ele fez uma luta lá no Espírito Santo, venceu, até para retomar o ritmo. Então, ele também já está treinando, já retomou a atividade após passar dois anos inativo. Isso conta sim, mesmo treinando o ritmo de luta é diferente, mas ele lutou. Então, vai chegar em ritmo de luta também para me enfrentar. Então aí já caiu por terra qualquer vantagem que eu poderia levar nesse quesito e agora o que ele vai levar para a luta dele é experiência, do tempo que ele tem de carreira e eu vou levar para o ringue a minha juventude, a diferença de idade, mas também um pouco de experiência que eu tenho no boxe profissional e no boxe olímpico também. Vai ganhar quem estiver melhor preparado. Por isso que eu tô me preparando muito para que o melhor preparado seja eu no dia 27 de setembro.
Você é um lutador que já tem anos de caminhada, não é inexperiente, mas por outro lado tem um adversário que é muito experiente também. Você acha que a questão da experiência pode ser um fator decisivo no resultado da luta?
Sim, com certeza, a experiência ela conta, ela faz diferença sim, mas ela faz diferença principalmente em um contexto de extremo equilíbrio, né? Onde a experiência conta, mas em uma luta onde não há tanto equilíbrio e se eu for muito superior, por exemplo, não, acho que a experiência não vai contar muito. Pode contar para ele conseguir se recuperar de algum golpe que ele tomar, vai sentir. O cara que sabe cadenciar ou até se ele acertar uma mão em mim, ele vai saber aproveitar aquele momento porque ele já é um cara experiente. Sabe quando tem que apertar, o ritmo, sabe quando tem que cadenciar, isso conta, isso faz a diferença. Mas não é só isso que ganha luta. Tem outros componentes que envolvem para que se decida uma luta.
Então, sei que ele tem essa vantagem, mas eu não sou um cara inexperiente, eu não sou dos mais jovens, eu já tenho 27 anos e tenho uma carreira também sólida no boxe olímpico. No boxe profissional ainda não não completei 10 lutas, mas eu tenho um light de treinamento muito grande também, passei para o boxe profissional em dezembro de 2021, assinei meu primeiro contrato profissional, então já vou completar 4 anos no final deste ano, treinando com com atletas profissionais, fazendo sparring Isso conta também. E eu tô numa fase muito melhor, né? Ele passou dois anos parado, voltou, fez uma luta, retomou o ritmo. Eu não fiquei parado tanto tempo, eu já fiz duas lutas esse ano. Então, a experiência dele conta, mas não faz tanta diferença porque não tem tanto contexto para ter extremo equilíbrio ali na nas possibilidades. Lógico que na luta pode fazer diferença em um momento ou outro, mas eu acho que não vai ser isso que vai decidir a luta.
Fazendo uma análise, qual característica de luta sua e do seu adversário que você considera um ponto importante?
Bom, começando pelo meu adversário, ele é um cara que de ponto forte, ele começa a luta no ritmo muito intenso, né? Ele impõe intensidade, por mais que a luta seja muito longa, ele já começa num ritmo muito alto desde o início da luta. Isso é um ponto forte. Enquanto outros atletas preferem cadenciar um pouco mais no início para ir aquecendo o ritmo do ao decorrer dos rounds, o meu oponente não, ele já começa em um ritmo muito alto. Isso é um ponto forte dele.
No meu caso, meu ponto forte eu acho que é esperar sempre o primeiro momento e aproveitar sempre os primeiros minutos da luta para poder sentir como que é o meu oponente, sentir um pouco da distância, e depois disso decidir qual o melhor estilo que eu vou boxear.
Lógico que eu tenho uma estratégia já pré-definida, mas eu tenho uma facilidade de ter a percepção do que que a luta tá pedindo ali naquele momento. E por isso sou um atleta bem versátil, eu tenho uma característica já pré-definida, mas eu sou muito versátil, eu consigo boxear em estilos diferentes. Se a luta tá pedindo que eu ataque para frente, eu consigo boxear andando para frente.
Se a luta pede que eu caminhe para trás e para os lados, eu sei boxear para os lados. Então eu sou um cara que eu tenho um timing muito bom no meio da luta, o que que a luta está pedindo e isso me ajuda até para que eu não perca um um possível round. Porque tem atletas que precisam chegar no corner, escutar o seu treinador, que tem que mudar alguma coisa e eu já consigo tirar de mim mesmo durante a luta e fazer essa transição.
