Terça, 07 de Março de 2017 - 11:00

Marcos Manassés quer transformar o PFC Cajazeiras em 3ª força estadual

por Edimário Duplat

Marcos Manassés quer transformar o PFC Cajazeiras em 3ª força estadual
Foto: Glauber Guerra / Bahia Notícias

O deputado Marcos Manassés garante que tem experiência no futebol baiano. Gestor da Onsoccer Brasil, o dirigente participou das campanhas de acesso de Jacobina e Galícia para a elite estadual e agora traz a sua nova equipe, o PFC Cajazeiras, para a disputa da Série B do Baianão. Em entrevista ao Bahia Notícias, o cartola falou da origem do time e fez uma análise sobre a atual situação do futebol baiano. Confira:

Como surgiu a ideia da criação do PFC Cajazeiras?
Eu estou mexendo com futebol há mais de 30 anos. Tenho uma empresa chamada Onsoccer Brasil, que administra clubes de futebol e também tem jogadores profissionais que pertencem a ela. Jogadores como o zagueiro Jardel, que está no Benfica de Portugual, e Edilson (lateral) que está no Grêmio. Mas nós resolvemos investir no estado da Bahia, porque hoje não existe um país europeu ou um estado brasileiro da primeira divisão que não tenha um jogador baiano. Então trouxe minha empresa para cá há oito anos, visando estes talentos. Por conta da Lei Pelé, você hoje precisa ter um clube profissional para ter o direito federativo do atleta e por isso fundamos esta equipe. Nós tivemos algumas parcerias com equipes daqui como o Galícia, que fazia 15 anos que não conseguia disputar a primeira divisão. Conseguimos colocar o clube na elite e hoje vemos o momento triste da equipe, praticamente rebaixado nesse Campeonato Baiano. Depois fizemos com o Jacobina, que estava 22 anos parado e colocamos novamente na primeira divisão. Mas o que acontece é que nesses casos o clube não pertencia à empresa e sempre tínhamos dificuldades com os dirigentes dessas equipes. Por isso, resolvemos montar o time da OnSoccer Brasil e criamos o PFC Cajazeiras.

E por que PFC Cajazeiras?
Para mim, Cajazeiras hoje é praticamente uma cidade dentro de Salvador. Temos ali mais de 500 mil pessoas e esse é o melhor espaço para um clube ter personalidade, criar raízes. Então achamos melhor prestigiar essa região e implantar um trabalho de categorias de base, com centro de treinamento e tudo. Um verdadeiro clube profissional totalmente ligado à empresa. E como nestes últimos oito anos tivemos condições de conhecer o Campeonato Baiano e a sua estrutura, resolvemos criar uma terceira força no futebol estadual.

E o que faz um clube hoje ser a terceira potência do futebol estadual?
Basta conseguir chegar ao Brasileiro da Série C. Qual clube baiano hoje que disputa alguma divisão do Campeonato Brasileiro da Série A, B e C além de Bahia e Vitória? Nossa finalidade é criar uma grande equipe com estrutura profissional e objetivo de chegar à terceira divisão nacional. Para disputar a segunda divisão, já contratamos o treinador Eduardo Bahia, que estava no Vitória da Conquista, fazendo uma proposta para ter um profissional que estava em uma das quatro melhores equipes da primeira divisão do Baiano. Vamos iniciar o trabalho já nessa semana e montar um time para ser campeão, pois só o primeiro colocado da segunda divisão pode subir esse ano. Daí vamos depois lutar por uma vaga na quarta divisão para irmos à Série C do Nacional.


