Vice-presidente do Bahia vê rendimento abaixo do esperado: 'Temos time para fazer melhor'
Foto: Ulisses Gama / Bahia Notícias
Acostumado a aparecer nas entrevistas pós-jogo, assim como os outros diretores do Bahia, o vice-presidente tricolor, Pedro Henriques, recebeu a reportagem do Bahia Notícias para uma entrevista no Fazendão. No exercício do cargo desde o início do ano passado, o dirigente viveu o fracasso de não conseguir o acesso para a Série A e aponta que não há espaço para erros neste ano. "Tenham certeza que todos que estão trabalhando aqui estão fazendo o melhor para o clube. Às vezes erram, mas errar é humano. Não temos espaço para errar duas vezes na mesma coisa. O Bahia vai subir. Não tem alternativa", afirmou Henriques, que fez comentários sobre o desempenho do tricolor, que ocupa a quinta posição no Campeonato Brasileiro da Série B, com 17 pontos conquistados. "O desempenho está abaixo do que a gente imaginava.  Achamos que temos time para fazer melhor que isso. Depois do jogo contra o Paysandu, disse justamente isso. Temos elenco para ter mais folga na tabela", indicou. Pedro Henriques também falou sobre a saída do técnico Doriva, possibilidades de novas contratações, contrato com o Esporte Interativo, imbróglio entre OAS, Fazendão e Cidade Tricolor, e demais assuntos.
 
Como tem visto o desempenho do Bahia na Série B? É satisfatório em relação ao que foi planejado?
O desempenho está abaixo do que a gente imaginava. Achamos que temos time para fazer melhor que isso. Depois do jogo contra o Paysandu eu disse justamente isso. Temos elenco para ter mais folga na tabela. Claro que estamos numa margem próxima do que a gente gostaria, mas está abaixo. Acredito que temos muito a evoluir, alguns jogadores não atingiram o máximo do seu nível técnico. É ter tranquilidade.

E a demissão do técnico Doriva? Como aconteceu a decisão?
Foi uma decisão tomada com calma. Não foi no calor do resultado. Fizemos uma campanha satisfatória no começo do ano, mas o time caiu na reta final. Já naquele momento havia um certo questionamento ao seu trabalho, mas entendemos que o time teve uma postura diferente na segunda partida da final. Estabelecemos uma meta de pontuação em dez rodadas da Série B e infelizmente o time ficou muito abaixo. Diante do fracasso, entendemos que era necessário mudar. Entendemos que o Bahia tem elenco qualificado e não pode estar em quinto lugar, sendo que jogamos seis partidas em casa. Vamos tentar criar uma situação nova com o novo treinador.

Qual o perfil buscado pela diretoria?
Queremos achar um profissional que se adeque a nossa realidade, que possa extrair o melhor dos nossos jogadores. Que tenha um modelo que se encaixe, pois é diferente um técnico que monta um grupo e um que chega com o grupo montado. Ele terá que se encaixar nesse estilo de jogo. De preferência, que seja um treinador que esteja em um momento bom da carreira. Vamos trabalhar para que a contratação ocorra na maior brevidade possível. 
 
Guto Ferreira é um nome? 
A gente não fala sobre nomes. Isso gera especulação, ansiedade. Não é a nossa linha.     
 