"Não era o fim": Osvaldo fala em superação, Série A e continuidade no Vitória após aposentadoria
Por Thiago Tolentino
Era para ser o fim. A idade, o desgaste natural de uma longa carreira e um diagnóstico médico assustador pareciam formar o cenário ideal para a aposentadoria. Mas Osvaldo, hoje com 38 anos, escolheu desafiar o roteiro óbvio. Em vez de encerrar a história, decidiu reescrevê-la — e fazer isso onde o coração fala mais alto: no Vitória.
Campeão da Série B em 2023 e do Campeonato Baiano em 2024, o atacante acumula 113 partidas pelo clube, com nove gols e 12 assistências. No entanto, o maior desafio veio fora das quatro linhas: o camisa 11 foi diagnosticado com tromboembolismo pulmonar e precisou passar por sua primeira cirurgia como jogador profissional.
Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, Osvaldo deu detalhes sobre os 136 dias longe dos gramados, entre outros assuntos, o duro processo de recuperação, o apoio da família e o papel de liderança que exerce dentro do elenco rubro-negro.
"Quando o médico falou que eu ia ficar de três a seis meses parado, quase pulei da maca. Eu só pensava no próximo jogo, na luta contra o rebaixamento. Mas Deus me deu uma nova chance", contou o atacante. Leia a entrevista completa na íntegra abaixo:
A condição exigiu um rígido processo de reabilitação. O tempo fora dos gramados, por outro lado, permitiu uma reconexão com a família — algo raro após quase duas décadas de carreira.
"Foram 18 anos sem viver tanto tempo dentro de casa. Pude aproveitar meus filhos, minha esposa. Isso me deu força para voltar ainda mais forte."

Foto: Victor Ferreira/EC Vitória
RETORNO COM GOL E NOVA FUNÇÃO NA EQUIPE
A volta aconteceu em janeiro deste ano, quando Osvaldo marcou na goleada por 4 a 1 sobre o Juazeirense, pelo Campeonato Baiano. O gol também marcou o início de uma nova fase, tendo sequência como titular — algo que não acontecia desde o problema de saúde.
Durante esse período, Osvaldo teve uma conversa franca com o ex-técnico Thiago Carpini, reconhecendo que ainda não conseguia atingir seu desempenho habitual. A resposta do treinador foi direta: "siga trabalhando, sua hora vai chegar". E chegou.

De pênalti, Osvaldo marcou o seu primeiro gol após 136 dias longe dos gramados | Foto: Victor Ferreira/EC Vitória
Mesmo atuando como ponta — função "incomum" para jogadores próximos dos 40 anos — Osvaldo tem mostrado vitalidade, disciplina e inteligência tática. Ele reconhece que a explosão dos tempos de São Paulo e Fluminense já não é a mesma, mas valoriza a experiência e os cuidados com o corpo.
"Com 38 anos, fazer essa função de ponta é raro. Acho que no Brasil ninguém faz. Mas eu me cuido, suplemento, me alimento bem. Ainda consigo entregar."
IDENTIFICAÇÃO E PLANOS PARA O FUTURO
A identificação com o Vitória já é consolidada. O clube e a torcida o acolheram no momento mais difícil de sua história, e ele retribuiu com entrega e liderança. Hoje, é referência no grupo e ídolo para a torcida.
"Muita gente achou que minha vinda para o Vitória era o fim. Mas eu vim para mostrar que ainda tinha muito a entregar. E quero mais."

Com a frase "Sempre Contigo!", a torcida do Vitória homenageou Osvaldo em meio a sua recuperação, em um treino aberto da equipe, pelo Brasileirão 2024 | Foto: Hugo Araújo/Bahia Notícias
Mesmo ainda planejando atuar por mais um ou dois anos, Osvaldo já projeta o futuro fora das quatro linhas. Em conversas frequentes com o presidente Fábio Mota, discute a possibilidade de seguir ligado ao clube em uma função diretiva.
"O Fábio sempre diz que serei um braço direito dele. Isso me deixa muito honrado. Quem sabe eu possa encerrar minha carreira aqui e seguir ajudando o Vitória de outra forma."
