Terça, 01 de Agosto de 2017 - 11:00

Pai, torcedor e ex-goleiro, Jean exalta fase de Jeanzinho no Bahia: 'Momento único'

por Ulisses Gama

Pai, torcedor e ex-goleiro, Jean exalta fase de Jeanzinho no Bahia: 'Momento único'
Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia
Mesmo depois de encerrar a carreira em 2011, o ex-goleiro Jean Paulo Fernandes não larga o futebol. É preparador de goleiros da divisão de base do Bahia e vê uma parte de si defender o Esquadrão de Aço no time profissional: Jean Paulo Fernandes Filho. A fase do atual goleiro tricolor é muito celebrada pelo pai, que vê no filho semelhanças em relação a sua carreira como arqueiro. "Vi umas defesas que ele fez e percebi que ele puxou ao pai. Valoriza bastante e ele está certo, tem que vender o peixe. Ele fez defesas excepcionais. No Ba-Vi ele fez grandes defesas. Para quem assiste e tecnicamente falando, foram defesas rápidas. Não acompanho todas as defesas, porque se eu ver, fico maluco", disse, em entrevista ao Bahia Notícias. Campeão da Copa do Nordeste sem ter sofrido gols enquanto mandante, Jean tem brilhado na disputa do Campeonato Brasileiro com defesas difíceis. A boa atuação vem aliada ao interesse de outros clubes. Recentemente, o Benfica de Portugal fez uma sondagem pelo jovem de 21 anos. Para o pai, se houver uma boa proposta para o clube, o jogador deve seguir para fora do Brasil. "O que ele tinha para mostrar para quem cornetou ele já foi mostrado. Se aparecer um clube que desperte interesse, eu vou sentir saudade, mas que siga a vida e pare cedo", declarou. Com o estilo brincalhão, Jean também falou ao BN sobre o seu trabalho no clube, os estudos para seguir na carreira e o filho João Victor, que também segue a carreira de goleiro.
 
Como tem sido acompanhar o bom momento de Jean?
É gratificante, né? Nunca esperei que pudesse ver meu filho em uma sequência boa e começando no time que comecei. Isso me enche de orgulho, fico muito feliz. É um momento único. Para fazer história, você tem que marcar e ele está fazendo um grande Campeonato Brasileiro. A tendência é que vá crescer mais e quero que ele voe longe. O objetivo principal é a Seleção Brasileira. É assim que eu penso.
 
Ele recebeu uma sondagem do Benfica e é observado por outros clubes. Acha que é a hora dele sair?
A gente tem vários amigos pelo mundo e existem muitos rumores. A gente só sabe quando tem proposta quando vem o papel timbrado, com a assinatura do presidente. É um momento bom que ele está passando. Existe a questão financeira tanto para o clube, como para o jogador. Quanto mais cedo se fizer o pé de meia, melhor. É uma questão individual, mas é um momento bom para se negociar Jeanzinho, a depender dos valores. O que ele tinha para mostrar para quem cornetou ele já foi mostrado. Se aparecer um clube que desperte interesse, eu vou sentir saudade, mas que siga a vida e pare cedo.
 

Jean tem vivido bom momento no Brasileirão | Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia
 
Quando goleiro, você marcou um gol pela Ponte Preta. Jean treina cobranças e falta e também quer marcar...
O goleiro fazer gol em outro goleiro é uma coisa maravilhosa. A gente só toma gol, pô! Uma hora tem que fazer um golzinho para vibrar. E Jean tem habilidade com os pés. Não vejo a hora dele fazer um golzinho. É só um treinador deixar ele bater uma falta, que ele vai guardar.
 
Jean mostrou uma evolução em seu comportamento. O que aconteceu?
Depois que ele passou a ser pai, ganhou uma responsabilidade maior. Não está sendo diferente com ele. Quando você constrói uma família, você fica mais maduro. O momento que ele vive é pelas responsabilidades, mesmo com a pouca idade. Isso aconteceu comigo.
 
Acha que a pressão da torcida também colaborou para o amadurecimento?
A pressão é normal. Joguei um Ba-Vi onde foi 3 a 3, perdemos o título baiano e eu fui emprestado para o Fluminense de Feira. Goleiro vive na pressão em todos os jogos. O atacante pode falhar, o volante pode falhar, mas o goleiro não. Mas essa pressão também fez com que ele pudesse amadurecer. O treinamento melhorou muito. Mas quem não quer pressão, é melhor ir para casa. Hoje os estádios tem lotação máxima de 50 mil e eu já joguei com 100 mil. Pressão é normal.
 
Como avalia as defesas do seu filho?
Vi umas defesas que ele fez e percebi que ele puxou ao pai. Valoriza bastante e ele está certo, tem que vender o peixe. Ele fez defesas excepcionais. No Ba-Vi ele fez grandes defesas. Para quem assiste e tecnicamente falando, foram defesas rápidas. Não acompanho todas as defesas, porque se eu ver, fico maluco. Ele tem coisas que não tinha. Ele trabalha com os pés, tem passe preciso.
 
O que precisa melhorar?
Ele precisa de mais concentração. Não que ele não esteja concentrado. Com 23, 24 anos, ele vai amadurecer mais. É coisa da idade. Ele vai chegar em um momento excepcional. Só com o tempo.
 
Durante as transmissões das partidas, Jeanzinho é sempre lembrado como "filho do Jean". Como vê esse reconhecimento?
Eu falo para a minha família que isso é um legado. Graças a Deus tive reconhecimento. Joguei nos dois clubes daqui. Vou no Rio e em São Paulo e sou reconhecido. Isso é gostoso e prova todo o trabalho que fiz dentro de campo. Representa tudo que fiz dentro e fora, até porque não se pode ter um campo perfeito e fora ser baladeiro. Vejo muitos meninos com o nome Jean por minha causa. Isso é bom de ouvir.
 
Além de Jeanzinho, você tem outro filho treinando no sub-17. João Victor tem futuro?
Ele pegou um mix. Viu o pai, está vendo o Jeanzinho e filtrando os dois para ser melhor (risos). Mas ele tem um potencial grande, se quiser. Disse a ele que o futebol é o plano B e o plano A são os estudos. Ele tem futuro, isso é DNA. Foi uma escolha deles. Quero que eles sejam conhecidos como pessoas de boa índole. Acho que o Bahia fará um bom dinheiro com os meninos.
 
"Isso é DNA", diz Jean sobre os filhos no gol. Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia
 
Como tem sido o seu trabalho na base do Bahia?
A minha vida foi nesses gramados. Hoje temos muitos treinadores de livro, com parte teórica. Eu tenho a prática e a teoria pode estudar. Mas quem só tem a teoria não vai ter a prática. No meu cotidiano, me divirto com os meninos e graças a Deus estamos tendo frutos. Eles me entendem e quando tem que dar bronca, eu dou bronca. Eu nunca pensei que seria treinador de goleiros. Estou aprendendo, estudando, até porque temos que inovar. Daqui a uns 50 anos eu aprendo (risos).
 
Pensa em trabalhar no time profissional?
Thiago Mehl me chama para treinar. Eu vou meio cabreiro, até porque Jean está lá, então acho um pouco antiético. Não me vejo no profissional. Tenho dois anos estudando, vendo trabalhos, mas acho que estou no caminho certo. Gosto muito do Bahia. Sou paulista, mas trouxe minha família para cá. Essa água do Fazendão tem algum negócio (risos).

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