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Entrevista

Coordenador de base da CBF, Branco exalta Copa 2 de Julho e avisa: "Vamos chegar mais fortes em 2026"

Por Ulisses Gama

Coordenador de base da CBF, Branco exalta Copa 2 de Julho e avisa: "Vamos chegar mais fortes em 2026"
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Aos 59 anos de idade, Cláudio Ibraim Vaz Leal ainda é facilmente reconhecido nas ruas. "Como esquecer daquele chute?", diz um fã nas ruas de Salvador. A todo momento, um cumprimento, uma lembrança e um abraço tomam conta do homem que foi um dos heróis do Brasil na Copa do Mundo de 1994. Passe o que passar, Branco quer seguir deixando o seu legado, principalmente na função de formador de atletas.

 

Na sua segunda passagem como coordenador de base da Seleção Brasileira, o eterno lateral-esquerdo está no cargo desde 2018 e vem ajudando na maturação de jogadores que hoje já vestem a camisa amarelinha. Em visita à redação do Bahia Notícias, o multicampeão falou sobre o trabalho que é feito para os jovens atletas. Ele está na capital baiana para acompanhar os meninos do sub-15 na Copa 2 de Julho.

 

"O trabalho tem fluído muito bem, com profissionais competentes. O futebol brasileiro é um seleiro e eu costumo dizer, com todo respeito, que os jogadores no Brasil caem das árvores, são jóias a serem lapidadas. Os clubes se estruturaram e estão se estruturando em questões de CT (Centro de Treinamento), dando estrutura de trabalho aos profissionais e aos atletas. Isso é uma coisa que eu sempre agradeço aos presidentes de clubes, a terem essa estrutura para formar grandes jogadores, lapidar essas joias. Quanto à CBF, ela dá toda estrutura para a gente exercer nosso trabalho. O presidente Ednaldo nunca negou nada para a gente, muito pelo contrário, o presidente está sempre incentivando", disse, em entrevista ao BN.

 

Conhecedor dos caminhos de uma Copa do Mundo, Branco acredita que o Brasil vai chegar muito mais forte em 2026. Curiosamente, uma das sedes da competição será os Estados Unidos e o jejum de mundiais vai chegar em 24 anos, cenário que ele conhece muito bem. 

 

"Em 2026 o Brasil vai chegar muito mais forte que o Catar. Isso não tenha dúvida. Você pega a geração olímpica é espetacular. Você pega a geração sub-20 também. O próprio sub-17. Opções a gente vai ter", destacou.

 

Além disso, Branco também falou ao Bahia Notícias sobre a chegada de Fernando Diniz ao comando da Seleção Brasileira, o trabalho com o presidente Ednaldo Rodrigues, o drama vivido com a Covid-19 em 2021, entre outros assuntos. Confira a entrevista completa:

 

Branco, como você avalia o trabalho de prospecção e formação de atletas que vem sendo realizado atualmente na CBF?

Primeiro, é um prazer voltar a Salvador, a Bahia. Aqui eu tenho uma história grande, joguei Copa América aqui, em 1989. Agora estamos aqui na 2 de Julho, que é uma referência no Brasil. Sempre foi o maior torneio sub-15, que antigamente era sub-17, com o grande Sinval [Vieira] na frente, mentor desse torneio todo. Gostaria de agradecer a todos que apoiaram para o acontecimento. Foram mais de 250 clubes numa seletiva no interior. Isso faz com que a gente tenha mais opção de observação, de formação da futura Seleção Sub-15. Essa é a segunda preparação e a gente defende o título Sul-Americana Sub-15, além de sermos o campeão do mundo sub-17. Esses torneios vão ser praticamente em paralelo: a sub-15, na Bolívia, e o sub-17, na Indonésia, no final do ano. O trabalho tem fluído muito bem, com profissionais competentes. O futebol brasileiro é um seleiro e eu costumo dizer, com todo respeito, que os jogadores no Brasil caem das árvores, são joias a serem lapidadas. Os clubes se estruturaram e estão se estruturando em questões de CT (Centro de Treinamento), dando estrutura de trabalho aos profissionais e aos atletas. Isso é uma coisa que eu sempre agradeço aos presidentes de clubes, a terem essa estrutura para formar grandes jogadores, lapidar essas joias. Quanto à CBF, ela dá toda estrutura para a gente exercer nosso trabalho. O presidente Ednaldo nunca negou nada para a gente, muito pelo contrário, o presidente está sempre incentivando. Isso faz com que a gente forme seleções de qualidade. Esse ano a gente ganhou o Sul-Americano Sub-17 e o Sub-20, o Sub-20 invicto. Infelizmente o Mundial, que talvez tenha sido um dos mais fáceis dos 9 anos que eu disputei aqui dentro, como jogador e coordenador, a gente perdeu para Israel, mas vida que segue. O Brasil tem formado muitos jogadores de qualidades, tanto é que na última Copa, do título olímpico, 7, 8 jogadores foram pro Catar com o Tite.

 

Como esse trabalho é dividido para que a formação seja feita da melhor forma possivel?