PRESSÃO POR RESULTADOS
Enquanto o futuro é desenhado com cautela, o presente exige reação. O Vitória vive momento delicado na temporada, após a eliminação para o Confiança por 1 a 0 na semifinal da Copa do Nordeste — terceira queda precoce em 2025, após as saídas na Copa do Brasil e Sul-Americana.
Osvaldo foi titular na partida, realizada na última terça-feira (8), mas o time não conseguiu reagir. O resultado selou a saída de Thiago Carpini, que deixou o cargo após 14 meses.

Foto: Maurícia da Matta/Bahia Notícias
Neste sábado (12), o Leão volta a campo para enfrentar o Internacional no Beira-Rio, pela 13ª rodada do Brasileirão. A partida marca a estreia do técnico Fábio Carille. No elenco, reforços importantes: Ronald (renovado), Fabri (recuperado de lesão) e os recém-chegados Renzo López, Rubén Rodrigues e Thiago Couto.
Mesmo com as frustrações recentes, Osvaldo mantém a confiança no grupo e reforça sua responsabilidade como líder.
"A gente reconhece as dificuldades, mas também sabe do potencial do grupo. Nossa luta é para manter o clube onde ele merece estar."
Questionado sobre o que espera do futuro do clube, ele mantém os pés no chão: "Não dá pra planejar o futuro sem garantir o presente. Nosso objetivo é entregar o Vitória na Série A. O clube está crescendo muito em estrutura, e nós temos a responsabilidade de acompanhar esse crescimento dentro de campo."
Fernanda Lanza conta detalhes para superar Maratona de Boston e projeta futuro no esporte
Por Carlos Matos
A baiana Fernanda Lanza esteve entre os 592 brasileiros que completaram a tradicional Maratona de Boston, realizada no dia 21 de abril, nos Estados Unidos. A atleta cruzou a linha de chegada em 3h21min, ficando com a posição 10.348 da classificação geral, depois de enfrentar temperaturas baixíssimas e um percurso desafiador.
Considerada como um dos maiores palcos do mundo das corridas, a 129ª edição da Maratona de Boston contou com 31.941 inscritos. Em 2025, atletas de 129 nações diferentes representaram seus países.
Em 2013, a corrida passou por um episódio triste. O atentado à Maratona de Boston aconteceu a poucos metros da linha de chegada do trajeto, ocasionando a morte de três vítimas e deixando mais de 200 feridos.
A maratonista soteropolitana está escrevendo sua caminhada no esporte. Além da maratona de Boston, Lanza completou outras corridas, em Salvador e no Rio de Janeiro. A capital baiana serviu como laboratório para que ela se preparasse para o capítulo nos Estados Unidos.
Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, Fernanda falou sobre o início da sua trajetória nas corridas, a preparação para a prova mais importante da carreira e os próximos planos.
Foto: Alana Dias/Bahia Notícias
Você começou a correr com o objetivo de se tornar uma atleta profissional?
Comecei a correr na pandemia, como muita gente. Com tudo fechado, correr era a única atividade física possível. Inicialmente foi por estética, para perder peso, mas fui vendo minha evolução e me empolgando. Um professor de CrossFit me viu correndo e ofereceu ajuda com planilhas de corrida. A partir daí comecei a fazer distâncias maiores, até que corri meus primeiros 42 km por conta própria, antes mesmo da volta das provas oficiais. Com meu treinador atual, Choquito, já fiz cerca de seis maratonas. Rio, Salvador, outras locais e agora Boston.
Como foi o processo de preparação especificamente para a maratona Boston?
A preparação começou em janeiro e durou pouco mais de três meses. É um volume muito maior do que em outras provas. Foi difícil porque em Salvador é verão, tem carnaval, calor, e eu estava treinando praticamente sozinha. A diferença climática era o meu maior medo. Uma semana antes da prova, chegou a nevar em Boston. No dia da maratona estava muito frio. Foi tão difícil que fui direto para o posto médico depois da linha de chegada. Quase tive uma gastroenterite de tanto frio. Foi a prova mais difícil que já fiz.
Você imaginava passar por tudo isso durante a prova em Boston?
Não. Fiz a primeira metade bem, mas depois o frio aumentou, a sensação térmica caiu e parecia que o corpo travava. Cruzei a linha de chegada tremendo. Fui direto para ser aquecida com botas térmicas, bebidas quentes e roupas secas. Não fiz meu melhor tempo, mas terminar Boston já foi uma conquista. Foi incrível. Não fiz meu melhor tempo, mas terminar Boston já foi uma conquista. Foi incrível.
