Segunda, 08 de Janeiro de 2018 - 11:00

Jucimar Barbosa

por Ailma Teixeira

Jucimar Barbosa
Fotos: Jamile Amine / Bahia Notícias

Como se fosse “numa empresa”, Oxóssi passou o bastão para Exu e Xangô, que, juntos, assumem a regência do ano de 2018. Enquanto o primeiro traz desorganização para acertar as coisas em uma nova ordem, o segundo traz o equilíbrio necessário. Nas palavras do Pai de Santo Jucimar Sampaio Barbosa, do Terreiro Ilê Axé Ogun Meuã, será “um ano meio bagunçado, que imediatamente vai ser consertado por causa de Exu, e um ano de justiça, porque quem vai fazer a justiça é Xangô”. Além deles, o ano que acaba de começar terá influências diretas de Oxóssi e de Iansã, prometendo fazer de 2018 um período veloz e intempestivo. “Exu, por ele reinar, o ano é dele, ele fez o convite a Xangô pra vir administrar. Como Xangô é o juiz, ele veio pra sentar na mesa do patrono e, por fim, convidou Oxóssi por ser irmão dele e Iansã por ser uma das iabás. Iansã, senhora dos ventos e dos raios, e Oxóssi, um orixá da fartura, agricultor, de plantios”, explica o pai de santo. Em entrevista ao Bahia Notícias, Barbosa contou como fazer uma oferenda para os orixás regentes, alertou para as cobranças que serão feitas àqueles que merecerem fez ainda recomendações para praticantes do candomblé e simpatizantes para atrair boas energias em 2018.

 

Muito se fala que 2017 foi um ano regido por Oxóssi e agora Xangô assume o controle pra 2018. Como se dá essa transformação, essa passagem de um orixá pra outro?

É como se fosse numa empresa, tem a seleção pra um funcionário chegar a um cargo de gerente, então depois que um orixá toma conta do território, logo após ele sai como se fosse férias e passa [o comando] pra outro. No caso agora, quem vai residir esse ano de 2018 é Exu e Xangô. Exu é um orixá com duas cabeças, tem pessoas que puxam muito ele pelo lado do mal e tem pessoas que puxam pelo lado do bem porque ele trabalha dos dois modos. Ele é um orixá interesseiro, então vai pelo lado de quem dá mais, e Xangô vem pelo lado da justiça. Assim nós vamos ter um ano de 2018 um pouco quente, um pouco de confusão devido a Exu estar na área, pois ele é um rapaz que desarrumara o território, volta e arruma de novo.

 

Como os dois vão equilibrar essas influências?

Quem vai equilibrar é Xangô com a justiça, por ele ser um orixá justiceiro, um orixá rei.

 

Quem pode se beneficiar com esses dois orixás? Há pessoas ou áreas que podem ser mais ou menos favorecidas?

Depende do modo de tratar eles. Exu, por ser um orixá interesseiro, você sabendo fazer oferenda e fazendo pedidos pra ele, sejam maliciosos ou beneficentes pra você, imediatamente ele vai se encarregar de atender aos seu pedidos. Xangô também é um orixá que adora alturas, vive nas pedreiras e o elemento dele é o amalá feito com quiabo, com camarão, cebola, azeite... Existe o Xangô que não come quiabo, no caso, o Xangô Baru. Se ele comer quiabo, ele vai dormir, ele vai se esquecer do que tem que fazer e vai dormir.

 

 

Quando a entrevista for publicada, ano já vai ter começado, mas vai dar tempo de fazer alguma coisa para agradar o orixá, agradecer, ajudar a abrir os caminhos? Haverá tempo de plantar esses bons frutos para o ano de 2018?

Com certeza sim porque você não vai fazer nada pra adquirir a resposta dentro de dois minutos ou de 24 horas. Até acontece de você fazer uma coisa e no outro dia você ter a resposta, mas não vai ser um ano de imediatismo.

 

Outra informação que circula é de que o ano também terá forte influência de Iansã e de Oxóssi. O que cada um deles traz para as pessoas?

Exu, por ele reinar, o ano é dele, ele fez o convite a Xangô pra vir administrar. Como Xangô é o juiz, ele veio pra sentar na mesa do patrono e, por fim, convidou Oxóssi por ser irmão dele e Iansã por ser uma das iabás. Iansã, senhora dos ventos e dos raios, e Oxóssi, um orixá da fartura, ele é um orixá agricultor, de plantios.