São etapas. Estamos aqui em Salvador com garotos de 14, 15 anos, que daqui a pouco serão titulares com 18, 19 anos dos seus times principais. O exemplo é Endrick e Vitor Roque e outros tantos. É importante ter o pedigree de Seleção Brasileira. Acostumar a cantar o hino de chuteira inúmeras vezes, acostumar desde cedo vestir a camisa e ter orgulho de defender a seleção que tem a hegemonia do futebol no mundo que é o Brasil. 

 

A Seleção sub-15 está em Salvador para a disputa da Copa 2 de Julho. Como tem sido o trabalho por aqui?

Pra você ter uma ideia, da última convocação até agora, aqui tem 14 jogadores que pela primeira vez chegaram à Seleção e estão vestindo a camisa. Pra você ver como é importante esse tipo de torneio pra garotada acostumar. Tem sido muito positivo. Dudu está tendo a oportunidade de observar esses atletas para formar o time que ele quer levar pro Sul-Americano. 

 

Branco acompanha o time sub-15 do Brasil na disputa da Copa 2 de Julho | Foto: Maurícia da Matta / CBF

 

Mais jogadores da Região Nordeste estão aparecendo nas seleções de base. O Bahia, por exemplo, tem o goleiro Arthur Jampa no sub-15. Como tem sido essa observação?

É a segunda vez que eu passo nessa função. A primeira foi lá atrás, que a gente ganhou o Mundial Sub-17, Sub-20, e o Brasil ganhou a Copa com o Felipão, em 2022. Muita gente não sabe, mas o Brasil é o único país que tem a tríplice coroa, por ter ganhado os três mundiais. Só o Brasil tem isso, é importante frisar. Eu sempre fui um cara que olhei pro Brasil inteiro. A gente foi campeão do mundo com um jogador chamado Ederson, um meia, que jogou na Inter de Milão e acabou a carreira aqui no Flamengo. O técnico era o (Marcos) Paquetá, que ganhou o Mundial Sub-17 e 20. Ele falou 'tem um menino lá no RS (que hoje é o CT do Inter da base, em Alvorada), um meia que joga muito, mas joga em um time pequeno, eu não sei como a gente faz para convocar'. E eu disse: ele não é filiado da federação gaúcha, ele não está registrado na CBF? Por que não convocá-lo? Não tem problema. O jogador pode ser bom, no grande, no médio e no pequeno. E o Ederson foi convocado, foi campeão do mundo, em Helsinki, na Finlândia, contra a Espanha. Foi um time que tinha Arouca, Ederson, Jonathan, que era do Cruzeiro, lateral, na época ele era meia. Isso é um exemplo que a gente não tem que olhar só para um certo tipo de região. Agora mesmo o Ceará estava comemorando que o primeiro jogador deles foi convocado para seleção brasileira. Lógico que a gente não pode ser hipócrita de dizer que têm clubes grandes com muito mais estrutura e competem muito mais que clubes médios ou pequenos, que não tem calendário anual. Isso é uma realidade que a gente tem que falar, que é importante o jogador está sempre competindo. O mais importante é a gente oportunizar a todos. Aí depende deles. Agora mesmo foi convocado um menino do Novorizontino, que foi pro amistoso contra o México no Sub-17. Todos querem chegar aqui, como eu lá atrás, garoto, queria chegar à Seleção. 

 

Você falou que jogadores no futebol brasileiro caem de árvores. É um país formador de atletas. Num processo "fácil" para que eles cheguem, qual o principal desafio? 

Eu digo que os maiores formadores do mundo são África e América do Sul e o comprador é a Europa. Sempre foi. Hoje mais do que nunca pela questão monetária, a diferença do euro e do dólar… Você vê que as SAFs estão vindo pro Brasil e estão comprando os clubes, o Bahia é um exemplo. A gente sempre vai formar e isso não vai parar. Por exemplo, Bahia e Vitória sempre foram referência. O Vitória sempre foi uma grande grife, como o Santos, Xerém (o Fluminense), Athletico-R, Palmeiras agora melhorou com a chegada do João Paulo, que é espetacular, meu amigo, grande profissional, Inter e Grêmio. Tem muitos grandes clubes formadores. O grande respiro de um clube é a base e sempre será. Como é a Seleção Brasileira, eles começaram com 14, 15 anos e daqui a pouco estão na principal. É uma caminhada, é a base, o alicerce pro futuro, não só no esporte, na nossa vida em geral. Como o José Roberto Guimarães, do vôlei, diz, e eu fui lá em Tóquio, o único título que me faltava era a medalha de ouro. Eu saí da minha crise da covid, uma situação que eu ressuscitei… Deus existe, Deus é grande… Aí eu fui visitar o Zé e eu disse: 'Zé, você é tricampeão olímpico, eu queria tocar em você pra ver o seu segredo. Como é que ‘tu’ faz? Tem três medalhas, eu não tenho nem uma.' Aí ele disse 'posso fazer uma coisa?' Eu disse 'pode'. Aí ele se abaixou no meu pé esquerdo e falou assim: 'deixa eu tocar no seu pé esquerdo que eu não ganhei uma Copa do Mundo de futebol pelo Brasil e você ganhou'. Foi uma brincadeira, quebrou o gelo. Aí ele falou assim: 'dizem que a gente tem sorte, mas não tem isso. O grande segredo é estar preparado para a oportunidade'. E pior que é isso mesmo. Essa frase me marcou muito. Não só no esporte, na nossa vida, no dia a dia, temos que estar preparados para as oportunidades, e eu acho que o grande segredo é esse. O exemplo que ele deu é espetacular. 