O torcedor sempre cobra novas contratações. Entre os pedidos, estão o de um atacante para fazer sombra a Hernane...
A gente está sempre atento ao mercado. Sabemos da necessidade de sempre reforçar o elenco para ter tranquilidade e para a torcida nos apoiar, porque é fundamental esse apoio. Acho que o elenco é muito forte, um dos melhores da competição. Junto com o Vasco, é o time mais tarimbado. A cobrança por reforços é positiva no sentido de que a torcida está querendo ver o melhor, mas as contratações devem ser feitas com cuidado e critério. A margem de erro diminuiu muito em relação ao ano passado. Acho que a questão de um camisa 9 para ser sombra de Hernane é muito complicado. É difícil ver dois camisas 9 de alta qualidade nos clubes do Brasil. Talvez o São Paulo, com Calleri e Allan Kardec, mesmo assim o Kardec não vive boa fase e o Calleri pode sair. O Atlético-MG que tem o Pratto e o Fred, e o Pratto está pra sair. Não é tão simples assim. 'Ah, quero um camisa 9 para ser sombra de Hernane'. Querer todo mundo quer, mas não é simples, não é um brinquedo. A mesma coisa para outras posições. A gente tentou alguns atletas e o fato do nosso elenco ser qualificado em algumas situações acabam inibindo os jogadores de vir. Os atletas veem a qualidade do elenco, alguns aceitam o desafio, mas o jogador gosta de jogar. É difícil sair de um clube que você é titular para disputar posição. A gente pode trazer uma aposta, mas não é nosso perfil no momento. Queremos atletas que venham para resolver. Queremos atletas focados em ajudar o Bahia.

Pode citar as carências do atual elenco? 
Não vou mencionar posição específica, pois temos que ter cuidado com os nossos atletas. Vemos o esforço do dia a dia. Não concordo com críticas que ouço. Tem gente que critica muito o Tinga. Acho Tinga um excelente jogador, que faz uma boa função defensiva. É um lateral alto e forte. É um critério que a gente analisava para o perfil da nossa defesa. Para você ver, temos dois laterais fortes, que são Tinga e Moisés, e dois laterais leves, que são João Paulo e Hayner. Isso foi planejado. Acho que as pessoas tem que saber que vivemos em uma realidade, que temos um orçamento. Nesse ano aumentamos o investimento no futebol e isso tinha sido previsto no começo do ano. A folha acredito que esteja em 2,2 milhões. Só para ter um parâmetro, ano passado foi 1,5 milhão. A gente não tem muita margem para superar isso. Claro que tivemos receitas extraordinárias, mas temos que ter cuidado. Temos uma diretoria financeira que conversamos para respeitar nosso orçamento. O Bahia precisa ser um clube equilibrado, porque não adianta subir e não ter condição de manter. Queremos investir, mas com responsabilidade.
 
Nas últimas semanas, especulou-se a contratação de um jogador argentino. O Bahia conversa com jogadores dos países vizinhos?
A gente já tentou alguns jogadores estrangeiros. Por exemplo, tentamos no começo do ano um meia que assinou agora com o Santos, o [Emiliano] Vecchio, mas ele acabou indo para o mundo árabe. Aí era complicado de competir. Tentamos alguns jogadores, continuamos analisando esse mercado, mas somos criteriosos. Em termos de ofertas de atletas, existem vários, mas não vamos contratar assistindo vídeo no YouTube. Temos que conhecer o atleta. O ideal é ver ao vivo para formar a convicção de que ele tenha as características necessárias. Ver ao vivo é fundamental. Chegamos a negociar com alguns atletas de, mas não evoluíram. Chegamos a negociar com jogador de seleção que disputa a Copa América, mas infelizmente não aconteceu. Existe uma ilusão de que o atleta dos demais países sul-americanos são mais baratos que os brasileiros. Isso é ilusão. Primeiro que a negociação é em dólar, segundo que uma coisa é o salário, outra é o dinheiro para comprar o atleta. Os clubes argentinos, chilenos e uruguaios negociam muito melhor que os brasileiros. Muitos deles vendem direto para Europa. Não são negociações fáceis. São operações custosas, mas temos sim atletas em observação. É possível que nessa janela ou na próxima possamos trazer.
 
Bruno Paulista é um jogador que pode ficar no Bahia? Qual a situação dele?
O Bahia tem direitos econômicos do atleta. Ele foi vendido para um clube de Angola e foi repassado para o Sporting. Ele teve um problema de sequência lá, fez a sua recuperação aqui. Bruno tem carinho pelo Bahia, se sente bem jogando aqui. É um atleta que a torcida conhece, que tem qualidade, poderia somar ao elenco, mas não é uma situação fácil. Vamos analisar. Se o jogador tiver interesse em voltar e o clube tiver interesse em negociar, vamos conversar. Bruno é um atleta da casa, querido por todos e tem qualidade técnica. Se for viável, a gente busca. É uma situação que a gente deixa monitorada.
 