 

É por conta de Iansã que se estima que 2018 será um ano rápido?

Vai ser um ano rápido, um ano meio estressado porque Iansã é uma orixá meio estressada. Ela solta os ventos e os raios.

 

 

Quando se fala que será um ano de justiça, é comum associar o termo a conquistas, mas também a punições. E você falou um pouco sobre a maneira como se pode oferecer algo ao orixá, agradecer. Mas de que forma o orixá cobra ou compensa aqueles que assim merecerem?

O orixá cobra aos filhos dele quando estão em dívida. No caso, se você é uma filha do orixá e está em dívida com ele, ele vai lhe cobrar. Não que ele vá matar porque o orixá não mata, ele dá saúde abaixo de Deus. Quem dá a vida e tira é Deus! Ele pode maltratar, como você ter um filho biológico, se você quer dar castigo a seu filho, você tira o que ele mais gosta. O orixá começa nos futucando por aquilo que a gente mais é apegado. Começa a afetar um parente, um filho ou até a gente mesmo. Se for um caso espiritual, como ele deu aquele problema ali, uma dor de cabeça, uma doencinha, ele volta e tira. Ele dá a injeção, depois ele vem e massageia.

 

Vai ser um ano positivo em relação a emprego, trabalho, carreira?

Devido aos orixás, vai ser sim. Como os orixás não governam muito os homens que estão fazendo esses absurdos com a gente, vai ser um ano de fartura pelo lado de Oxóssi, um ano meio bagunçado que imediatamente vai ser consertado por causa de Exu e um ano de justiça porque quem vai fazer a justiça é Xangô.

 

O senhor saberia dizer se algum grande nome da política aqui no Estado, como ACM Neto (DEM) e Rui Costa (PT), ou até a nível nacional, como Lula (PT) e o presidente Michel Temer (PMDB), é regido por Xangô?

Eu faço meus pedidos a Exu, que tire eles todos e jogue na lixeira pra ver se bota uma coisa melhor porque se não o nosso fim vai ser o quê? É nada. É trabalhar, trabalhar e não conquistar nada. Peço a Deus, abaixo de Deus, peço aos orixás, de Exu a Oxalá, que entrem na cabeça de cada qual deles pra poder ver se eles fazem alguma coisa de bom para a gente porque ultimamente a gente vem trabalhando e nada de conquista.

 

No entanto, com perspectiva de eleição no próximo ano, há expectativa de que as crises sejam afloradas em 2018?

Vão! Vai sim, com certeza.

 

 

Considerando que nós somos uma sociedade que maltrata a natureza. No âmbito natural, a gente pode esperar mais desastres naturais, mais tragédias?

Principalmente a gente do candomblé, estamos perdendo um pouco as matas porque estão desmatando muito. Eu colhia folha lá no Marechal onde eu resido, hoje em dia eu tenho que sair de marechal pra ir a um outro lugar pra colher. Estão crescendo, criando empresas e desmatando, então a gente fica sem folha. Como fica sem folha, alguns orixás fugiram daqui do Brasil, voltaram pra terra de origem dele porque aqui no Brasil você vê muito sangue e drogas, é isso que está tomando conta do mundo. Então alguns orixás não se adaptaram a isso e voltaram pra sua terra natal.

 

Então, as pessoas ficam descobertas, descuidadas?

Não aquela pessoa que tem fé em Deus porque eu sou do candomblé, mas a minha fé maior é no Deus vivo, no Deus do céu e abaixo de Deus, os orixás. Se você tem fé, você vai a pé, você consegue tudo.

 

De maneira geral, há alguma alerta para 2018?

O alerta que eu posso indicar é que, mesmo a pessoa não sendo iniciada no candomblé, mas que é simpatizante, deve sempre procurar tomar um banho pra descarregar o corpo de radiações negativas, que é o que assola muito porque o pior feitiço é o olho, a inveja. Sempre estar tomando um banho de descarrego, um banho de apreensão e procurar um orixá, seja o orixá da pessoa ou seja um orixá que a pessoa goste e admire pra fazer aquelas oferendas. O orixá no candomblé é alimentado de ano em ano. Vamos dizer, de mês em mês, você coloca aquela oferenda pra Exu, pra um orixá que seja de sua cabeça ou que você tenha aquela devoção, aí ele vai lhe favorecer espiritualmente.

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