Foto: Jefferson Peixoto / Ag. Haack / Bahia Notícias

Os clubes do interior da Bahia sinalizam uma dificuldade com formação de torcedores. Como o PFC Cajazeiras, que é da mesma cidade que clubes como Bahia e Vitória, pensa na formação de adeptos para o clube?
Temos um planejamento. Torcedor você forma com a conquista de títulos e na formação das crianças. Nós temos aqui em Cajazeiras a implementação de escolinhas do PFC Cajazeiras, na qual os jovens vão usar material esportivo e defender o clube em torneios de base. Vão assim conhecer o clube e se tornar torcedores. Você não tem como competir com a dupla Ba-Vi, que tem tantos anos de existência, sem um plano a longo prazo. Nós sabemos disso e estamos plantando isso em solo fértil.

Outra questão recorrente no estado é em relação às dificuldades financeiras vividas pelos clubes chamados de “pequenos”. Com base nesse plano de metas do PFC Cajazeiras, como o clube enxerga estas dificuldades para crescer a nível estadual ou nacional?
Olha, vamos disputar a Segunda divisão do Baiano, mas já temos estrutura de time grande. E o que seria essa estrutura? É ter condições de fazer as coisas. Hoje, tirando Bahia e Vitória, os outros times do Campeonato Baiano vendem o almoço para comprar a janta. Não tem retorno financeiro pelo torneio e os próprios dirigentes não querem investir em longo prazo e se não existir uma vitrine, como um Brasileiro da Série C, não tem como se sustentar. Nossa empresa quer fazer esse investimento para chegarmos a terceira divisão. Quando conseguirmos isso, aí sim teremos retorno. Hoje precisamos investir, porque é preciso aplicar a longo prazo. A maioria dos clubes baianos hoje não tem nem condições de disputar nem o estadual.

Alguns clubes reclamam da falta de um calendário completo para facilitar na estruturação da equipe. Já outros preferem apenas atuar na metade do ano. Para o PFC Cajazeiras, qual seria o melhor formato de temporada?

Quem pensa pequeno não quer ter calendário. Só quer uma competição para respirar mesmo. Mas, quem quer se estruturar e ser grande, falta calendário sim. Para que vai disputar a competição se vai ficar o resto do ano sem fazer nada. Temos aqui a Copa Governador do Estado, que não tem incentivo nenhum hoje. Ano passado até tínhamos vaga na Copa do Brasil e Série D, mas tiraram isso. Não tem direito a nada e só no Baiano agora teremos essas vagas. Isso é ruim para ter condição de uma melhor regularidade. Mas para tudo existe um lado bom e um lado ruim. Se os clubes baianos querem só um torneio no ano, quem tiver melhor estrutura vai ter vantagem em cima dessa desorganização.

No atual formato, a Série B do Baiano preza pelo uso de atletas sub-23. Como você vê isso?

Facilita-nos muito, porque uma grande dificuldade dos clubes hoje é contratar. Se os clubes da primeira divisão já não conseguem, imagina os da segunda. Se formos analisar, nos últimos 10 anos são os mesmos jogadores que circulam entre a primeira e a segunda divisão. Agora, colocando jovens jogadores para atuar na segunda divisão ajuda a coloca-los em visibilidade. Quer ver um exemplo? Olha a Copa São Paulo de Juniores desse ano. Dois jogadores do Juventus-SP são baianos que foram diretos para lá e não passaram por ninguém aqui. Poderiam ter passado por uma equipe daqui e ir para Bahia e Vitória. Isso pode mudar.

Torcedores reclamam muito da atual estrutura do futebol baiano. Qual seria o motivo dessa "crise" no futebol local?

Olha, eu acho que ela cabe aos clubes e a própria FBF. Os clubes que não cobram e a Federação que não ajuda os seus filiados. As agremiações hoje estão falidas e a FBF não dá condições para que eles sobrevivam. Veja por exemplo os direitos de imagem de TV, que não dão nem para pagar as taxas dos estádios. Olha a situação do gramado do interior. Qual o torcedor que vai assistir? Existem formas de se trabalhar isso, há uma responsabilidade de ambos tanto para cobrar quanto para ajudar. Senão teremos sempre um futebol fraco, só com Bahia e Vitória sobrevivendo. 

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