Você pensa em correr outros percursos majors?
Com certeza. Já tenho índice para Boston e Chicago. As outras são por sorteio. Talvez tente uma dessas no ano que vem. Agora quero focar em provas de 21 km. Gostaria de correr Berlim, Tóquio ou Londres. Tóquio talvez seja a mais difícil por conta do fuso e da adaptação. Tenho o objetivo de completar as provas majors e conquistar a mandala. Há um ano eu nem pensava nisso, mas veio após a Maratona do Rio, quando consegui o índice, eu lutei para estar lá. Mas há um ano atrás eu nem sonhava com isso.

Foto: Divulgação
Você acredita que teremos mais brasileiros na maratona de Boston?
Com certeza. Eu acho que a maratona de Boston de todas as Majors é a mais desejada pelos corredores. Vem se popularizando muito, tanto que nesse ano, para se inscrever além do tempo de qualificação, tem um tempo de corte. Não basta ter o tempo de qualificação para conseguir a inscrição. Nesse ano, fora o ano que voltou da pandemia, que foi uma quantidade reduzida de inscrições, esse o tempo de corte foi mais alto por conta disso. Antes os tempos de corte eram de 2 minutos e pouco, 3 minutos e pouco. Esse ano foi 6 minutos e pouco. Então, muita gente ficou de fora por questões de segundos. Na minha opinião, a tendência é que esse tempo de corte aumente. Tanto que para o ano que vem os tempos de qualificação já diminuíram.
De alguma forma, o atentado que ocorreu na linha de chegada da Maratona de Boston em 2013 te deixou receosa?
Em relação à lembrança do atentado de Boston em 2013, não senti nenhum receio. A prova tem uma segurança impecável. Há policiamento por toda parte. Me senti segura o tempo todo. Hoje é uma prova muito bem organizada, uma segurança onde você olha e tem alguém da polícia.
Qual mensagem sobre a prática esportiva você passa para as pessoas?
O esporte muda vidas. Você começa por estética ou saúde, mas descobre que vai além: melhora a mente, a autoestima. É uma prova de que você é capaz de fazer o que achava impossível. Correr virou parte de mim, uma terapia. O pódio é consequência da disciplina. Não é só questão de competir, de ganhar troféu, de ir para pódio, é a questão de estar ali se superando, fazendo coisas difíceis que você acha achou que nunca faria.
Basquete, vôlei, trabalho com a SAF e mais: Emerson Ferretti detalha projetos e desafios para 2025
Por Bia Jesus
Presidente da Associação do Esporte Clube Bahia, Emerson Ferretti concedeu entrevista exclusiva ao Bahia Notícias para falar sobre os principais temas relacionados ao clube, que agora vive caminhos distintos do futebol. Entre os assuntos tratados na entrevista, novos esportes, manutenção das atuais modalidades e prestações de contas da SAF foram os mais abordados pela reportagem.

Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias.
Emerson começou realizando uma avaliação do primeiro ano do clube associativo pós-closing do negócio com o Grupo City, que comanda o futebol do Tricolor. “Foi um ano bastante desafiador por ser a primeira gestão pós-closing com a entrega do futebol ao Grupo City. A gente precisou iniciar um trabalho, ainda estamos iniciando um trabalho para além do futebol, dando vida a esse Bahia, que antes era um clube que só tinha futebol e que agora não tem mais futebol e que precisa ter vida de outras formas”, disse Ferretti.
O presidente destacou os principais objetivos que a nova gestão precisou organizar para dar início ao trabalho. “Entramos primeiro para entender isso tudo, entender a relação com a SAF e com o Grupo City, que é uma das nossas funções e responsabilidades, de fiscalizar esse contrato e o trabalho que está sendo feito na SAF, mas também de começar a estudar o cenário das outras modalidades esportivas, para que o Bahia pudesse iniciar o trabalho que seja perene e que se mantenha além da gestão atual e que sirva de base para que o Bahia se torne uma potência olímpica, nesse primeiro momento na região nordeste, esse é o grande objetivo”, continuou.

Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias.
