Sexta, 24 de Julho de 2015 - 23:30

'Novo homem', Ávine fala sobre religião, recuperação e o futuro do Bahia em 2015

por Felipe Santana

'Novo homem', Ávine fala sobre religião, recuperação e o futuro do Bahia em 2015
Fotos: Max Haack / Bahia Notícias
Ele está de volta. Quase três anos depois, o lateral-esquerdo Ávine retornou aos gramados para defender o Esporte Clube Bahia, no dia 22 de julho contra o Paysandu. Partida essa que o jogador considera como um recomeço na carreira profissional. Xodó da torcida tricolor, o lateral concedeu entrevista especial ao Bahia Notícias e não falou apenas sobre a parte do campo. O atleta comentou a modificação na conduta pessoal, após se tornar evangélico, os avanços do Bahia na partida administrativa e o que espera deste atual elenco para o final da temporada de 2015.

BN: Como foi a repercussão em casa, na quarta-feira, depois do jogo contra o Paysandu? 
Ávine: Foi uma coisa muito boa. Todos estavam muito felizes. Era um dia que todos estavam esperando e ansiosos para acontecer. Foi só comemoração.

BN: Você sentiu algum desconforto durante ou depois do jogo?
Ávine: Deu tudo certo, graças a Deus. Senti um desconforto na panturrilha, o que foi normal para um jogador que ficou tanto tempo parada. O jogo também teve bastante intensidade.

BN: O que mais te incomodou no período da recuperação: não jogar ou ouvir pessoas falando sobre você? 
Ávine: Mais me incomodou ouvir pessoas falando sobre mim, no caso da minha recuperação, sem ter conhecimento algum da situação. Muitas pessoas falaram demais, e falaram besteira. Eu tentei e soube administrar muito bem isso. Eu consegui dar a volta por cima e mostrar uma coisa totalmente diferente do que eles esperavam.
 

BN: Já pensou em tornar este período inativo em um tema para o testemunho na igreja ou até mesmo um livro?
Ávine: Livro? Ainda não. Mas, quanto ao testemunho, eu já dei na igreja. Não só para pessoas de lá de dentro (igreja), como para jogadores do clube e outros atletas que mandaram mensagens. Vários jogadores falaram comigo sobre meu retorno, depois de quarta, e isso já serve como testemunho. Mostra que, quando a medicina não resolve, Deus pode fazer o milagre acontecer.

BN: Qual passagem da Bíblia, hoje, você deixaria para o torcedor do Bahia? E qual você mais se apegou nesta luta para voltar aos jogos?
Ávine: Tem várias passagens bíblicas. Tem uma que fala sobre José. Ele foi vendido como escravo, mas em momento algum deixou de acreditar na promessa de Deus. Ele virou governador do Egito. É uma passagem que mexe comigo demais.

BN: A fé em Cristo te tornou uma pessoa mais forte e melhor?
Ávine: Sem dúvida alguma. Era nítido que era um cara mais arrogante e estressado. Me tornei uma uma pessoa melhor. Sou muito mais calmo, equilibrado, e consigo pensar duas vezes antes de falar. Também virei um pai e marido melhor. Antes, como vários jogadores, gostava de beber, sair e curtir. Mas, hoje, não me vejo mais assim. Minha rotina é trabalho, casa e igreja. Mudei muito.
 

BN: Este Bahia, em 2015, tem o que de diferente dos outros?
Ávine: Desde a chegada da nova diretoria, com o presidente e demais gestores, tem mudado muita coisa. A organização é outra, o comprometimento mudou. Os projetos são diferentes e mostram a seriedade do clube. Eles chegaram para mudar a cara do Bahia. Nós jogadores entendemos isso e queremos fazer parte deste processo.

BN: Salário em dia colabora para esta mudança?
Ávine: Salário em dia ajuda demais. Temos nossos planos, contas a pagar, e isso ajuda muito. Ter a cabeça tranquila é importante para o jogador.

BN: Se necessário for, você está pronto para se tornar o capitão da equipe com a saída de Titi?
Ávine: Não sei quem será. Eu estou pronto para ser, e ficaria orgulhoso disto. Se ele escolher por mim vou me dedicar da melhor maneira.

BN: É possível, com este elenco, acreditar no título da Série B?
Ávine: Esse é um dos nosso alvos. Nossa meta é subir o Bahia em primeiro lugar. Nosso elenco não pensa em outra coisa a não ser na conquista do título e acesso.

BN: Qual o papel de Lulinha Tavares (coach esportivo) no seu retorno ao futebol?
Ávine: Ele tem grande participação. Eu tenho conversado com ele demais. Falei coisas com Lulinha que nunca tinha comentado com mais ninguém. Ele tem a parcela, sim, não posso negar. Todos me ajudaram e se empenharam ao máximo. Fico muito feliz por esse momento.

BN: Neste tempo parado, você aproveitou para aprimorar, por exemplo, os lances de bola parada?
Ávine: Com certeza. Todos os dias eu ia lá bater falta depois dos treinos, e isso ajudou demais. Hoje, eu me vejo diferente e fazendo coisas que eu não fazia antes. Não pretendo parar. Quero continuar melhorando e colocando em prática nos jogos.
 

BN: Qual mensagem de agradecimento você deixaria para os torcedores do Bahia?
Ávine: Eu deixo para o torcedor um pedido de apoio. Que ele nos abrace, compareça aos jogos e tenha paciência. O apoio dele, como eu conheço bem, será fundamental para nossa meta na temporada. A torcida do Bahia é algo completamente diferente, então, que ele nos ajude em campo. Deixo um agradecimento e pedido de apoio ao time.

BN: Você pode ser considerado um milagre?
Ávine: Tenho certeza. Quem tem a marca da promessa não morre ou fica desamparado. Sou escolhido de Deus. Tenho muito o que fazer aqui ainda, e principalmente dar alegrias ao torcedor do Bahia. Não paro por aqui. Vou trabalhar forte para que tudo venha acontecer normalmente.

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