"Bruno é um atleta da casa, querido por todos e tem qualidade técnica. Se for viável, a gente busca" | Foto: Divulgação / EC Bahia

 
Recentemente, foi alterado o local mais barato da Arena Fonte Nova para beneficiar o torcedor. Serão feitas outras ações?
A gente tem conversado frequentemente com a Arena Fonte Nova. É um esforço contínuo e desgastante para melhorar o serviço para o sócio do clube. Temos algumas pretensões de mudança, principalmente para depois da Olimpíada. Particularmente, sempre gostei de circular pela Arena Fonte Nova, A setorização é uma crítica contínua. Apesar de entendermos as questões da Arena, a gente sabe como é. A gente busca viabilizar essa demanda e temos essa expectativa. Ainda tem muita coisa para melhorar. Sei que muitos não tem paciência, mas não é um trabalho simples. Nesse tipo de situação, temos que ter paciência e perseverança para melhorar.
 
Com a manifestação positiva da torcida sobre Pituaçu, existe a possibilidade do Bahia mandar mais jogos por lá?
Olha, primeiro que não acho que isso condiz com a realidade. Acho que é um mito, principalmente nas redes sociais. Gosto muito de Pituaçu, mas o fato é que o Bahia jogou em Pituaçu nesse ano e a média foi semelhante à da Fonte Nova. O que acho é que a torcida do Bahia gosta é de ser bem tratada e ela, em alguns momentos, se sentiu melhor tratada em Pituaçu. Temos a previsão contratual que nos permite fazer alguns jogos fora da Arena. É questão de negociação, de ver quais seriam os jogos, porque querendo ou não é uma parceria. Para melhorar essa relação, temos que ter um jogo de cintura. Temos que ter cuidado e respeito com o parceiro para construir as relações. Temos que ter o discernimento. É viável fazer mais jogos lá, inclusive para a Arena é interessante. Existe um custo e muitos jogos financeiramente é ruim para eles, em virtude do público baixo em alguns jogos. Tivemos horários muito ruins, mas é ter paciência. 
 
O Bahia vai conversar com a CBF para alterar mais jogos da tabela da Série B?
A planilha detalhada que saiu é interessante. Claro que existem algumas mudanças que vamos conversar junto com a Federação Bahiana e a TV. Tem gente que acha que o Bahia é inimigo da Globo, o que não é verdade. O Bahia é parceiro da Globo. Temos contrato até 2018 com eles e muito provavelmente teremos esse contrato estendido, porque a Globo não se resume ao SporTV. Tem o PFC e a TV aberta. Mas vamos pedir a alteração de um jogo nessa sequência. É uma questão de logística, mas em termos de horários ficamos satisfeitos.
 
O Campeonato Brasileiro com os direitos nas mãos do Esporte Interativo só acontece em 2019, mas como anda hoje o relacionamento com o canal atualmente? Vocês se reúnem?
A relação com o Esporte Interativo é boa. É um parceiro que tem entrado com força no futebol. A relação é boa, mas a gente sabe como é começo de namoro: todo mundo quer conquistar e a gente tem que ficar atento. A Globo era maravilhosa no começo. Queremos ter uma relação boa com todos, ciente de que todos estão defendendo os seus interesses. É tudo negócio. Graças ao Esporte Interativo circulou muito mais dinheiro dentro do futebol, fez a Globo mudar sua postura em relação aos clubes. A Globo, que negligenciava os clubes nordestinos, buscou melhorar a relação. A gente fica muito feliz com a investida, mas a gente sabe que eles não são bonzinhos. Na minha concepção, um aspecto positivo da relação com o Esporte Interativo foi a relação com os clubes. Mantemos contatos constantes com o Santos, Inter, Ponte Preta, Coritiba e Atlético Paranaense. A gente discute o futebol e isso possibilita as negociações sem intermediários. Por causa da aproximação, conseguimos algumas negociações: o amistoso com o Santos, o empréstimo de Thiago Ribeiro, a compra do Jackson junto ao Inter... É importante que os clubes se aproximem, conversem. A vinda do Esporte Interativo acabou sendo uma mudança interessante. É uma oportunidade.
 