Emerson ainda falou que o primeiro ano foi mais de estudo para entender como funciona o meio esportivo local. “Foi um ano de muita conversa e muito estudo com muita gente para entender como é o esporte aqui da Bahia nas outras modalidades, conhecendo as outras que fazem o esporte local, para fazermos escolhas já que neste momento não podemos abraçar todos os esportes”, concluiu.
Dos esportes já desenvolvidos pelo clube, o presidente confirmou a manutenção das quatro modalidades para a temporada de 2025: “A gente conseguiu iniciar quatro modalidades: o rally, com o título baiano; o futevôlei, que ficamos em 4º lugar na liga nacional; a corrida de rua, que foi um sucesso com mais de 3 mil tricolores nas ruas; e também o MMA, que já fizemos uma seletiva para montar a equipe do Bahia. Essas quatro modalidades já são uma realidade e serão mantidas para 2025.”
Projetando um trabalho mais a fundo no esporte baiano, o clube pretende atrair jovens atletas criando uma espécie de “categoria de base” para o desenvolvimento de jovens e adolescentes no clube.
“No futevôlei estamos estruturando um projeto de escolinhas do clube para serem implementadas. Na corrida de rua já temos duas programadas para esse ano e o MMA, provavelmente até abril teremos um novo evento de MMA aqui em Salvador”, declarou.
“Em outras modalidades já estamos com projetos prontos já em fase de captação de patrocínio para que a gente possa ter viabilidade econômica”, completou.
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Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias.
Um dos principais clamores da torcida para com a associação é a criação de uma equipe de basquete para que o Bahia dispute a principal competição nacional da categoria, o Novo Basquete Brasil (NBB). Emerson revelou ser um desejo do clube também, que já houve tratativas, mas que, neste momento, o Bahia esbarra no fator financeiro.
“Um dos grandes limitadores nossos é o fator financeiro. O Bahia Associação não é um clube rico. Então, tem limitações financeiras e o basquete adulto, esse basquete que se joga na NBB é um esporte que realmente precisa ter um investimento bem grande. A vontade de estar na NBB existe, eu já tive duas reuniões na NBB para tentar entender essa possível entrada do clube e as condições que precisam para entrar. Tudo depende da captação de patrocínio e de verba. Seja através de leis de incentivo ao esporte ou de patrocínio direto para poder montar a equipe de basquete e estar disputando a NBB. O desejo existe, os contatos já foram feitos e para ser bem sincero, falta o dinheiro para pôr isso em prática”, revelou o mandatário.
Outro esporte queridinho da torcida, o vôlei, é mais um que está sendo desenvolvido pelo Bahia. No primeiro momento, o clube vai investir somente no vôlei de praia, abrigando ambos os gêneros e fazendo uma prospecção de talentos desde o Sub-15. Além disso, Emerson revelou já ter um projeto pronto para o vôlei de quadra ser desenvolvido no clube.
“Vamos iniciar o vôlei de praia em fevereiro, já estamos finalizando os últimos ajustes para poder iniciar as atividades com o vôlei de praia. Estamos com um projeto pronto para o vôlei de quadra e vamos iniciar as atividades, num primeiro momento com os times de base, mas com a ideia de chegar e disputar uma competição profissional, queremos chegar à Liga Nacional. Num primeiro momento a Liga C, pois temos que começar por baixo, mas já estamos com o projeto pronto e conversando com patrocinadores… E eu acho que em pouco tempo a gente já deve iniciar as atividades, tanto no feminino quanto no masculino, assim como o vôlei de quadra, que vamos ter os dois gêneros”, disse.
“Todas as categorias. A ideia é, já neste ano, disputarmos o circuito nacional e ter todas as categorias de base: Sub-21, Sub-17, Sub-15. E aí é fazer a prospecção de novos talentos aqui e a gente imagina que vai acabar mexendo um pouco no cenário dos jovens e adolescentes que gostam do vôlei de praia e vão ter oportunidade de se mostrarem e serem escolhidos pelo Esporte Clube Bahia. Mas a ideia é ter todas as categorias e iniciá-las já este ano”, afirmou.
“Estamos andando, mas sempre com os pés no chão, pois é como eu falei no início: estamos com a responsabilidade de montar uma base olímpica, com projetos que se sustentem a médio e longo prazo, nada de curto prazo. Para montarmos uma base forte, um alicerce olímpico forte, a gente primeiro precisa estudar bem para dar os passos certos”, completou.