 

São jogadores que estão aparecendo neste momento para a Seleção Brasileira principal. Você falou do Endrick, do Vitor Roque... Como você está observando o futuro desses meninos para 2026, nesse ciclo que está tendo muita cobrança. 

Em 2026 o Brasil vai chegar muito mais forte que o Catar. Isso não tenha dúvida. Você pega a geração olímpica é espetacular. Você pega a geração sub-20 também. O próprio sub-17. Opções a gente vai ter. Nós vamos pra 24 anos de novo, que nem em 94 e ironicamente de novo nos Estados Unidos. Nada é por acaso. O Brasil tem muita qualidade e material humano vai ter, não tenho dúvida. Não é de hoje que eu falo que em 26 vamos chegar muito forte. Eu não tenho dúvida disso, escute o que eu estou falando. 

 

Que conselho você poderia dar a esses atletas que são experientes e vão jogar a próxima Copa em meio às cobranças?

A cobrança na Seleção sempre foi e sempre será. Logicamente que o Brasil, na nossa geração, bateu três finais consecutivas, 94, 98 e 2022. De três, ganhou duas e chegou a uma final. Pra tu ver que a gente é forte. A única coisa que eu que joguei três Copas e falo para todas as seleções quando a gente se reúne é que o individual aparece com a força do grupo. Não se ganha só, se ganha com todos. Até porque seleção que começa não acaba. Não adianta, uma andorinha só não faz verão. É todo mundo fechado. De mão dada, a gente fica mais forte, e acho que tem que ser assim em 26. 

 

Branco visitou a redação do BN | Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

 

A CBF anunciou oficialmente a contratação de Fernando Diniz para o cargo de técnico. Qual sua opinião sobre a chegada dele? 

Queria parabenizar o presidente Ednaldo pela escolha e é por merecimento dele (Fernando Diniz). É a valorização do treinador brasileiro. Eu não vi ninguém falar isso de ontem pra hoje quando ele foi anunciado. Todo mundo está reclamando que tem muito estrangeiro, mas o presidente Ednaldo valorizou um brasileiro, que é de uma geração jovem, que tem um sistema que a maioria admira como o Fluminense joga. 'Ah, vão esperar o Carlo Ancelotti', mas nesse tempo aí o Fernando tem uma grande oportunidade. E é aquela história: estar preparado para a oportunidade. Sabe lá, né? Futebol é um negócio que é de momento e a grande oportunidade dele é essa. Por merecimento, foi muito bem escolhido. É um cara jovem, com uma metodologia espetacular. Eu conheço pessoalmente, é um cara muito legal e, acima de tudo, muito disciplinado naquilo que faz e a gente tem que ter disciplina nas melhores famílias.

 

Como é trabalhar com Ednaldo Rodrigues? Como tem sido essa relação com o presidente?

Pra mim falar do Ednaldo é muito confortável porque eu conheço o presidente há muitos anos desde a Federação Bahiana. Um cara humilde, tranquilo. Está fazendo a sua gestão, tem as suas ideias. Tem que respeitar. Chegou ao comando do futebol brasileiro não por acaso, ele tem uma escola desde garoto, foi jogador, teve um ‘tempão’ de presidente aqui. A gente torce muito por ele e a gente vai trabalhar para reconquistar o campeonato mundial. O Brasil, como eu te falei, tem 16 títulos mundiais: cinco na principal, cinco na Sub-20, quatro na Sub-17 e duas nas Olimpíadas. A gente é muito forte. Não tenho dúvida que o presidente Ednaldo já está trabalhando no melhor sentido para gente chegar muito forte na Copa de 26. Ele tem dado apoio a todas as categorias, não só masculino, como feminino, futsal, beach soccer, enfim, todas as situações. 

 

Para encerrar, mande um recado para os leitores do Bahia Notícias. 

Queria mandar um abraço para todos os leitores do Bahia Notícias. Agradecer pelas orações que fizeram por mim na minha crise de covid. Eu sei que foi uma comoção nacional, não posso deixar de frisar isso. Até internacional porque eu joguei muitos anos fora do Brasil. Queria agradecer a todos pela corrente que foi feita. Hoje estou aqui de volta muito mais forte que antes, em todos os sentidos. Dar um beijo no coração de todos. Obrigado pelo carinho de sempre, aqui em Salvador, na Bahia, e que Deus abençoe. Acima de tudo, saúde. Boa sorte aí a todo mundo e 'tamo' junto.