A pressão para subir de divisão ficou maior com essa assinatura de contrato?
A pressão é pela história do Bahia, pelo tamanho do clube. Tínhamos que ter subido no ano passado. O fato da gente ter assinado com o Esporte Interativo pesa a favor da gente. Mostra que somos um clube de vanguarda, que possibilitou essa mudança no futebol brasileiro. Em termos financeiros, não se enganem. Quem acha que os clubes que assinaram com o Esporte Interativo tem mais dinheiro? Pelo amor de Deus, gente... A Globo, quando viu o que aconteceu, naturalmente buscou melhorar esses contratos com os clubes. Não tenham dúvidas de que os contratos melhoraram. 
 
O Bahia recebeu R$ 40 milhões em luvas com a assinatura deste contrato e eles segues sem ser usados. Esse valor vai para a estrutura do clube ou para futuros reforços?
Em relação as luvas que foram recebidas, não podemos afirmar os valores por questões contratuais, mas o Bahia é transparente e isso fatalmente poderá ser verificado pelos sócios e pela auditoria nos balanços dentro dos devidos prazos legais. Recebemos um valor importante. Fizemos investimentos com parte do valor com patrimônio e outras negociações. Estamos negociando as questões dos CTS, que é um problema crônico. Todo mundo sabe da negociação que foi feita, que acabou alienando o Fazendão e a Cidade Tricolor continua no nome da OAS. É uma negociação que vai dar em um gasto e teremos que utilizar parte desta luva para resolver essa situação. Estamos otimistas e é uma situação urgente. Estamos conversando, não só com a OAS, mas também com a Planner, que foi a beneficiada pela negociação. A OAS tem uma dívida com a Planner e deu o Fazendão em garantia. Estamos trabalhando nisso. Sabemos que foi fundamental a questão da sede de praia. Temos as Transcons e temos condições de cumprir o contrato, mas não podemos cumprir sem saber se a OAS vai fazer a parte dela. A OAS é uma empresa que está em recuperação judicial, envolvida na Operação Lava Jato e todo mundo sabe o perigo que é essa situação de fazer um investimento com contrato que supera R$ 20 milhões de reais sem a garantia da outra parte vai cumprir é complicado. Mas as conversas estão adiantadas e esperamos resolver na maior brevidade possível. A nossa expectativa é ter o Fazendão e a Cidade Tricolor de volta ao nome do Bahia.
 
O diretor Jorge Avancini deixou escapar que o Bahia terá novidades em breve. Trata-se de uma nova fornecedora de material esportivo?
A gente tem contrato com a Penalty. Todo mundo sabe que a Penalty teve alguns problemas. Uma vez que a relação se complicou, o Bahia foi procurado por diversas empresas. Não vou citar nomes. As novidades citadas por ele podem ser relacionadas a terceira camisa, a uma nova promoção com a Arena Fonte Nova...
 
Tem algum recado para o torcedor?
Acho que a torcida do Bahia sabe da importância dela. É uma torcida de gosta de estar no estádio, de fazer festa. O time no ano passado não deu tranquilidade, mas acho que se a torcida apoiar, o time dará resposta. A torcida sabe da qualidade do nosso elenco. Mesmo nas partidas que perdemos, não fizemos jogos ruins. Vamos precisar da torcida, pois é o que diz a campanha do marketing: juntos voltaremos. Torcedor, vá para o estádio, vá para apoiar. Se tiver que criticar, critique. Mas critique ao fim do jogo. Não existe dono da verdade, existe o Bahia. Tenham certeza que todos que estão trabalhando aqui estão fazendo o melhor para o clube. Às vezes erram, mas errar é humano. Não temos espaço para errar duas vezes na mesma coisa. O Bahia vai subir. Não tem alternativa. Vão para o estádio empurrar.

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