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Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias.
Ferretti também falou sobre a possibilidade de firmar uma parceira com o Comitê Brasileiro de Clubes, o CBC, para o desenvolvimento de outras modalidades dentro do clube.
“O Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) é uma instituição que está dentro do sistema nacional de esportes, ele recebe recursos públicos para serem distribuídos para os clubes esportivos que são formadores de atletas olímpicos. Então ele é o principal fomentador do esporte olímpico brasileiro. Já que os clubes fazem esse trabalho, ele é o principal fomentador. Então uma das primeiras ações que a gente fez foi simplesmente filiar o Bahia ao CBC, já que o clube não era filiado. E a gente tem uma relação muito próxima, o CBC realmente tem essa capacidade de transferir receitas que transformam a realidade dos clubes, o Flamengo é um deles. Logicamente que existem requisitos a serem preenchidos e como o Bahia está iniciando um programa olímpico, estamos apenas engatinhando, vamos dizer assim, mas muito em breve a gente já vai ter condições de ter esses recursos do CBC, como qualquer outro clube brasileiro que preencha os requisitos”, explicou.
Emerson revelou uma possível parceira futura com o CBC para a criação do Boxe do Bahia, aproveitando que a Bahia é um dos polos que mais fornecem atletas olímpicos para o país na modalidade.
“A gente já tem uma conversa mais estreita com o CBC no sentido de investir em uma modalidade que é muito forte aqui e que é um desejo do CBC de fomentar essa modalidade, e aqui temos os talentos, que é o boxe. Há uma conversa mais próxima de fazer esse trabalho em conjunto nessa modalidade que é o Boxe do Bahia, que ainda não iniciou, mas que existe essa vontade mútua de desenvolver o Boxe aqui na Bahia”, declarou.
Confira outros pontos abordados na entrevista:
Como tem sido as prestações de conta da SAF?
Temos uma série de obrigações mútuas no contrato, isso a gente tem acompanhado de perto, todo o trabalho que a SAF faz e todas as obrigações do contrato precisam ser respeitadas. Entre elas a prestação de contas, principalmente para mim, que sou membro do conselho de administração da SAF, mas está tudo dentro do previsto, dentro do programado. Nos primeiros anos é normal ter mais investimentos que receitas na SAF, já estava previsto e é natural. Tudo está dentro do que o contrato reza.
Como anda as conversas para a criação das sedes (esportiva e cultural) do clube?
Ambos os projetos estão em andamento e ambos dependem do setor público e de recursos públicos, e isso infelizmente não anda tão rápido como a gente imagina. Mas em ambos já demos início, mas ainda não estão formatados. Mas a gente continua trabalhando em cima. A ideia é ter uma sede cultural no Pelourinho para realizarmos projetos sociais e culturais e também a nossa casa, nosso centro olímpico, para termos os nossos atletas e as nossas equipes treinando.
Existe uma parceria entre o clube e os poderes públicos?
Num primeiro momento a conversa foi no sentido de que o trabalho do Bahia associação é investir nos esportes olímpicos e isso não precisa nem dizer a prefeitura e ao Governo do estado o quão importante e transformador isso pode ser. O Bahia entrando com força nessas modalidades, acredito que acaba estimulando outros clubes a fazerem o mesmo. Os talentos baianos acabam tendo um clube aqui para se desenvolver e não precisar sair da Bahia para poder continuar a carreira. Esse é um dos grandes objetivos, ter um clube aqui para poder absorver esses talentos e fazer com que a Bahia comece a ser um polo de retenção e não de exportação de atletas. Eles entenderam e logicamente, dentro das possibilidades de Governo e Prefeitura, se colocaram à disposição para ajudar, mas efetivamente ainda não temos nenhum projeto em conjunto a não ser os dois que falei: Centro Cultural a gente tem dialogado muito com o Governo do Estado e o Centro Esportivo com a Prefeitura.
Pôquer aparece como uma nova modalidade no clube?
A gente também está com um projeto de pôquer, que foi agora em novembro reconhecido como esporte da mente, assim como o xadrez. Então deixa um pouco de ser marginalizado. E a gente está também montando um projeto e quando falamos em pôquer a gente descobre um mundo que já é bem difundido e com muitos adeptos.
Existiu alguma possibilidade do clube desenvolver o E-Sports?
Pensamos desde o início, mas, no contrato com o Grupo City, essa responsabilidade de exploração ficou com o Bahia SAF.
Diretora da FBF, Taíse Galvão comenta retorno da Copa Governador e possibilidade de torcida mista no Ba-Vi
Por Beatriz Santos
Os clubes de destaque do futebol baiano, após o fim do Campeonato Brasileiro, cravaram uma campanha histórica ao ficar entre os onze melhores times do país. Na temporada 2024, o Bahia ficou com a 8ª colocação, e garantiu a tão sonhada vaga para a Copa Libertadores 2025, após 35 anos de jejum. Já o Vitória, depois de sete anos sem disputar um campeonato internacional, assegurou a 11ª colocação e a vaga para a Copa Sul-Americana da próxima temporada.
Na diretoria de competições da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Taíse Silva Galvão acompanhou a evolução e o avanço das equipes do estado, desde a base até o profissional. A comandante, que conta com o único nome diante dos cargos mais altos da entidade, em entrevista exclusiva para o Bahia Notícias, falou sua rotina na Federação, a possível volta da torcida mista nos Ba-Vis e as expectativas para a possibilidade de ter Salvador como Cidade-Sede na Copa do Mundo Feminina de 2027.
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Foto: Alana Dias / Bahia Notícias
No final de novembro, o Ministério Público da Bahia projetou o final da torcida única nas disputas entre Bahia e Vitória em 2025, até por conta do duelo de número 500. Quais são as últimas atualizações sobre o tema? Qual o posicionamento da FBF quanto a isso?
A Federação acredita que é importante sim que tenha ambas as equipes, mas que para isso a gente precisa desse apoio. É imprescindível. Em todas as nossas competições, nós temos um parceiro que é a Polícia Militar. Então, a Polícia Militar é que tem esse conhecimento para poder entender se esse retorno seria um retorno positivo, se há garantias de que teríamos segurança, afinal de contas, infelizmente nós tivemos muitos fatos que levaram a essa essa definição por torcida única. Então assim é um entendimento do Ministério Público e a Federação certamente deverá ser chamada em reunião, como ocorre sempre. São reuniões que envolvem não só as torcidas de Bahia e de Vitória, como também a presença do Ministério Público, da Federação e da Polícia Militar. Então, em reunião certamente vamos chegar a uma conclusão de qual será o melhor caminho. Nós estamos com a Polícia Militar, se disseram que garante a segurança com relação a essas partidas, a esse retorno, a Federação, ela vota junto com a Polícia.
Como é sua rotina como diretora de competições da Federação Bahiana de Futebol?
Eu atuo na organização e no planejamento das competições organizadas pela Federação Bahiana de Futebol, tanto as competições profissionais, de base e futebol feminino. Então, o meu trabalho não começa no ano, se inicia no ano anterior. Eu planejo o calendário de competições com base no calendário nacional. Vou fazendo um planejamento de como é que seria a nossa competição com base nas datas que temos disponíveis para realizarmos as nossas competições. No primeiro semestre, normalmente, começamos o ano com a Série A, depois vem Série B, sub-20 e as demais competições.
No Conselho Técnico do Campeonato Baiano, em novembro, foi conversada a ideia de uma competição para os clubes baianos em 2025, que começaria de 15 a 20 dias após o Baianão e ainda valeria uma vaga para a Copa do Brasil 2026; o que já tem definido?
Para 2025 vamos retomar a Copa Governador do Estado. Foi algo decidido na reunião do Conselho Técnico, então, para 2025, após o Campeonato Baiano vai acontecer a Copa Governador, que tem a intenção de fazer com que esses clubes que não vão passar para a semifinal, possam estar atuando assim como os demais. Essa competição vai valer vaga para uma competição nacional que é a Copa do Brasil. Os clubes da Série D também vão poder participar da competição e utilizá-la como preparação para a própria Série D.
Qual a avaliação da temporada 2024 como um todo e quais novidades podemos esperar para a temporada 2025?
Fechamos com o Intermunicipal agora, em meados de novembro, e nós terminamos com um saldo extremamente positivo. Nós tivemos, no primeiro semestre, o Campeonato Baiano que trouxe uma final que não acontecia desde 2018, que foi o Ba-Vi, que mostrou a força das duas torcidas, Mesmo que não se encontrem ainda em campo, mas todo o apoio e amor que a torcida tem, quando se fala em Ba-Vi. Envolve não só o estado como também todo mundo que está acompanhando pelo Brasil e pelo mundo afora. Além disso nós também tivemos uma série B extremamente disputada, tivemos clubes extremamente é tradicional, mas também tivemos a participação de clubes estreantes, que no caso foi o SSA, que já atuava na base, e o Porto, que conquistou, através do bom desempenho deles, de todo o elenco, conquistaram uma vaga na elite e esse ano já estão entre os clubes que vão estrear na série A de 2025. Tivemos as competições de base, sub-15, sub-17 e sub-20, que são extremamente disputadas. Também tivemos de novidade o futebol feminino adulto com a obrigatoriedade da participação dos clubes da série A, e com isso a gente teve um olhar mais atento a esses clubes. Chegou o momento de estar investindo também nessa modalidade.
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Foto: Alana Dias / Bahia Notícias
Quais são as expectativas para a Copa do Mundo de 2027 que vai acontecer no Brasil e, possivelmente, ter Salvador como cidade-sede?
Enxergo como um divisor de águas para o futebol feminino. É um momento, não só na cidade onde tem um investimento, uma infraestrutura e o turismo, como também mostrar que o torcedor Baiano, até mesmo pela tradição com futebol, em especial com o futebol feminino, não é de agora. Tantos talentos já saíram daqui da Bahia e ainda estão aí na vitrine no futebol mundial como por exemplo Rafaelle Leone. Ela atuou muito pelo Campeonato Baiano e hoje ela está há muito tempo aí na seleção dando sua contribuição. Então, com certeza vai ser algo super positivo. O momento é esse de chamar mais mulheres para poder trabalhar com futebol. Permitir que tenhamos mais competições Para que essas meninas possam estar mais preparadas e sejam bem aproveitadas, não só na Copa, mas pós Copa, porque vai ter legado dessa Copa. Temos que entender que isso é uma oportunidade única que todo mundo deve se juntar para se unir e abraçar.
Dentre os nomes da diretoria da Federação a senhora é a única mulher. Como é trabalhar em um meio predominantemente masculino. Sente isso afetar no dia a dia?
Há um tempo atrás isso realmente existia. Era uma resistência, por eu ser mulher e pelo meio ser majoritariamente masculino. Tinham olhares de desconfiança, mas eu acho que com trabalho e mantendo o tempo todo buscando conhecer e mostrando isso, na prática, que você não está ali a passeio. Que você está ali buscando somar, afinal de contas o futebol, não é só um esporte. É uma paixão nacional e Mundial, então quando uma mulher se propõe a estar num ambiente extremamente masculino, ela precisa se preparar para aquilo e eu acredito que até muito mais do que um homem. Porque ela tem que provar a todo o instante que eu estou aqui por mérito, por capacidade, porque eu entendo. Não estou aqui por que alguém me indicou. Hoje eu fico feliz que, embora na Federação, eu seja a única na diretoria, lá nós temos muitas mulheres extremamente capacitadas atuando em várias áreas, na arbitragem, na contabilidade, em vários setores. Mas eu também vejo e fico feliz que hoje, diferente do início, eu vejo mais mulheres nos estádios. Eu vejo mulheres como repórteres, vejo mulheres como membros das comissões técnicas. Cargos e funções que eram extremamente voltadas para homens. Hoje eu vejo mulheres como técnicas também e em diversas áreas. Em breve espero que esse número aumente e que entendam que se for da vontade e do esforço delas, as mulheres também podem conquistar o seu espaço.
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Foto: Alana Dias / Bahia Notícias
Como a Federação encara a questão do calendário visto que Bahia e Vitória irão começar o Campeonato Baiano com equipes alternativas por conta do pouco para pré-temporada?
A gente entende que a cada momento os clubes vão se destacando. Com isso, eles vão tendo que participar de mais competições. Por isso, se há mais competições, utiliza-se mais datas , então as datas vão se espremendo. Também existem várias competições simultâneas acontecendo ou uma concluindo e a outra já iniciando. Então não tem outra saída. As alternativas que a gente encontra é a que seja a melhor possível. Acho que não é um desejo do Bahia nem do Vitória iniciarem uma competição sem o time principal, mas a pré-temporada precisa ser respeitada. Nós encaramos isso de forma normal.